Ensaio Ducati Hypermotard 950 SP – “Cavalos Selvagens”

By on 31 Maio, 2019

Esta semana tivemos contacto com uma das motos mais radicais do mercado… a designação “Hypermotard” desde logo impõe respeito e coloca-nos o desafio de percebermos se estamos à altura daquilo que a moto espera de nós. No caso da versão SP da Hypermotard podemos afirmar que a mesma está “hyper” preparada para proporcionar uma pilotagem extrema a qual obviamente não deve ser realizada na via pública, razão pela qual decidimos abordar o Autódromo do Estoril para obtermos autorização do mesmo para testar em segurança a vocação extrema da Hypermotard.

De início e olhando para a ficha técnica da moto podemos achar que os 114 CV de potência não representam um valor “assustador”, sobretudo para quem está habituado a rodar em motos com 200 e mais CV.  No entanto os “cavalos” da Hypermotard têm uma particularidade, não gostam de andar nas “patas da frente” e a qualquer distração fazem questão de as colocar no ar.

Após os primeiros dias a estudar o comportamento “selvagem” e em simultâneo muito divertido da Hypermotard, lá nos dirigimos ao Autódromo do Estoril para perceber o porquê desta designação “Hyper”. Como fazemos questão de devolver o “equipamento” de testes sempre nas mesmas condições em que nos foi entregue, decidimos desafiar um amigo, Paulo Oliveira, fotógrafo profissional, que é também piloto especialista em “stunts”,  para em conjunto podermos sacar o máximo do potencial que uma moto como a Ducati Hypermotard tem para dar…

O Autódromo estava integralmente à nossa disposição, pois nesse dia não decorria qualquer evento, pelo que agradecemos desde já à sua direção que nos permitiu realizar esta prova na total segurança do seu espaço. Com o dia quente o grip estava garantido mas sem mantas para se aquecerem os pneus e ganhar um pouco mais de aderência, a solução foi começar por “burnout” e partir de seguida para manobras mais radicais…

Seguiram-se todo tipo de “acrobacias” entre cavalos e éguas e mais uma série “animais” dos quais nem conheço o nome… a Hypermotard sempre que parava para abastecer água no sequioso piloto, vinha de sorriso estampado no farol… como que a dizer “só tens isso para dar” ??? Como não podemos aceitar provocações com o risco de eventualmente o “animal” nos fazer saltar da sua “garupa” e “desembestar” sozinho por aí a fora, fomos impondo a calma e a necessidade de mantermos o ensaio dentro de alguns limites de segurança…

A manhã porém foi inteiramente passada num desassossego pois a SP estava sempre a pedir mais… acabámos por chegar perto da exaustão enquanto que a “vermelhinha” continuava a mostrar-se pronta para outra. Fica para uma próxima oportunidade…

Bom depois de todo este exercício há que tirar conclusões. De facto a versão SP da Hypermotard, que este ano passou a designar-se 950 mas mantendo os 937cc de cilindrada, vem com uma série de componentes de topo em relação à versão standard… o mais evidente é a decoração bicolor no típico branco e vermelho Ducati que resulta fantástico e que ressalta a faceta hyperdesportiva do modelo. Depois temos travões Brembo, jantes Marchesini e suspensões Ohlins, à frente e atrás, totalmente reguláveis em vez das Marzochi da versão normal. Finalmente podemos verificar que uma série dos seus componentes são agora de carbono em vez da fibra que monta na versão normal e que acabam por resultar num menor peso total do conjunto. Faltava a ponteira Termignoni que na minha opinião deveria vir de origem mas que é um opcional. Outro melhoramento técnico na versão SP é o facto de montar “quickshift” nos dois sentidos enquanto que na versão standard é opcional.

O motor é o conhecido Testastretta de 937cc que debita 114CV às 9.000rpm e atinge um binário máximo de 96Nm às 7.250 rpm embora 80% do binário esteja logo disponível às 3.000 rpm o que faz com que a Hypermotard suba de regime muito facilmente e quando atinge as 5.000 rpm dispara, ao ponto de em 4ª levantar a roda só com o rodar do punho. O sistema ride-by-wire responde de imediato e de forma directa mas doseável o que permite um grande controle na aceleração.

