Teste On/Off Yamaha Ténéré 700 Rally Edition – Até ao fim do mundo?!

By on 11 Fevereiro, 2021

Foi longa a espera desde o seu aparecimento como protótipo em 2016 até à sua chegada às mãos do publico. Rapidamente cimentou a sua posição como uma máquina capaz de tudo, fazendo da simplicidade mecânica da sua engenharia uma das suas mais valias. A Yamaha Ténéré 700, também conhecida por T7 criou legiões de fãs, sejam aventureiros de longo curso, sejam amantes de um fora de estrada com uma adventure surpreendentemente ágil e eficaz. Esta Rally Edition é um deleite para os olhos. Fomos testá-la com uma participação muito especial do Nuno Leotte.

Texto de Pedro Alpiarça

Não devia ser possível divertir-me tanto com esta moto. Aprendi a não me deixar intimidar pela estatura das máquinas, sempre tive como referência enormes pilotos que não eram verticalmente favorecidos. Mais malabarismo, menos malabarismo, tudo se faz, e a T7 ajuda a desmontar o puzzle, num misto de sedução quando parada, e de simplicidade em andamento.

O exercício foi igual todos os dias. Chegar à garagem e sorrir. Com a sua altivez de quem está pronta para tudo, carrega orgulhosa na sua pintura e nas suas formas a descendência de quem já atravessou o mundo. O faring transparente com os focos em LED minimalistas, as enormes forquilhas, o banco rally, a protecção de cárter, a traseira esguia, e a mecânica exposta…como quem não tem nada a esconder. Não há TFTs coloridos a darem-nos as boas vindas com fogo de artificio, não há modos de condução nem suspensão para ajustar com botões.

Acordamos o motor e sentimo-nos em casa (embora cheios de vontade de arrancar o Db Killer do bonito Akrapovic à dentada, tal não é a hipocrisia do nobre som tão abafado). A partir daqui a magia acontece. As manobras a baixa velocidade rapidamente revelam uma leveza de movimentos que se torna absurda, nada com este tamanho deveria movimentar-se de forma tão elegante. E toda a gente pára para a admirar!

Nesta altura já me esqueci que tenho calçados uns pneus 50/50, e este rasgado elogio aos Pirelli Rally STR é tanto maior quanto a sua luta por grip em estradas húmidas ainda por cima embrulhados numa jante 21”.

A Yamaha Ténéré 700, é uma ode à verdadeira polivalência das dual-sport. Há aqui uma clara intenção de não lhe chamar adventure, porque esse conceito tornou-se demasiado abrangedor. É um voltar às origens, onde a simplicidade de uma moto de todo o terreno homologada para andar em estrada, servia para alargar os horizontes daqueles estranhos nómadas das duas rodas. Aqui reside o brilhantismo da T7, um motor com uma competência enorme para entregar tudo o que lhe é pedido (e de forma bem cativante), umas suspensões que conseguem ser brilhantes na sua ambivalência, e um chassis equilibrado o suficiente para não termos vergonha de acompanhar qualquer outra moto numa estrada de montanha.

 

Mas será que dá para fazer tudo? Mesmo tudo? 204kg de tudo? Nada nesta moto nos leva ao engano, desde os poisa-pés com a borracha destacável sem ajuda de ferramentas, ao suporte de GPS por cima do painel de instrumentos, inclusive o fácil acesso ao filtro de ar debaixo do assento, o enfoque no fora de estrada é latente.

Estava na altura de a entregar nas mãos de quem sabe explorar os limites nessas condições…

Ajustámos a pré-carga no amortecedor traseiro, e a compressão nas forquilhas, tudo manualmente. Desligámos o ABS (que apenas voltará a ficar activo se desligarmos a ignição) e baixamos ligeiramente a pressão nos pneus para a adaptarmos às condições do piso.

O chassis esguio e a posição de condução oferecem uma condição de agilidade difícil de explicar numa moto com estas dimensões, o facto de ter uma distribuição de massas ligeiramente focada no eixo traseiro faz com que a reacções sejam sempre na base da progressividade, sempre com absoluto controle do que se passa. Aliado à curta distância entre eixos e à capacidade de tracção que o CP2 oferece, rapidamente começámos a explorar percursos mais técnicos sem qualquer respeito pelo estigma de que estas motos só fazem estradões.

A competência das suspensões na leitura do terreno revelou-se uma vez mais fundamental para o equilíbrio do conjunto, se no asfalto não comprometiam uma postura estável, no fora de estrada a maneira como se moldam às constantes solicitações potenciam a confiança no ataque à procura de aderência. Poderiam ser mais refinadas no limite, é certo, mas estão muito longe de desistirem da sua função, e acreditamos que a maior parte dos seus utilizadores não as testarão em situações tão extremas.

O motor é exactamente igual ao da MT-07, aqui com uma ligeira parametrização na injecção para favorecer os baixos e médios regimes. Se sempre adorámos a relação directa entre o acelerador mecânico e a roda traseira, no fora de estrada essa linearidade torna-se uma característica fundamental para o excelente comportamento da T7, com uma óptima saída, e um bom pulmão até ao limite das rotações. Considerado um dos motores mais fiáveis do mercado, a ausência de eletrónica, os actuadores por cabo à vista (corpo de acelerador e embraiagem), e a simplicidade e facilidade de acesso com tudo se apresenta, são garantias de que no fim do mundo não seja preciso um computador para dar continuidade à aventura.

