Técnica: Como a suspensão semi-ativa revolucionou o mercado

By on 21 Janeiro, 2022

Os amortecedores de motos passaram por uma série de transições desde que foram criados, especialmente nos últimos anos. Essenciais para o conforto e uma condução suave, juntamente com melhorias no controlo da moto, é esperado que a sua procura cresça substancialmente no futuro. As modernas suspensões semi-ativas, de controlo eletrónico comandam a evolução…

Os amortecedores traseiros do tipo monoshock (com um só amortecedor) têm hoje grande procura por parte dos fabricantes, devido às várias vantagens que oferecem em relação aos sistemas de amortecimento convencionais, incluindo um melhor manuseamento, travagem, fricção, centralização da massa e estabilidade melhorada, resultando num desempenho geral muito melhor.

A in´ício empregues quase em exclusivo em motos de desporto, não tardou uma impulsão nas linhas de produção dos principais fabricantes nas últimas três décadas.

Suspensões semi-ativas eletrónicas

Monoamortecedor Ohlins TTX 36 MK II EC da Kawasaki ZX10-R

Hoje, juntanto o sector do aftermarket e dos fornecedores, a sua quota de mercado deste segmento cresceu exponencialmente devido á grande procura, e novas tecnologias surgiram entretanto. Exemplo disso foi o aparacimento das suspensões semi-ativas de control eletrónico, mais uma vez com tendo o palco da competição como principal insulsionar de desenvolvimento. Em 2019, a Honda registou a primeira patente (2019/0283835 A1) para a sua utilização em motos de motocross como a CRF 450R. Através de diversos sensores colocados nas suspensões (forquilha e amotecedor posterior), a Unidade de Deteção de Aceleração dá ordem à Unidade de Decisão que por sua vez está em contacto constante com a Unidade de Controlo da Suspensão. Esta última ativa os atuadores, que depois vão alterar as afinações de compressão e précarga. Tudo isto acontece em milissegundos e através da alteração da passagem do hidráulico.  

Tomemos o exemplo da Panigale V4 S é fácil perceber as capacidades de intervenção da suspensão semi-ativa no comportamento da moto através dos diversos atuadores, conetados a uma centralina. Nesta situação uma forquilha pressurizada Öhlins NPX 25/30 controlada eletronicamente, que usa um sistema de amortecimento por cartucho pressurizado derivado das forquilhas de competição. Atua em combinação com o monoamortecedor traseiro Öhlins TTX36 e o amortecedor de direção Öhlins, ambos com um sistema de comando ‘event based’, que permite ao condutor customizar a intervenção das suspensões de acordo com diferentes situações de pilotagem (travagem, curva, aceleração), bem como alterar os parâmetros operativos dos componentes do hardware.

Esta nova tecnologia, empregue desde à vários anos no MotoGP, passou também a ser utilizada nos novos modelos dos principais fabricantes, por forma a melhorar o desempenho dos amortecedores com disposição monoshock. Por exemplos, a Ducati, KTM e BMW, assim como os fabricantes japoneses, utilizam as suspensões semi-ativas nos seus modelos de ponta. Mas agora vem o ‘lado negro’…

Claro que isto fez disparar os custos das próprias motos, mas estas tornaram-se bastante mais seguras e com uma conectividade nunca antes conseguida, facilitando a utilização. O lado negativo disto é que os fabricantes de amortecedores, queixam-se hoje que esta evolução é um dos factores limitativos do crescimento do mercado de sistemas mono-amortecedores, notando-se uma preferência crescente pela reparação de sistemas de amortecedores em vez de simples substituições entre os utilizadores de motos, o que pode ser atribuído aos custos elevados – no fundo, o preço habitual de qualquer revolução a nível técnico.

Os fabricantes

Os principais players deste mercado, incluem fabricantes como a marca suéca Ohlins Racing, a japonesa Showa Corporation, a Nitron Racing Shocks, a Hagon Shocks, e a alemã Bosch GmbH, marcas que estão a dar cada vez mais ênfase às inovações de material e design para melhorar o desempenho.

A Ohlins Racing desenvolveu a sua gama de amortecedores STX Supersport Shock para motos, com a sua tecnologia STX, que inclui ajustadores de ressalto, e ajustador de compressão, que permite diferentes configurações dependendo do modelo de motos, para um desempenho tanto em circuitos de velocidade como em trilhos off-road  acidentados.

A Nitron lançou a sua gama de amortecedores NTR R1 para motos que utiliza um inovador ajuste combinado de amortecimento de 2 vias, e um corpo de liga totalmente anodizado para redução de peso e tratamento de titânio para resistência à corrosão. O sistema vem ainda munido de um ajuste de pré-carga hidráulico opcional para utilização em motos touring com passageiro.

A Showa Corporation introduziu a sua gama de monoamortecedores e afirma dar um melhor desempenho devido a câmaras separadas para ar e óleo, juntamente com um sub-depósito de pressão, que melhora enormemente a dissipação de calor que melhora o desempenho global e a durabilidade do sistema.

O sistema de cantilever da Yamaha (1975) nas suas YZ de motocross foi um dos primeiros sistemas de monoamortecedor

Segmentação do mercado

Os amortecedores de motos são divididos no mercado em termos de tipo de produto, disposição, canal de vendas, e tipo de moto. Com base no tipo de produto, os amortecedores de motos podem ser divididos em amortecedores duplos ou mono. Nos termos da posição de disposição, os amortecedores de motos são classificados como suspensão dianteira ou traseira. Nos termos do canal de venda, os amortecedores de motos podem ser divididos em fabricantes de equipamento original e mercado de pós-venda. Com base no tipo de motocicleta, os amortecedores podem ser divididos em motos desportivas, standard, e cruisers.

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments