Teste BMW F750 GS e F850 GS edição “40 years GS”

By on 5 Fevereiro, 2021

Foi em 2020 que o fenómeno GS celebrou 40 anos de existência. Quatro décadas a revolucionar o conceito dual-sport, criando máquinas que conseguiam ter um à vontade natural nas mais diversas condições, revelando uma polivalência até então difícil de encontrar. A BMW F750 GS e a BMW F850 GS são irmãs na motorização, mas têm personalidades distintas. Fomos descobrir as semelhanças e diferenças..

Texto de Helder Monteiro e Pedro Alpiarça

BMW F850 GS edição “40 Years GS”

Esta é sem duvida a GS mais vocacionada para fora de estrada…é a unica da gama com aros de 21 polegadas à frente o que faz toda a diferença na altura de enfrentarmos uns obstáculos mais agressivos. Não é por acaso que a BMW escolheu este ano a 850 para o seu já famoso GS Trophy, um encontro de motociclistas de todo o mundo com o objectivo de proporcionar aos seus participantes as mais variadas aventuras no fora de estrada.

A F850GS está preparadíssima para essas exigencias com todo o pacote original já conhecido, e a cumprir  bem esse propósito, é muito fácil de levar em terra se tivermos os pneus adequados, com as suspensões de bom curso sendo na dianteira um forquilha invertida de 43mm de diametro e onde não falta na traseira o conhecido sistema ESA da BMW.

O já conhecido motor de 853cc, aqui a debitar uns generosos 95 cv é muito equilibrado e é um excelente compromisso entre uma utilização mais aventureira ou numa toada mais calma com passageiro e carga. Os 860mm de altura do banco podem assustar mas existe um kit de fábrica com rebaixamento até aos 815 mm

Nesta versão a comemorar os 40 anos, as GS estão muito bonitas e efectivamente o esquema de cores fica muito bem em qualquer uma delas e muito melhor ao vivo…as fotos não lhes fazem justiça. A R100 GS com este esquema de cores e que ficou baptizada de Bumblebee, o abelhão, iria ficar orgulhosa em ver replicada esta versão. Foi um boa aposta da marca. Para mais surge equipada com as 3 malas vario que já fazem parte da história das motos BMW e também de um vidro mais alto, tudo dentro do pack 40 anos.

Se me perguntassem qual das GS queria levar para um pista em Marrocos ou um estradão no Alentejo, sem duvida que esta F850 seria a primeira escolha.

Mas, e há sempre um mas, esta configuração mais apostada no todo terreno provoca algumas restrições numa condução mais apurada em estrada, principalmente na travagem onde se nota um ligeiro alongar nas distâncias muito derivado do curso da suspensão dianteira. É suficiente mas não tem o aprumo da sua irmã 750.

Continua uma excelente moto com a qualidade que a BMW já nos habituou e aqui numa roupagem mais exclusiva e promenores muito interessantes onde não falta uma util tomada USB de origem no painel para além do ABS PRO e o DTC

 

BMW F750 GS edição “40 Years GS”

Se a sigla GS (Gelande Strasse em alemão) significa Fora de Estrada/Estrada, a F750 deveria ter um g pequeno e um S grande. Sendo o modelo de entrada desta tão popular série, rapidamente é subavaliada nas suas capacidades, de tal forma que basta um par de quilómetros aos seus comandos para qualquer preconceito desaparecer.

Mais baixa e compacta , assertiva sobre o eixo dianteiro (graças ao guiador mais curto), a estrada é o seu domínio, numa postura confiante e estável em qualquer situação. Não significa que a jante 19” e a sua condição trail não lhe permitam entrar por maus caminhos (também tem o Modo Enduro), mas a sua facilidade de utilização adequa-se mais a um ambiente citadino e a uma ocasional viagem para conhecer um percurso de montanha.

O bicilindrico de 853cc é exactamente igual ao da sua irmã, castrado com menos potência e binário. São menos 18cv e 10 Nm e apenas 5kg mais leve. Serão estes números relevantes? De todo, a entrega e atitude com que nos envolve, faz dela uma máquina divertida de conduzir em qualquer estrada mais retorcida.

 

As suspensões são convencionais e têm um curso muito menor que a 850, mas a sua parametrização no modo Dynamic tornam-na bastante acutilante e com pouca movimentação no chassis em aceleração e travagem (que surge mais mordaz em virtude disso mesmo). Com a distância entre eixos mais curta em combinação com o pneu dianteiro mais largo, as entradas em curva e as transferências de massa são feitas com a leveza e facilidade que só uma trail estradista permite. Talvez em autoestrada e com carga elevada, o défice de potência se note mais, mas o comportamento bem focado e plantado no asfalto, fez dela a grande surpresa deste teste.

O nível de equipamento e a estética desta edição comemorativa do fenómeno GS, são sublimes, a qualidade de construção da BMW nunca desilude, desde a souplesse do quick-shift bidirecional à practicalidade do Keyless ride, ao fantástico TFT com toda a interação nos comandos intuitiva e de fácil utilização, às ajudas electrónicas do controle de tracção e do ABS sensíveis à inclinação da moto.

