Ensaio Mondial Pagani 125 – Uma desportiva clássica de design exclusivo

By on 17 Outubro, 2019

A Mondial Pagani 125 , uma desportiva de estilo clássico desenhada de forma soberba, constitui no universo das motos desportivas de 125cc uma referência  estética única. O sua apresentação marcou o Salão de Milão EICMA 2018 e reforçou a trajectória da marca Mondial, renascida em 2015 com o lançamento do seu modelo HPS 125, uma naked de estilo também neo-clássico, que tal como a Pagani, marcou o posicionamento estratégico com que os investidores no renascimento da marca FB Mondial pretendem atacar o mercado, no segmento das motos Neo-Clássicas.

A designação “Pagani” , com que a FB Mondial decidiu batizar a sua nova desportiva de 125cc, está relacionada com um feito histórico da marca  quando o piloto italiano Nello Pagani em 1948 competia no Campeonato do Mundo de Velocidade com uma Mondial, tendo em 1949 conseguido o título de campeão do mundo.

Sem dúvida que aquilo que mais chama a atenção na Pagani é o impacto do seu estilo neo-clássico e a sua decoração em simultâneo exuberante e desportiva. O toque exclusivo dos designers italianos  está bem patente nas linhas da Pagani e a moto não deixa ninguém indiferente por onde quer que passe. Especial destaque para alguns elementos que definem o toque de exclusividade do modelo são a carenagem com aberturas verticais de refrigeração muito ao estilo dos carros clássicos desportivos, a cúpula fumada de linhas clássicas conjugada com a carenagem ao estilo das motos desportivas dos anos 40 com o farolim dianteiro protegido também ele por elemento acrílico que extende as linhas da carenagem, contribuindo para a fluidez aerodinâmica do modelo. Também o assento tem um desenho desportivo clássico e integra uma pequena cúpula no lugar do pendura que o transforma em monolugar. A decoração clássica em tons azuis e cinza, cores emblemáticas das antigas desportivas da Mondial, está executada de forma soberba e reforça o carácter desportivo do modelo. Finalmente a duas ponteiras de escape cromadas colocadas numa posição elevada lateral reforçam o look neo-clássico da Pagani e o seu cariz desportivo.

Com uma posição de condução desportiva, sem ser demasiado radical, graças aos avanços colocados numa posição alta. A posição desportiva é em simultâneo direita e confortável graças a uma altura de apenas 77,5 cm do assento, permitindo optar pela melhor posição de condução em função de um regime mais desportivo e deitado sobre o depósito ou mais descontraído e levantado permitindo uma maior visibilidade à nossa frente quando circulamos por exemplo em cidade e onde a Pagani demonstrou uma enorme fluidez entre o tráfico urbano, com uma agilidade surpreendente e uma enorme facilidade em manobrar.

Com suspensões invertidas de 41mm na dianteira e amortecedores duplos de depósito acoplado, a Pagani demonstrou possuir uma boa leitura da estrada, sobretudo em percursos em bom estado, não afundando demasiado em travagens e absorvendo de forma aceitável as irregularidades do piso não demasiado degradado, mostrando alguma limitação consequência do curso de apenas 90mm da sua suspensão dianteira.

 Os travões são efectivos com um disco de 300mm na frente e pinça de 4 pistons embora o seu tacto seja algo “esponjoso”. O facto da manete do travão não ser regulável na sua distância ao guiador mantinha a nossa mão demasiado aberta e dificultava o dosear da pressão de travagem. O acesso ao pedal do travão traseiro está ligeiramente afectado pela posição lateral dos escapes e pela posição encolhida das nossa pernas, no entanto a sua actuação é efectiva e o ABS não demasiado interventivo.

O motor da Pagani é produzido pela Piaggio, é um 125cc de arrefecimento líquido que debita 15 CV às 9.750 rpm e um binário máximo de 12,3 Nm às 7.500 rpm.  Abaixo das 4.000 rpm o motor mostrou-se algo preguiçoso, com pouco binário nos regimes mais baixos, começando a mostrar maior vitalidade a partir das 6.000 rpm e mostrar a partir das 8.000 rpm e até ao corte de ignição às 11.000 rpm toda a sua vitalidade, tornando a Pagani muito divertida de conduzir, atingindo uma velocidade máxima de 120 Km/h.

