Ensaio da Kawasaki Z650 de 2020 – Uma Naked para levar a sério

By on 4 Fevereiro, 2020

Na passada semana deslocámo-nos ao Algarve a convite a Multimoto, importador nacional da Kawasaki, para a apresentação oficial das novas Z650 e Z900 de 2020, dois modelos Naked que partilham conceito e estética e que diferem obviamente na sua potência e desempenho.

No dia dedicado á Kawasaki Z650 tínhamos já ensaiado a Z900 pelo que era quase impossível abstrair-nos dessa experiência anterior e automaticamente realizarmos comparações. Houve por isso que mudar o “chip” e partir de estaca zero na análise que iríamos realizar.

Na apresentação que os responsáveis pela marca em Portugal realizaram sobre o modelo no dia anterior ficou claro o seu posicionamento. A Kawasaki pretende que a sua Z650 seja entendida no mercado como a primeira “moto a sério” para quem vem das 125cc ou das 300cc. Ou seja, que a Z650, pelas suas prestações e desempenho, conforto e agilidade, segurança e facilidade proporcionada pelo pouco peso e pela baixa altura do assento, possa ser considerada como a “moto ideal “ para um universo global, sem discriminação de sexos nem de experiência de condução.

Com essa premissa partimos para o contacto com a nova Z650… e ao observarmos pela primeira vez o modelo de 2020 verificamos de facto algumas novidades. A estética está mais acutilante e agressiva e é óbvio o estilo Sugomi que todas as Naked da Kawasaki exibem, caracterizado pelas linhas mais angulosas do mesmo e as frentes também mais agressivas. E na frente verificamos de imediato um novo farol, composto por 4 elementos e em tudo semelhante ao da Z900, apenas não inclui os pequenos faróis de “luz diurna” embora a tecnologia seja também LED.

Outro elemento que de imediato sobressai é o painel de informação que passa a ser idêntico ao da Z900, um TFT de 10,9 cm, a cores e que permite opção de fundo entre o negro e o branco e que concentra toda a informação necessária. Outra evolução que notamos é no assento que mantém uma altura de 79cm, 5mm abaixo da sua concorrente directa a Yamaha MT-07 e que proporciona uma sensação de segurança acrescida sobretudo em manobras a baixa velocidade.

Finalmente um último pormenor que é a adopção de pneus Dunlop Sportmax RoadSport 2 que têm um comportamento desportivo excelente, com boa aderência em piso seco e molhado e um compromisso equilibrado entre desempenho e longevidade.

Em termos de conforto o assento da versão 2020 inclui agora uma esponja mais confortável e de maior dimensão para o pendura. A posição de condução é bastante confortável e natural, com as peseiras colocadas no lugar certo. É impossível não fazermos comparações entre a Z650 e a Z900 que ensaiámos no dia anterior e aquilo que mais notamos para além obviamente da diferença de potência dos seus motores é a maior vibração do bicilíndrico da Z650 pois a Z900 é toda uma referência nessa matéria. No entanto ao rodarmos o punho na Z650 a fantástica sonoridade do seu escape faz-nos esquecer tudo o resto inclusivamente o facto deste motor ser agora compatível com a mais rigorosa norma Euro 5 em matéria de emissões.

Motor e Transmissão

A potência do bicilíndrico de 648cc mantém-se inalterada nos 68cv às 8.500 rpm e a o binário máximo atinge os 64Nm às 6.700 rpm, revelando potência sempre disponível desde baixas rotações e subindo rapidamente de regime até ao limite das 10.000 rpm. Um motor que nos pareceu bastante redondo e com um bom binário nos baixos regimes, muito semelhante ao motor da MT-07 e apenas penalizado na sua potência máxima em relação a esta.

A caixa funciona na perfeição e quando utilizada em condução mais agressiva quase não necessitamos de utilizar a embraiagem, sendo esta extremamente suave e fácil de acionar nas manobras e na condução em cidade. Pormenor que constatámos no pára arranca nas sessões fotográficas foi o facto de a caixa não permitir arrancar em 2ª ou seja, uma vez a moto em ponto morto não conseguimos engrenar directamente uma 2ª sem passarmos antes pela 1ª… idêntico na Z900.

Ciclística, Quadro, Suspensões e Travões

A suspensão dianteira da Z650 é uma suspensão telescópica tradicional de 41mm, não permitindo ajustes embora a afinação de fábrica seja excelente, a proporcionar uma boa leitura da estrada e com um comportamento a privilegiar o conforto. O amortecedor traseiro permite no entanto o ajuste de pré-carga. Em estrada sinuosa as suspensões demonstraram a sua afinação correcta, mantendo uma neutralidade em curva surpreendente e em conjunto com o quadro garantindo sempre trajectórias limpas assegurando enorme estabilidade do conjunto.

O quadro de trelissa tubular em aço contribui de forma eficiente para o bom desempenho da Z650 garantindo um comportamento sempre previsível do conjunto. O pouco peso ( 188 Kg ) e excelente distribuição de massas em conjunto com uma boa afinação de suspensões garantem uma excelente estabilidade e agilidade em todo o tipo de situações.

