ENSAIO HARLEY-DAVIDSON LOW RIDER S – A TRADIÇÃO RENOVADA

By on 20 Março, 2020

O conceito Low-Rider marcou definitivamente a história da Harley-Davidson desde que em 1977 a marca lançou o modelo FXS Low Rider. Desde então uma legião de fãs abraçou o conceito e sempre reivindicou junto da marca a sua manutenção. A FXS Low Rider de 77 foi a primeira a introduzir jantes de liga, 2 travões de disco e mantinha os dois amortecedores na suspensão traseira.

No início da década dos 90 a Harley Davidson introduziu a gama Dyna e a Low Rider passou a designar-se por FXDL mantendo a tradição e o legado do modelo dos anos 70.  Mais à frente, com a introdução em 2017 da nova plataforma das Softtail, os puristas da marca e fãs mais conservadores da verdadeira Low Rider não se reviam na nova proposta da marca e apesar da Softail ser um modelo muito mais evoluído em todos os aspectos mantinham-se fiéis à plataforma Low Rider anterior procurando inclusivamente adquirir os antigos modelos, o que do ponto de vista comercial afectava as vendas da marca e a sua imagem.

Consciente desse potencial e sensibilidade de um determinado segmento de clientes Harley a marca decidiu investir para 2020 num modelo que pudesse recuperar o estilo Low Rider mas sem retroceder em determinados avanços tecnológicos. Surgiu por isso a nova Low Rider S que recupera o espírito dos anos 70/80 e propõe um visual mais agressivo e moderno com a  introdução de uma série de componentes exclusivos e um acabamento escurecido na maioria dos seus componentes.

O primeiro que há que fazer referência é precisamente o seu motor, mais potente com maior binário, o Milwaukee Eight 114 de 1868 cc, debita um binário máximo de 155 Nm às 3.000 rpm. Os técnicos da H-D souberam dotar o novo motor 114 de eixos de equilíbrio interno que permitem minimizar vibrações e suavizar o seu funcionamento numa faixa alargada de regimes. Com binário disponível mesmo abaixo das 2.000 rpm a Low Rider S proporciona um rodar fluido sem termos que utilizar demasiado a caixa de velocidades. Caixa que conta com 6 velocidades, precisa e bastante silenciosa sobretudo nas 4 mudanças mais altas. O acionamento da embraiagem não exige demasiado esforço o que represente um extra de comodidade na condução em cidade.

A ciclística define um simbiose perfeita de estilos que podemos classificar de Softail/Low Rider, com um quadro que segue as linhas clássicas das actuais Softail, mais leve e reforçado e com o a típica configuração que simula o estilo Hardtail, com o amortecedor traseiro escondido debaixo do assento.

Na direção a H-D introduziu um angulo de rake de 28º mais fechado do que os habituais 30º das suas Softail , com o objectivo de dotar a Low Rider S de maior manobrabilidade. Confirmámos essa realidade no ensaio que levámos a cabo, com a direção a mostrar no entanto alguma tendência para sobrevirar e a obrigar a uma ligeira compensação contrariando a mesma com uma ligeira pressão no guiado no lado para onde curvamos. Nada de especial e habitual em motos de este peso.

A nível das suspensões a Low Rider S conta com suspensões invertidas da Showa de 43mm na dianteira e mono-amortecedor Showa, ( estilo Monoshock simulando uma Hardtail ) este com a possibilidade de ajuste em pré-caga fácil de realizar.  As jantes de liga são belíssimas com acabamento negro bronze, de 19” na dianteira e 16” na traseira e montam pneus Michelin Scorcher. Os travões contam com 2 discos dianteiros de 300mm com pinças Nissin de 4 pistons e um disco de 300mm traseiro com pinça Nissin de 2 pistons., ambos assistidos por ABS.

Os acabamentos da nova Low Rider S revelam a intenção da H-D em dotar este modelo de uma imagem de exclusividade quase como se viesse customizada de fábrica, onde se destaca o acabamento em negro da maioria dos seus componentes. O motor Milwaukee Eight 114, as suas tampas laterais e a consola no topo do depósito de combustível, onde se encontram os manómetros, tem um acabamento negro martelado. Os dois escapes e coletores e respectivas proteções tem um acabamento em negro semi-mate, acetinado.

A suspensão, as mesas de suspensão, o guiador e respectivos apoios e o apoio do guarda-lamas traseiro têm acabamento em negro fosco/mate. Os restantes elementos, o depósito, os guarda-lamas e a cúpula do farol dianteiro têm acabamento negro brilhante.  Apenas as aletas do motor com acabamento na sua cor de metal original sobressaem do look rebelde escurecido da Low Rider S e temos que admitir que o efeito é impactante.