A caixa parece bem escalonada e o facto das mudanças mais baixas serem mais curtas compensa em parte a falta de “vitalidade” do motor nos baixos regimes. A caixa de 6 velocidades é bastante precisa e silenciosa e a embraiagem fácil de acionar embora, tal como a manete do travão, se encontre algo longe do guiador obrigando a uma abertura de mão excessiva para acionarmos. Manetes reguláveis ajudariam bastante a superar este problema.

Com jantes de 17” tanto na dianteira como na traseira e pneus de piso de estrada com 110/80-17” na dianteira e um 140/70-17” na traseira a Pagani, com apenas 130 Kg de peso, demonstrou uma excelente estabilidade em curva, tornando a sua condução muito divertida, mostrando em simultâneo precisão e efectividade nas travagens apenas sentindo falta da possibilidade de ajuste da manete do travão.

O depósito de combustível tem capacidade para apenas 9,5 litros de gasolina o que se considerarmos um consumo médio perto dos 4litros aos 100 kms teremos uma autonomia ligeiramente acima dos 200 Kms o que representa alguma limitação na sua utilização. No entanto sendo a Pagani uma moto essencialmente desportiva e urbana podemos considerar que uma autonomia de 200 Kms é mais do que suficiente. A Mondial Pagani não será uma moto para viajar e mesmo para circular com um eventual pendura obrigará a este a algum sacrifício dado o espaço no assento sem a cúpula ser algo limitado e a ter que se agarrar a quem vá a pilotar o que para um público jovem isso não constituirá certamente um impedimento.

A Mondial Pagani é uma moto belíssima e muito divertida de pilotar. Ágil e desportiva, garantindo boas sensações numa pilotagem mais agressiva, com um motor que convida a rodar nos regimes mais altos, onde se encontra o seu maior potencial .  Num estilo intemporal revivalista e marcado pelas suas linhas neo-clássicas, muito na moda, a Mondial Pagani deixa a sua marca por onde quer que passe, despertando emoções e admiração. Se és jovem e queres passar a ser o alvo de todas as atenções no teu bairro, no café ou à noite no bar ou discoteca onde costumas ir e ainda por cima divertires-te com a condução da mesma então a Mondial Pagani é a tua moto. Com um PVP de 3.995 ( n/ inc . documentação ) a Mondial Pagani 125, dada a exclusividade e originalidade do modelo, face a uma concorrência no segmento das motos desportivas de 125cc, de linhas mais contemporâneas, representa de facto uma opção mais do que válida.

Está disponível em duas opções cromáticas, a opção “Gun Barrel/Blue “ ( a unidade testada) e a opção Gun Barrel/Red.

Características Técnicas ( AQUI )

Tipo de motor  Monocilíndrico, 4 tempos, DOHC 4 válvulas
Cilindrada  124.2 cm3
Potência  14.75 cv às 9750 rpm
Binário
12.13 Nm às7500 rpm
Nº de cilindros
 1
Distribuição
 DOHC
Ciclo
 4
Valvulas por cilindro
 4
Alimentação
 Injecção electrónica
Refrigeração
 Líquida
Diametro X Curso
 58 x 47
Sistema de arranque
 Eléctrico
Taxa Compressão
 12.6:1

Transmissão  Corrente
Numero Velocidades
 6

Suspensão dianteira  Forquilha invertida de 41 mm
Curso dianteiro
 90 mm
Suspensão traseira
 Duplo amortecedor
Curso traseiro
 120 mm

Travões dianteiros  Discode 300 mm
Pinças dianteiras
 4 êmbolos
Travões traseiros  
Disco de 220 mm
Pinças traseiras
1 êmbolo

Diametro da jante dianteira  17 “
Medida pneu dianteiro  100/80-17
Diametro da jante traseira  17 “
Medida pneu traseiro  140/70-17

Comprimento  1980 mm
Largura  650 mm
Altura  1050 mm
Distância entre eixos  1370 mm
Altura do assento 775 mm
Distancia ao solo 145 mm
Capacidade do deposito
 9 L
Peso a seco  130 kg

Concorrência

KTM RC 125    125cc / 15,2 CV / 135 Kg / 5.098 eur
Suzuki GSX-R 125 A  125cc / n.d. CV / 134 Kg / 4.499 eur
Yamaha YZF-R 125  125cc / 15 CV /  138 Kg / 5.325 eur

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