Teste da SRK 400 by QJ Motor – Uma A2 Surpreendente, Hey Moto Gooo !!!

By on 9 Dezembro, 2022

Estivemos a convite da QJ Motor em Málaga para testar a nova SRK400, uma moto de estilo Naked que representa a imagem com que a marca pretende afirmar-se no mercado Ibérico pois reúne todos os atributos que definem o seu posicionamento, jovem, divertida, irreverente, atractiva e desafiante.

Por isso a expectativa face ao seu real desempenho era grande já que num, segmento tão desejado e disputado não basta parecer é preciso ser… e como poderão constatar mais adiante a SRK 400 surpreendeu tudo e todos com um desempenho que superou todas as expectativas.

Há que pensar que, apesar da a QJ Motor ser uma nova marca no mercado, o certo é que quem está por detrás da mesma, a empresa Quianjian Motorcycle do Grupo Geely, fabricante líder no sector dos automóveis, tem mais de 30 anos de experiência na produção de motos, sobretudo para o mercado asiático, mas também com marcas como a Benelli para o mercado europeu.

A evolução da qualidade dos produtos originários dos fabricantes chineses é notória e a importância do reconhecimento do mercado europeu para a qualidade dos mesmos é, do ponto de vista estratégico, um objectivo das marcas, realidade que inclusivamente estava bem patente na dimensão e qualidade dos espaços de exposição que os mesmos detinham na última EICMA em Milão, o certame mais importante a nível mundial do sector das duas rodas.

Mas centremos-nos na divertida SRK400 da QJ Motor que nos levou ao sul de Espanha para a conhecermos.

Estética e Equipamento que são referência – Nota 4/5

A sua estética é bastante impactante, sem ser rebuscada, com um bom equilíbrio dos seus elementos, moderna e com pormenores de qualidade, seguindo um estilo marcadamente europeu, de design inspirado em referências do sector e com detalhes que incluem por exemplo elementos aerodinâmicos, como as aletas nas laterais e a estética traseira do assento ao estilo “ Panigale ”.

As cores selecionadas para fazer “bandeira” deste modelo são duas, uma versão em preto com jantes douradas e outra em cinza com o quadro verde  fluo e jantes pretas. As duas funcionam muito bem, destacando as linhas agressivas do modelo, sendo a versão cinza, na nossa opinião, aquela que do ponto de vista estético nos parece mais interessante pelo impacto da originalidade da combinação de cores.

Com iluminação Full LED, a SRK400 exibe um farol dianteiro com duas óticas, contornadas por elementos de iluminação diurna. Os intermitentes são de dimensão reduzida contribuindo para a sua imagem cuidada e moderna e o farol traseiro destaca-se pelo seu formato original, a fazer lembrar a sigla de uma das marcas que lideram o sector dos automóveis elétricos,  muito bem integrada numa traseira limpa e minimalista com o apoio de matrícula colocado no suporte do guarda-lamas traseiro, junto ao pneu, que está unido ao braço oscilante.

Destaque para o painel TFT a cores de 5”, de boa leitura, que alterna entre fundo branco e fundo preto em função da luminosidade, onde podemos obter toda a informação relevante de forma clara e precisa nomeadamente a velocidade, rotação do motor, nível de combustível, relógio e mudança engrenada…

O assento mostra excelentes acabamentos, é constituído por duas peças, sendo a dianteira muito confortável pois terminámos o trajecto de 200 Kms pelas serras de Málaga, realizado apenas com breves paragens para fotografar,  sem cansaço aparente. Já na parte traseira exibe uns elementos estético-dinâmicos “ à la Panigale” que contribuem para alguma exclusividade estética do modelo e também para a sua estabilidade. A nível de equipamento a SRK400 conta ainda com manetes ajustáveis e ficha usb para ligação de equipamento electrónico.