A F750 GS nesta edição 40 anos é altamente competitiva no seu posicionamento no segmento trail de média cilindrada. Se aprendemos que os valores motrizes não contam a estória toda, também aprendemos que o pequeno vidro merece ser trocado assim que possível, aumentando assim o seu espectro de utilização para viagens mais longas.

 

Conclusão:

Foi bastante interessante perceber a real dimensão da diferença de alguns pequenos grandes pormenores na dinâmica de uma máquina. Embora pareçam óbvios, na verdade, o comportamento das duas motos não poderia ser mais distinto nas condições a que é sujeito. 

Se o fora de estrada é impensável com uma jante abaixo das 19″, o asfalto não é impossível para uma jante 21″.  O efeito giroscópico da mesma nota-se na lentidão de inserção em curva e nas transições mais bruscas (numa condução “empenhada” no asfalto), do mesmo modo que a jante 19″ não consegue ter a mesma capacidade de absorção e estabilidade de rolamento num piso mais esburacado. 

As suspensões, com um mundo de parâmetros que influenciam sobejamente o comportamento da ciclística, são determinantes a definir o carácter comportamental da moto. No fora de estrada, a suavidade inicial e a progressiva intensidade do amortecimento da F850, abrilhantam passagens onde o piso desafia o atrito. Mas na estrada, o curso superior e a atitude mais oscilante criam uma noção mais vaga do que se passa debaixo dos pneus, ao passo que a acutilancia e postura determinada da F750 (mesmo com suspensões menos nobres e de menor curso) tornam-na muito mais eficaz. E se pensarmos nas diferenças a nivel de potência, acabamos sempre por questionar que a mesma não faz sentido sem controle. 

No capitulo do equipamento, tudo o que podemos dizer é que a excelência reina nestes modelos, nada mais podíamos desejar, seja nas ajudas electrónicas, seja na tecnologia dedicada ao conforto do condutor.

A F850 GS revelou-se uma verdadeira globetrotter, com a sua real polivalência e a capacidade de pulmão extra para lidar com a carga associada a longas viagens, enquanto que a irmã com nome mais modesto revelou-se uma divertida surpresa dinâmica em estrada, nunca se negando a sujar as roupas de vez em quando. E que bonitas que são as vestes desta edição especial “40 Years GS”.

Ficha Técnica:

 

  • Motor

ModeloF750 GSF850 GS
Tipo:Motor bicilíndrico em linha, a quatro tempos com refrigeração líquida, quatro válvulas por cilindro, duas árvores de cames à cabeça, lubrificação por cárter seco Idêntico
Diametro/Curso:84 mm vs 77 mmIdêntico
Cilindrada:853 cm3Idêntico
Potência:77 cv @ 7 500 rpm95 cv @ 8 250 rpm
Binário:83 Nm @ 6 000 rpm92 Nm @ 6 250 rpm

 

  • Transmissão:

Embraiagem:Embraiagem multidisco em banho de óleo (deslizante), acionamento mecânico Idêntico
Caixa de Velocidades:Seis velocidades com veio de sincronização, integrada no cárter    
Idêntico
Transmissão:Corrente com O-rings e com amortecimento no cubo da roda traseira    

Idêntico

 

  • Ciclística/Travões

QuadroEstrutura de dupla trave, com invólucro de aço    
Idêntico
Suspensão DianteiraForquilha telescópica, Ø 41 mm ;  
151 mm de curso
Forquilha invertida com Ø de 43 mm ; 204 mm de cuso
Suspensão TraseiraAmortecedor central, afinação hidráulica da pré-carga da mola ajustável, amortecedor de ressaltos ajustável, 177 mm de cursoAmortecedor traseiro central com WAD, afinação hidráulica da mola, afinação da expansão ; 219 mm de curso
Distância entre eixos1559 mm1593 mm
Ângulo da coluna de direcção63º62º
Jantes (Dianteira/Traseira)19″ / 17″21″ / 17″
Pneu (Dianteiro/Traseiro)110/80 R19 ; 150/70 R17

90/90 R21 ; 150/70 R17



Travão (Dianteiro/Traseiro)Dois discos flutuantes, Ø 305 mm, pinça flutuante de êmbolo duplo / Disco simples, Ø 265 mm, pinça flutuante de êmbolo simples    
   
Idêntico

 

  • Dimensões / Peso

Altura do banco:815 mm (EO kit de rebaixamento de suspensão: 770 mm, EO banco baixo: 790 mm, EO banco Comfort: 830 mm)    
860 mm (EO kit de rebaixamento de suspensão: 815 mm, EO banco baixo: 835 mm, EO banco Comfort: 875 mm, EE banco Rallye: 890 mm)
Volume depósito (reserva):15 l (aprox 3,5 l)Idêntico
Peso, pronta a rolar:224 Kg229 Kg

 

  • Preço

F750 GS edição 40 Years GS:10 460 €
F850 GS edição 40 Years GS:13 281 €
*Oferta de malas Vario e vidro alto (Akrapovic e GPS não incluído)

 

Galeria:

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x