BMW R NineT de homenagem à Métisse

By on 19 Março, 2019

No mundo das scramblers vintage, a inglesa Rickman Triumph Métisse reina suprema. Como scrambler, fez época, e também era uma das motocicletas mais bonitas do seu tempo.

Para o chefe da VTR Customs, Dani Weidmann, há uma ligação ainda mais profunda. Nos anos 80, Dani, de 17 anos, fez um estágio numa empresa chamada Meier & Lutziger – importadora suíça de quadros e peças da Rickman. Dani apaixonou-se pelo design elegante dessas motos de terra.

Quando o pessoal da VTR Customs estava recentemente em cavaqueira, relembrando o passado, surgiu a ideia de construir uma réplica da Métisse. E como a VTR é o braço de personalizações do concessionário BMW Stucki2Rad, logo se pensou em basear a criação numa BMW R NineT. E foi assim, que a “Bétisse” nasceu.

“Já que sabíamos muito bem que aspeto devia ter a ‘Bétisse’,” diz Dani, “o design foi feito muito rapidamente. Uma combinação de depósito, assento e cauda ao clássico estilo Métisse.”

Os kits originais da Métisse eram de fibra de vidro – mas a VTR prefere trabalhar com alumínio. Logo, o técnico chefe e especialista em ligas leves Cello Brauchli preparou um conjunto completo de peças feitas à mão.

“Acho que o Cello rezou para que, um dia, nós tivéssemos ideias mais simples”, brinca Dani. Mas por fim o Cello lá acertou com as linhas finais; algumas ligações ao design original das Rickman são inconfundíveis, mas foi preciso algum trabalho de baixo para cima para acertar também nos detalhes.

 

O design exigia uma linha reta transversal da frente para trás, mas devido a regulamentações suíças rígidas, o quadro principal não podia ser modificado. Então, a VTR inspirou-se noutra R 9T personalizada que eles tinham visto e construíram um sub-quadro aparafusado em toda a extensão da moto.

A solução final está muito bem trabalhada e também acomoda uma entrada de ar personalizada que substitui a unidade de origem, à direita. Olhem do outro lado e verão uma capa de caixa de ar correspondente, em nome da simetria. O novo arranjo também exigia limpar a instalação elétrica visível.

       

A caixa de ar original ainda está em uso, mas o escape é totalmente feito sob medida. Possui tubos personalizados dois em um, terminando numa panela Akrapovič modificada. “Esta é uma solução puramente ‘só para corrida'”, diz Dani. (A moto vem com um sistema legal para a via pública adicional da Hattech.)

Já nas cores, a equipa desviou-se um pouco do material de origem. Um trabalho de pintura igual às de origem de verde Inglês foi levado em consideração, mas parecia muito banal. Por isso, a VTR optou por azul bebé, liga de alumínio polida e dourado, com réplicas de logotipos “Bétisse”. A casa de pinturas Freuler em Benken resolveu o assunto.

O quadro tinha que ser correto para a época, o que exigia acabamento a níquel. Mas as leis suíças interferiram novamente com os planos (algo para o efeito disso influenciar a integridade estrutural do quadro). A VTR acabou por tentar um revestimento em pó plastificado de níquel – e deu um suspiro de alívio quando o resultado voltou com um aspeto impecável.

Um toque surpreendentemente moderno ainda permanecia: o motor e a transmissão da R NineT eram todos pretos. Então a casa pegou no moto BMW novinho em folha e desmontou-o para o refinar.

“O trabalho pior”, diz Dani, “foi o acabamento com jato de areia e pérola de vidro do motor. Foi o Stefano que o fez, para não stressar ainda mais o Cello. ”

De aí em diante, foi um caso de acabar a Bétisse com o kit de finalização correto. A VTR começou com acessórios da Option 719 da BMW, incluindo pedaleiras, tampas de válvulas e a chapa dianteira do motor. A opção foi o acabamento em liga clara, mas pintaram as tampas do cárter com pretos com algumas linhas e letras contrastantes.

     

Os instrumentos foram dotados dum conjunto de guiadores de MX da Renthal, novos punhos e bombas de travão Magura. A inspiração para o farol veio direta dos anos 60, com uma aparência deliberadamente “feia, de sapo e com uma aparência grande”. Lá atrás, um par de LEDs traseiros Kellermann foram afundados em túneis na parte traseira.

As Scramblers clássicas não eram tão altas como as modernas, de modo que a VTR debateu em detalhe se deveriam ou não elevar a suspensão da R NineT. No final, montaram um novo amortecedor e garfos da Wilbers, com uma elevação adicional de 7 cm em ambas as extremidades.

 

De seguida, adicionaram um toque dos anos 80, um par de aros dourados da Kineo. Estes montam pneus Continental TKC80, medindo 120/70 19 à frente e 170/60 17 atrás. Os toques finais incluem um pequeno para-lama de alumínio feito à mão na frente e estofo de couro no assento do estofador da VTR, Yves Knobel.

Não nos chocou saber que a Bétisse foi vendida a um cliente da casa antes mesmo de estar terminada…

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