A travagem é assegurada por dois discos de 300mm na dianteira com pinças Nissin de 2 pistons e um único disco de 220 com pinça Nissin de um piston na traseira. A mordida é progressiva mas efectiva garantindo total segurança na travagem. O ABS no travão traseiro é na nossa opinião demasiado interventivo embora no travão dianteiro nunca o tenhamos sentido sendo a sua intervenção mais progressiva e menos notória. Os Dunlop RoadSport 2 mostram-se efectivos em curva mas deixaram-nos algumas dúvidas em travagens mais agressivas, provocando algum deslize na roda da frente sem que o ABS tenha tido uma intervenção para minimizar o desequilíbrio numa ou outra travagem mais forte provocada intencionalmente.

Electrónica e equipamento

Neste campo a Z650 conta apenas com o ABS e a ajuda de uma embraiagem deslizante no sentido de evitar o bloqueio da roda traseira nas reduções mais fortes. Aliás passámos a utilizar a caixa nas reduções em vez de utilizarmos o travão traseiro usufruindo do deslizar da embraiagem para conseguirmos maior fluidez da roda traseira nas reduções à entrada das curvas..

O painel TFT a cores permite uma leitura rápida de toda a informação e a possibilidade de emparelhamento com Smartphones através da utilização da aplicação gratuita da Kawasaki “Rideology” que permite acesso a todo o tipo de informação sobre a moto e também gravar percursos e obter no painel informação sobre chamadas e mensagens a entrar.

Conclusão

Nos cerca de 150 kms que realizámos na toma de contacto com a nova Z650 confirmámos o posicionamento estratégico definido pela Kawasaki para o seu modelo, de uma moto versátil em termos do universo dos seus potenciais utilizadores, graças sobretudo a uma altura baixa do seu assento e à facilidade com que a mesma se conduz. A qualidade dos seus acabamentos e materiais é irrepreensível, o seu desempenho com potência sempre disponível desde baixas rotações garante uma condução com conforto acrescido e a sua estética desportiva seduz um target de utilizadores mais jovens e urbanos.

É sem sombra de dúvida uma moto completa e um investimento seguro para quem pretenda subir de escalão e queira ter uma moto à sério por tempo indeterminado e que sempre estará à altura para qualquer desafio, seja em trajectos no dia a dia seja em pequenas viagens de fim de semana com conforto acrescido para levar pendura, seja para fazer uma perninha num qualquer circuito num Trackday para o qual poderá considerar incluir o Pack Performance que a Kawasaki disponibiliza para a sua Z650 e que inclui um escape completo Akrapovic, tampa de baquet que converte o assento em monolugar, proteção de depósito e écran frontal mais alto.

A nova Kawasaki Z650 de 2020 está disponível em 3 cores, branco, preto e verde e tem um PVP de 7.395 euros. As revisões são feitas em intervalos de 12.000 Kms ou uma vez por ano dispensando a primeira revisão aos 1.000 kms.

Características Técnicas

MOTOR

Tipo de motor Bicílindrico, paralelo com refrigeração líquida

Cilindrada 649 cm³

Diâmetro x curso 83 x 60 mm

Rácio de compressão 10.8:1

Sistema de válvulas DOHC, 8 válvulas

Sistema de combustível Injeção de combustível: Ø 36 mm x 2 com válvulas de aceleração duplas

Sistema de arranque Elétrico

Lubrificação Lubrificação forçada, cárter semi húmido

Potência máxima 50.2 kW {68 PS} / 8,000 rpm

Binário máximo 64 N•m {6.5 kgf•m} / 6,700 rpm

Consumo de combustível 4.3 l/100 km

Emissões CO2  107 g/km

Consumo (Kit 35kW) 4.5 l/100 km

Emissões de CO2 (Kit 35kW) 107 g/km

Transmissão 6 velocidades

Transmissão final Corrente selada

Embraiagem Húmida multidisco, manual

CICLÍSTICA

Travões dianteiros Duplo disco semi-flutuante em forma de pétala de 300mm. Pinça de 2 êmbolos

Travões traseiros Disco de 220mm em forma de pétala. Pinça de 1 êmbolo

Suspensão dianteira Suspensão telescópica de 41 mm

Suspensão traseira Back-link horizontal, com afinação de pré carga

Tipo de quadro Treliça, aço de alta resistência

Rasto 100 mm

Curso da roda dianteira 125 mm

Curso da roda traseira 130 mm

Pneu dianteiro 120/70ZR17M/C (58W)

Pneu traseiro 160/60ZR17M/C (69W)

DIMENSÕES

C x L x A 2,055 x 765 x 1,065 mm

Base da roda 1,410 mm

Distância ao solo 130 mm

Altura do assento 790 mm

Capacidade de combustível 15 litros

Peso em ordem de marcha 188 kg

CONCORRÊNCIA

Honda CB650R    649 cc / 95 cv / 202 Kg / 8.050 euros

Suzuki SV650    645 cc /  75 cv / 198 Kg / 6.999 euros

Yamaha MT-07   689 cc / 75 cv / 182 Kg /  6.995 euros

Galeria de Imagens Kawasaki Z650 de 2020

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