Motor de elasticidade e sonoridade surpreendentes – Nota 5/5

A SRK 400 monta um motor bicilíndrico de 41 CV que nos surpreendeu a todos pelo seu desempenho brilhante. Com injecção eletrónica e um binário de 37 Nm às 7.500 rpm, o motor entrega potência desde os regimes mais baixos quase parecendo de uma cilindrada superior. Aqui há que destacar verdadeiramente o som que emite o escape da pequena SRK 400, colocado numa posição inferior do lado direito, um som grave que diríamos que de uma 600 ou 700, realidade que marca a presença e o carácter da atrevida naked da QJ Motor.

Mas surpeendente mesmo é ainda a sua elasticidade e praticamente ausência de vibrações, tornando a condução da SRK muito divertida e mesmo entusiasmante. O binário nos baixos regimes torna a sua condução em cidade fluida e a elasticidade e progressividade da entrega de potência nos médios e altos regimes torna a sua pilotagem muito divertida…

Depois de cerca de 200 Kms realizados em percurso de montanha e já no regresso, a organização optou por fazer um directo em auto-estrada de cerca de 50 Kms. Aqui a tentação de testar os limites do bicilíndrico 400 da SRK falou mais alto e “off the record”, a SRK 400 em recta superava com alguma facilidade os 180 Km/h colocando em risco a nossa legalidade, realidade para a qual logo a seguir tememos ao sermos confrontados com um controle em plena auto-estrada, pensando tratar-se de algum radar colocado no trajecto… mas não, era um controle por outra espécie de meleantes que, pelo aparato militar, devem certamente transportar algum tipo de “ mercadoria” ilegal.

Desempenho da ciclística com nota alta  4/5

Tendo o motor as características atrás referidas não faria sentido que a ciclística não acompanhasse o seu desempenho e assim se mostrou de facto. O percurso, criteriosamente definido pela organização, pretendia de forma intencional mostrar as qualidades da SRK quando levada numa condução mais desportiva por gente com experiência e conhecimento.  

A Costa del Sol, assim é designada a região sul da Andaluzia que inclui a costa de  Málaga e que se estende até Estepona, onde encontramos locais tão emblemáticos como Marbella, Puerto Banus e Torremolinos, é conhecida também pelo complexo montanhoso do Parque Nacional de Las Nieves. O percurso contemplava cerca de 200 Kms de estradas com muitas curvas, mas de bom asfalto, passando pela espectacular cidade de Ronda, conhecida pelas suas vertiginosas gargantas talhadas pelo rio Tejo.

As suspensões dianteiras invertidas, apesar de não serem ajustáveis, mostraram um comportamento que em simultâneo oferecia estabilidade e conforto. O amortecedor traseiro mostrou-se algo brando na afinação de origem ( que obviamente não contemplava o meu peso de 95 Kg ) pelo que merecia algum ajuste de pré-carga, no entanto o mesmo exigia ferramenta, razão pela qual não o realizámos. Compensámos porém com ajuste do hidráulico de extensão, esse sim possível realizar com o simples rodar de um disco na base do amortecedor.

Quadro e suspensões mostraram um enorme acerto garantindo estabilidade e firmeza a rodar rápido sendo apenas penalizado pelo tacto algo esponjoso do travão dianteiro, vendo-nos obrigados muitas vezes a compensar com algo de travão traseiro, sobretudo na abordagem mais rápida de algumas das curvas mais fechadas. Sem dúvida um tema a melhorar apesar da SRK 400 montar duplo disco lobulados de 260mm, assistidos por ABS.

O comportamento em curva é notável, com a moto a desenhar trajectórias com enorme estabilidade e com notória aderência graças a um bom comportamento das borrachas montadas, uns também surpreendentes Maxxis MaxSport, na dimensão 150/60-17 na traseira e um 110/70-17 na dianteira.

Em recta a proteção aerodinâmica é logicamente nula mas a estabilidade é absoluta, mesmo em velocidades que ultrapassam em muito a legalidade, certamente graças a alguns apêndice aerodinâmicos que a moto inclui na frente a na traseira ( estes no assento ) realidade que contribui definitivamente para esse comportamento neutro.  Nesta matéria nunca é demais destacar a enorme elasticidade do motor nos regimes mais altos que nos surpreendeu a todos pela ausência aparente de stress dinâmico, ou seja, sem sequer parecer que vai em esforço, sensação certamente causada pela ausência de vibrações e equilíbrio global do conjunto.

HEY MOTO GOOO !!! é o slogan de mercado da marca e a SRK 400 enquadra-se perfeitamente na expressão

Gostámos

  • Elasticidade do motor
  • Disponibilidade de binário desde baixo
  • Sonoridade do escape 2 em 1
  • Estática e acabamentos
  • Estabilidade da ciclística

A melhorar

  • Travão dianteiro
  • Suspensão traseira

Nota final com um surpreendente 4/5

A QJ Motor SRK400 mostra ao que vem e é clara a intenção de se bater com as melhores do seu segmento. Apenas peca pela travagem dianteira e apenas por isso não tem nota 5, no entanto compensa largamente pelo excelente desempenho do seu motor e restante ciclística e pela diversão proporcionada pelo conjunto.

No global representa uma excelente opção para quem venha por exemplo de uma 125cc e que queira evoluir antes de passar para motos de maior cilindrada ou que entenda que, para a utilização que realiza no dia a dia, os 400cc com uma boa ciclística sejam suficientes.

Uma outra realidade temos que levar em conta são os 6 anos de garantia que marca oferece nos seus modelos. Para quem ainda tenha dúvidas sobre a qualidade e fiabilidade das marcas chinesas o representante desmistifica definitivamente este argumento oferecendo uma garantia única que nenhuma outra marca proporciona. O preço de 5.790 eur da SRK 400 é também um excelente argumento posicionando-a no centro da oferta do seu segmento.

A aposta da QJ Motor na sua SRK400 definitivamente parece ser uma aposta ganhadora, que irá conquistar o coração de todos aqueles que procuram uma moto irreverente, compacta e divertida, ágil e fácil de conduzir, com prestações altas e em simultâneo confortável para realizar pequenas viagens de fim de semana.  

Disponível em duas opções cromáticas, preta com jantes douradas e quadro negro e cinzenta com jantes pretas e quadro verde fluo, a nova SRK400 está já disponível nos concessionários da marca. Vale a pena testarem-na para perceberem todo o seu potencial.

Ficha Técnica

MOTOR

TipoBicilíndrico em linha DOHC
Diâmetro x curso (mm)70,5 x 51,2
RefrigeraçãoLíquida
Cilindrada (cc)400 cc
AlimentaçãoInjeção eletrónica
Distribuição2 árvores de cames à cabeça, 4 válvulas
Taxa de compressãon/d
Potência Máx(CV/rpm)41 @ 9000 rpm
Binário máximo37 Nm @ 7500 rpm
Emissões de CO2 (gr/Km)n/d
EmbraiagemMultidisco em banho de óleo
Transmissão secundáriaCorrente
Caixa de velocidades6 velocidades
Sistema de arranqueElétrico
  

CICLÍSTICA

Roda dianteira110/70-R17
Roda traseira150/60-R17
Suspensão dianteiraForquilha invertida de 41 mm, 125 mm de curso efetivo
Suspensão traseiraAmortecedor único colocado lateralmente. Curso total 125 mm
Travão (dianteiro)Disco duplo lobulado de 260 mm pinça de 2 pistões (ABS )
Travão (traseiro)Disco (240 mm), pinça de 1 pistão (ABS )

DIMENSÕES E PESOS

Distância eixos1425 mm
Altura do assento785 mm
C x L x A2080 x 820 x 1085
Peso em marcha186 Kg
Tipo de quadroMultitubular Trelissa

CAPACIDADES

Depósito13,5 L
Consumon/d

Concorrência

KAWASAKI Z400 2023

Bicilíndrico, DOHC, 8 válv., 399cc, 45 CV às 10.000 rpm, 37 Nm às 8.000 rpm, 167 Kg,
PVP 6.790 eur

KTM 390 DUKE

Monocilíndrico, SOHC 4 válv, 373cc, 44 CV, 165 Kg,
PVP 6.423 eur

YAMAHA MT-03

Bicilíndrico DOHC, 4 válv., 321cc, 42 CV às 10.750 rpm, 29.6 Nm à 9000 rpm, 168 Kg,
PVP 5.495 eur

Galeria

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