As ponteiras de escape embora não sejam as especiais da Termignoni emitem um som grave e cheio que nos leva a querer ouvi-lo sempre que rodamos mais devagar entre o transito da cidade. Aquele toque de acelerador para reduzir emite um som sempre mágico… se esteticamente as ponteiras podem destoar do restante setup da versão SP em som obtêm pontuação máxima. Mas ficamos com curiosidade de ver como soa a versão com escape integral da Termignoni pois o mesmo garante mais uns quantos Cvs de potência à moto.

Versão Hypermotard SP com escape integral 2 em 1 da Termignoni

A posição de condução é típica supermotard, guiador quase plano a colocar-nos sobre a frente da moto de forma agressiva e o assento alto, quase à altura de uma moto de cross preparada para supermotard… a sensação é exactamente essa pois o quadro e assento são também estreitos na zona onde nos sentamos aumentando a sensação de que estamos numa moto de menor cilindrada.

O quadro de trelissa pintado na cor vermelha faz sobressair a sua estrutura de tubos típico das Ducati e o sub-quadro acompanha o desenho do quadro principal mas com acabamento em cor diferente. As suspensões dianteiras Ohlins de 48mm são obviamente um luxo que é bem vindo e que colocam esta versão SP num patamar acima da versão normal aumentando inclusivamente o curso para os 185mm e a altura da moto para os 890mm, ou seja, mais 20mm que a versão normal.

O comportamento das suspensões é excelente embora nos cavalos notássemos algo de falta de afinação no “rebound” na extensão pois o amortecimento era excelente mas a extensão fazia-se demasiado rápida… como não levámos ferramenta para os ajustes ficou-nos a faltar essa afinação ótima. Os pneus Pirelli Diablo Supercorsa dispensam apresentação e são um escalão acima dos Diablo Rosso que monta a versão normal.

O que podemos dizer sobre a pilotagem e o comportamento geral da Hypermotard ??? Curvas e contra-curvas, entrada para as curvas em cima dos travões, aceleração à saída das mesmas, enfim um comportamento de excelência em qualquer situação, proporcionando uma condução extremamente divertida, ajudada com mais ou menos electrónica dependendo das situações e da agressividade da pilotagem. Os cavalos saem de forma natural e sem esforço com apenas o rodar do punho e totalmente controlados, de tal forma que até parecemos melhores pilotos.

Electronicamente falando a Ducati já nos habituou ao que mais sofisticado existe nesta matéria. Assim a Hypermotard conta com um IMU ( Unidade de Medição de Inércia ) de 6 eixos e 3 modos de condução, Sport ( onde rodámos quase sempre ) Touring e Urban, que podem ser alterados em andamento sempre e quando fechemos o punho do acelerador. Cada modo inclui um setting específico de entrega de potência, de intervenção do ABS, do Controle de Tração, e do controle de Cavalinhos… podendo ser no entanto personalizados. O controle de tração e o controle de cavalinhos têm ambos 8 níveis possíveis selecionar mais o modo Off. O ABS tem apenas 3 níveis possíveis para além de incluir a função de ABS em curva. A potência do motor é máxima nos modos Sport e Road e no modo Urban baixa para os 75 CV, realidade que poderá eventualmente ser também aconselhada para piso escorregadio em dias de chuva. Toda a informação tem leitura facilitada no painel TFT a cores que a Hypermotard herda da Panigale e a navegação é intuitiva e de fácil manuseamento.

Depois de testarmos agressivamente a Hypermotard passámos para um regime mais soft, tentando domar a “fera” e rodar de uma forma mais civilizada nos dias que se seguiram, sobretudo para conhecermos o lado mais “dócil” da Hypermotard e sabermos se a mesma tem uma faceta mais polivalente para que possa ter uma utilização diária. Ou seja, se a Ducati Hypermotard 950 SP é uma moto de capricho, que a temos como segunda moto, entre a moto de enduro e aquela mais estradista ou se a podemos considerar como uma moto para todos os dias.

