A vida de um piloto, vai muito mais para além da luta pelas pole-position ou do seu desempenho nas corridas. Cada um tem uma história própria, existe um lado humano que muitas vezes nos passa ao lado. Vamos então conhecer Tony Arbolino, o italiano contratado pela Marc VDS para este ano e que ocupa o quinto lugar no campeonato do mundo de Moto2.
Tony Arbolino tem 21 anos, é natural de Garbagnate Milanese, Itália e iniciou a sua carreira em 2017 no GP do Qatar, na categoria de Moto3. Em 2019 Arbolino conquistou vitórias em Itália e na Holanda, somou cinco pódios e uma série de Top 6, terminando em quarto na classificação. 2020 começou com tudo, com Arbolino a garantir o terceiro lugar no GP da Espanha, enquanto três segundos lugares ajudaram a manter vivas as suas esperanças para o título. A vitória finalmente veio em Valência, para seu deleite, com o quinto lugar no GP de Portugal fazendo com que terminasse a sua carreira na Moto3 como vice-campeão.
Em 2021 Arbolino passou para a classe intermédia com a Liqui Moly IntactGP, onde lutou para encontrar consistência. Quatro resultados entre os dez primeiros, incluindo um melhor quarto em Le Mans, renderam-lhe a mudança para Marc VDS em 2022. Consistente nos resultados – em 11 provas Arbolino apenas não pontuou no GP de Portugal – o italiano venceu o GP das Américas e foi terceiro em Jerez.
Sendo dos poucos italianos que não tiveram como ‘escola’ a Academia VR46 – como Enea Bastianini – Tony Arbolino teve duas pessoas que foram cruciais para chegar ao topo: Carlo Pernat e Jorge Lorenzo.
“Exato. Tenho uma boa relação com o Carlo e ele sempre me teve em alta estima. Então fui com o meu pai até ele e perguntei se ele poderia me apoiar para que eu pudesse me desenvolver e se ele cuidaria de tudo ao redor. Só para que eu pudesse me concentrar totalmente nos meus objetivos. Isso foi particularmente importante para mim na altura, porque senti-a que estava num ponto da minha carreira em que tinha que conseguir algo – ou não conseguiria nada…”
O começou também não foi fácil para Arbolino, que como muitos jovens da sua idade adora a praia, divertir-se e ter namoradas giras…
“Venho de uma família muito humilde, também cresci num lugar muito humilde com os meus avós. Isso ajudou-me muito e, mesmo com a idade, sempre mantive essa atitude: prefiro levar as coisas com calma, mesmo fora da pista. Dei tudo, a minha família deu tudo, também do ponto de vista financeiro, para conseguir algo neste mundo do motociclismo. Os fins-de-semana de corrida são a minha paixão, mas também valorizo os bons resultados.”
Atualmente Arbolino reside em Barcelona, perto dos circuitos e das praias que tanto adora, mas numa altura teve que mudar para Lugano (Suiça) para trabalhar com Jorge Lorenzo.
“Exatamente. Na minha pequena cidade em Itália, foi-me difícil dar mais um passo na área do treino e preparação. Foi aí que entrou o Jorge (Lorenzo), que veio ter comigo na Malásia e perguntou-me: ‘Onde moras?’ E eu respondi: ‘Em Milão.’ E ele: ‘Eu em Lugano e estou a procurar um piloto forte para treinar.’ A ideia foi ideia dele e deu-me a possibilidade de trabalhar com o seu treinador. Então arrumei as minhas coisas e fui para Lugano. Dormi num sofá – porque o apartamento era pequeno – durante um ano. No final de cada dia não andávamos em motos de corrida e faziamos muito treino físico. Nessa altura senti que dei um passo em frente com o treinador dele (Ivan Lopez), que ainda é o meu treinador agora. A minha maneira de pensar mudou um pouco desde então. Acho que foi isso que me fez uma pessoa diferente e um piloto diferente.”
“Tenho um grande respeito pelo Ivan e serei grato a ele, porque ajudou-me muito numa fase delicada da minha carreira. A minha família ainda vive em Milão. Do ponto de vista pessoal ainda sou a pessoa que sempre fui, de uma família muito humilde. Esse é o conceito que sempre carrego comigo. Em mim nada é falso, tudo é verdadeiro.” Concluiu.