A nível da informação disponível nos dois manómetros analógicos situados no topo do depósito temos no primeiro o Velocímetro e no segundo o conta rotações. Ambos incluem no seu interior pequenos painéis digitais com a restante informação; Kms totais e parciais, nível de combustível do depósito, luz avisadora de nível de combustível baixo e de ponto morto, pressão do óleo , carga da bateria.  Faróis LED á frente  e atrás e piscas incluídos.

A posição de condução é algo desportiva na Low Rider S, com a pernas fletidas pela altura e colocação das peseiras que, em conjugação com o guiador do tipo Flat bar, obriga a uma posição fechada sobre o depósito e inclinada sobre a frente. A posição é invulgar e obriga a alguma habituação, compensada pelo bom apoio do assento monolugar bastante confortável. A colocação das peseiras numa posição alta permite um grau de inclinação extra para curvar e a Low Rider mostrou que a sua ciclística, sobretudo ao nível da geometria do quadro e das suspensões,  está também à altura deste desafio, colocar uma Cruiser a curvar quase como uma desportiva.

Já a rodar de forma mais descontraída, depois do primeiro dia de adaptação, gostámos da entrega de potência do motor e da sua suavidade, da ausência de vibrações desde os regimes mais baixos e apenas a mostrar algo mais habitual sentirmos numa Harley já perto do red line às 5.000 rpm. Gostámos do tacto do travão dianteiro e da efectividade da sua travagem e raramente utilizámos o travão traseiro. Notámos algum calor excessivo em cidade que irradiava dos colectores de escape do lado direito, o que não deixa de ser normal. Gostámos bastante da sonoridade dos escapes a marcar a presença do potente motor Milwaukee Eight 114.  Pormenor curioso as luzes que avisam os intermitentes, que para comodidade nossa desligam automaticamente, situam-se num painel, à primeira vista opaco, que reveste a parte posterior da cúpula do farol dianteiro.

Apenas dois pormenores negativos na nossa avaliação; o primeiro, a difícil leitura da informação nos manómetros situados em cima do depósito de combustível, quer pela posição de condução sobre o mesmo quer pelo facto de os vidros não serem anti-reflexo. Finalmente o local de colocação da matrícula no topo do guarda-lamas traseiro penaliza a belíssima estética da Low rider S.

A Harley-Davidson Low Rider S pesa 295 Kg, o seu depósito de combustível comporta 18,5 litros de gasolina, o que lhe dá uma autonomia de cerca de 250 kms, e está disponível em duas cores: VIVID BLACK ( a versão ensaiada ) e BARRACUDA SILVER. O seu PVP base é de 20.500 eur

Ficha Técnica ( Ficha completa Aqui )

MY20 FXLRS. Low Rider S. Softail.

Motorização

Combustível = Gasolina
Tipo de motor = Milwaukee-Eight® 114
Cilindrada = 1868 cm3
Binário = 155 nm
Rotação do binario maximo = 3000 rpm
Alimentação = Injecção de combustível de porta sequencial electrónica (Electronic Sequential Port Fuel Injection – ESPFI)
Diametro X Curso = 102 x 114
Taxa Compressão = 10,5:1

Transmissão

Transmissão = Corrente, rácio de 34/46
Numero Velocidades = 6

Quadro

Angulo coluna direcção = 28 º

Travões

Travões dianteiros = Disco 2x300mm
Pinças dianteiras = 4 êmbolos
Travões traseiros = Disco 298mm pinça flutuante
Pinças traseiras = 2 êmbolos

Rodas/Pneus

Roda Dianteira = Jantes liga
Diametro da jante dianteira = 19 “
Medida pneu dianteiro = 110/90 B19 Michelin Scorcher
Roda Traseira = Jante liga
Diametro da jante traseira = 16 “
Medida pneu traseiro = 180/70 B16 Michelin Scorcher

Consumos

Consumo = 5.6 L/100km
Emissões CO2 = 129 g/km

Dimensões

Comprimento = 2355 mm
Distância entre eixos = 1615 mm
Altura do assento = 690 mm
Distancia ao solo = 120 mm
Capacidade do deposito = 18.9 L
Trail = 145 mm
Peso a seco = 295 kg
Peso em marcha = 308 kg

Concorrência

Indian Chief Dark Horse   1811 cc / n.d. cv / 151 Nm / 341 kg / 22.290 eur

Moto Guzzi  Eldorado    1380 cc / 96 cv / 120 Nm / 314 Kg / 19.838 eur

Triumph Rocket 3 R    2458 cc / 165 cv / 220.9 Nm / 290 Kg / 21.900 eur

Galeria de Imagens

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