Na nossa opinião como moto para todos os dias é capaz de não fazer muito sentido, sobretudo porque nos vamos sentir sempre atraídos pelo seu lado selvagem que nos impele a explorar todo o seu “Hyper” potencial. Achamos por isso que a Hypermotard é uma moto extraordinária, equipada com tudo do melhor para ao fim de semana fazer os outros passarem vergonhas e roerem-se de inveja e até mesmo para fazer um pézinho num ou outro trackday, muitos vão ficar surpreendidos com o seu desempenho em pista.

De estética deslumbrante, com acabamentos excepcionais e electrónica de topo a Ducati Hypermotard SP tem um preço também algo especial, perfeitamente justificado pela qualidade dos seus componentes, de 16.295 euros ou seja mais 3.000 euros que versão normal, diferença perfeitamente justificável considerando os elementos premium que monta, jantes Marchesini, suspensões Ohlins, travões Brembo, Quick Shift bidirecional, elementos em carbono e pintura especial.

 

Ficha Técnica ( Ver AQUI também )

Comparativo Hypermotard SP versus versão standard

Motor

Combustível = Gasolina
Tipo de motor = Bicilíndrico em L, Testastretta 11º,

4 válvulas por cilindro, refrigeração líquida
Cilindrada = 937 cm3
Potência = 114 cv
Rotação da potencia maxima = 9000 rpm
Binário = 96 nm
Rotação do binario maximo = 7250 rpm
Nº de cilindros = 2
Disposição = L
Distribuição = desmodrómica
Valvulas por cilindro = 4
Alimentação = Injeção eletrónica com corpos de 53 mm; Full Ride by Wire
Refrigeração = Líquida
Diametro X Curso = 94 x 67.5
Taxa Compressão = 13.1:1

 

Transmissão

Embraiagem = Multidisco em banho de óleo de acionamento hidráulico; servo-assistida e deslizante
Numero Velocidades = 6

 

Quadro

Tipo de quadro = Treliça em tubos de aço
Angulo coluna direcção = 25 º

 

Suspensões

Suspensão dianteira = Forquilha invertida Öhlins com bainhas de 48 mm, totalmente regulável
Curso dianteiro = 185 mm
Regulações dianteiras = Sim
Suspensão traseira = Amortecedor progressivo Öhlins totalmente regulável; monobraço em alumínio
Curso traseiro = 175 mm
Regulações traseiras = Sim

 

Travões

ABS = Sim
Travões dianteiros = Duplo disco
Diametro discos dianteiros = 320 mm
Pinças dianteiras = 4 êmbolos
Travões traseiros = Disco
Diametro discos traseiros = 245 mm
Pinças traseiras = 2 êmbolos

 

Rodas/Pneus

Roda Dianteira = Marchesini forjada, com 3 braços em W; 3.50” x 17”
Diametro da jante dianteira = 17 ”
Medida pneu dianteiro = 120/70-ZR 17
Roda Traseira = Marchesini forjada, com 3 braços em W; 5.50” x 17′
Diametro da jante traseira = 17 ”
Medida pneu traseiro = 180/55 ZR17

 

Equipamento

Outros = Equipamento de série: Power Modes, Day Time Running Light (DRL), Ducati Quick Shift (DQS) up/down, jantes forjadas Marchesini, guiador em alumínio de secção variável, poisa-pés do passageiro removíveis, entrada USB, componentes em fibra de carbono, suspensões Öhlins em ambos os trens

 

Dimensões

Distância entre eixos = 1498 mm
Altura do assento = 890 mm
Capacidade do deposito = 14.5 L
Trail = 104 mm
Peso a seco = 176 kg
Peso em marcha = 178 kg

 

Preço

PVP = 16295 €

 

 Concorrência

Aprilia Dorsoduro 900   896cc / 95 CV / n.d. Kg / 10.373 euros

KTM 790 Duke   799cc / 105 CV / 169 Kg / 11.451 euros

MV Agusta Brutale 800  798cc / 116 CV / 175 Kg / 14.490 euros

 

Galeria de Imagens

 

 

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