Gostaríamos de ter um toque inicial no punho direito menos brusco, sobretudo em estrada. E a travagem está claramente afinada para os terrenos mais acidentados, sendo que a falta de mordacidade não lhe retira potência e modularidade na acção.

Esta versão rally edition da Yamaha Ténéré 700 vem equipada com os extras mínimos necessários para nos deixar com vontade de dar autógrafos nas dunas como o Peterhansel, ou dar a volta ao mundo sem data de regresso como o Nick Sanders. Com um preço que a posiciona de maneira muito competitiva no segmento, estamos certos de que o seu sucesso será motivo de lenda.

Q&A com Nuno Leotte

“- Pedro Alpiarça (PA): Sei que esta é uma máquina especial para ti, tens uma não é?

– Nuno Leotte (NL): É verdade, é verdade, comprei uma nem há um ano atrás, esta edição Rally, e estou muito contente com a moto, realmente estou..

– PA: O que é que já fizeste com ela?

– NL: Olha, comprei a moto e logo de seguida fiz dois reconhecimentos off-Road, para o Portugal Top 2 Bottom Off Road, que é um passeio que eu organizo anualmente de Bragança a Sagres, e umas semanas depois o trajecto todo com clientes e…surpreendeu-me!

– PA: É a arma ideal para fazer adventure riding, tens um tipo de cliente que gosta destas motos.

– NL: Sim Pedro, eu acho que não há motos perfeitas. Esta é um compromisso que para mim se adequa perfeitamente, é uma máquina que despacha serviço na estrada e é também muito capaz no fora de estrada. Obviamente não é uma moto para fazer trialeira, nem para fazer hard enduro..

– PA: …Se bem que hoje eu fiquei surpreendido com a sua performance nos percursos técnicos que te vi fazer..

– NL: Sim, fizemos uma coisinhas interessantes, obviamente que os pneus de origem que ela monta não são os ideais para estas brincadeiras, mas sim, ela acaba por ser muito capaz.

– PA: Na tua opinião, no que é que ela difere da concorrência, a ciclística, a fiabilidade, a tracção?

– NL: Muito honestamente, acho que é um conjunto de factores, que pus na balança quando a comprei para este propósito. A relação preço qualidade é muito importante, e a sua polivalência, é uma moto que tanto faz off-road como faz estrada. Se eu quiser arrancar de Lisboa para jantar em Marraquexe…

– PA: …Certo, eu diverti-me imenso com ela no asfalto, é altamente competente..

– NL: …e com os pneus adequados vais andar no deserto como se fosse (quase) uma moto de rally…

– PA: …Com a vantagem de que um marroquino consegue mexer na sua mecânica, devido a quase ausência de electrónica, é tudo muito simples..

– NL: Hoje em dia tudo tem electrónica, mas realmente apresenta uma mecânica muito mais simples que a concorrência, e lá está, numa viagem longa por lugares onde a assistência é diminuta, quanto menos tecnologia e menos computadores sejam necessários para mexer na máquina, melhor! Hoje em dia prezo muito a simplicidade mecânica por questões de fiabilidade e acho que este é de facto um ponto muito forte da Yamaha Ténéré 700, a capacidade de não deixar ninguém apeado.

– PA: Obrigado mais uma vez Nuno!”

 

Versão Rally Edition:

  • Piscas em LED*
  • Cores de Rali Heritage
  • Banco Rali
  • Ponteira Akrapovič*
  • Proteção do cárter resistente
  • Protetor do radiador
  • Proteção da corrente
  • Proteções laterais do depósito
  • Punhos Off-Road

 

Ficha Técnica:

  • Motor

Tipo de motorRefrigeração líquida, 4 tempos, 4 válvulas, DOHC, 2 cilindros
Cilindrada689 cm³
Potência73 cv @ 9000 rpm
Binário68 Nm @ 6500 rpm
EmbraiagemHúmida, Multidisco
TransmissãoSincronizada, 6 velocidades
AlimentaçãoInjeção de Combustível

 

  • Ciclística

QuadroEstrutura tubular em aço, berço duplo
Suspensão dianteira / traseiraSuspensão telescópica invertida (210 mm) / Monoamortecedor (200 mm)
Travão Dianteiro/TraseiroHidráulico, dois discos, Ø 282 mm / Hidráulico, um disco, Ø 245 mm
Pneu Dianteiro/Traseiro90/90 R21 M/C 54V M+S – Rodas de raios com pneus Pirelli Scorpion Rally STR / 150/70 R18 M/C 70V M+S – Rodas de raios com pneus Pirelli Scorpion Rally STR

 

  • Dimensões e Preço

Altura do assento 875 mm
Distância entre eixos1595 mm
Capacidade Depósito Combustível16 l
Peso 204 Kg (a rolar)
Preço (Rally Edition)11 995 €

 

Concorrentes:

  • KTM 890 Adventure / Adventure R

  • BMW F850 GS Adventure

95 cv ; 244 kg ; 13 812 €
  • Triumph Tiger 900 Rally Pro

95 cv ; 220 kg ; 16 000 €

Galeria: 

 

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