ENSAIO SUZUKI V-STROM 250 – O início de uma Aventura em Duas Rodas

By on 4 Janeiro, 2020

As motos Adventure estão na moda e este segmento de mercado nunca teve uma oferta tão vasta como aquela que constatamos aos dias de hoje. O sonho de uma aventura sem limites e dos horizontes longínquos que nos prometem experiências únicas e gratificantes, de liberdade e de rotura com o quotidiano, despertam a vontade de partir.

Mas tudo pode não passar de uma perfeita ilusão e vemos muitas decisões terminarem apenas em frustração por se ter decidido dar um passo maior que a perna. Muitas são por isso as motos Adventure de grande cilindrada que começam e terminam a sua aventura sem nunca pisar terreno fora de estrada… Porquê ? Porque os seus proprietários embarcaram numa “viagem” para a qual não estavam preparados.

A técnica de condução offroad é por isso indispensável e adquiri-la numa moto de grande cilindrada e de peso a condizer torna certamente o processo mais lento e difícil podendo deixar o mais determinado dos entusiastas pelo caminho.

Colocada a questão e para que possamos eliminar o tema da potencial frustração, talvez seja prudente o apostarmos numa moto mais versátil e manobrável, que igualmente carregue consigo o espírito da aventura, mas que seja mais honesta e mais de acordo com o nível de experiência que carregamos para assim podermos evoluir de forma mais segura e garantida.

É neste contexto que surge a Suzuki V-Strom 250, uma moto que se posiciona no segmento Adventure, de acordo com a própria marca, mas cujas características revelam duplicidade na sua utilização, ou seja, versatibilidade para garantir uma utilização no dia a dia e em simultâneo permitir incursões fora de estrada.

A versão que testámos montava inclusivamente um kit “Adventure”, realidade que provém de uma campanha que decorre com este modelo e que inclui : Top-Case rígido em alumínio, proteções laterais de motor e carenagens, proteções de mãos e faróis auxiliares de tecnologia LED… um pacote de acessórios que vale cerca de 500 euros  e que no conjunto com a V-Strom 250, na actual promoção apenas supera os 5.000 euros de PVP.

Perante uma proposta tão aliciante quisemos conhecer o verdadeiro potencial da pequena V-Strom e perceber se se insere no contexto de moto “de iniciação” e vir a permitir futuras aventuras de outra dimensão. Assim, com o apoio do importador da marca, a Moteo, decidimos colocar à prova a pequena aventureira.

ESTILO

O primeiro que salta à vista é obviamente a sua estética e estilo, marcadamente Adventure, carregando nas sua linhas o DNA das suas irmãs maiores, a V-Strom 650 e a nova V-Strom 1050, mas também da incontornável DR Big dos anos 80.

Em destaque constatamos a opção de um farol redondo na dianteira, um toque algo clássico mas de belo efeito estético e que se identifica com o estilo mais offroad, compensado por um farol traseiro  mais moderno de tecnologia LED. O Kit “Adventure” montado na versão base da V-Strom 250 reforça a sua imagem de polivalência e o seu potencial de moto de características Dual-Sport.

O assento bastante confortável, com uma ampla superfície também para o pendura, tem um perfil baixo na frente de forma a garantir que chegamos perfeitamente com os pés ao chão, realidade que reforça a nossa confiança, muito importante para quem tenha pouca experiência. A posição é também bastante natural e direita, com o guiador algo mais fechado e talvez mais adequado para uma condução em estrada. As peseiras são algo estreitas e também mais adequadas para estrada não favorecendo, pela sua dimensão, a condução de pé em offroad.

MOTOR

Os 250cc com 25 CV do bicilíndrico paralelo, a 4 tempos e de refrigeração líquida da V-Strom, tem uma entrega de binário muito satisfatória, desde baixas rotações, subindo de forma enérgica até ao seu limite às 10.500 rpm onde actua o corte de ignição, atingindo sem esforço, nem demasiada vibração, os 135 Km/h. Uma caixa bem escalonada garante passagens de caixa precisas, subidas de regime rápidas e reduções seguras.

SUSPENSÕES e TRAVÕES

O comportamento das suspensões está acima da média do segmento e embora apenas o amortecedor traseiro seja ajustável em pré-carga as afinações de origem e a qualidade do comportamento de ambas suspensões, dianteira e traseira, consideramos bastante positivo, não afundando demasiado em travagens mais vigorosas e absorvendo as imperfeições de mau piso em estrada, apresentando um comportamento também eficiente em fora de estrada apesar do seu curso limitado.

A travagem revelou bom tacto e progressividade e apenas o facto de o ABS não ser desligável penaliza uma condução OffRoad mais agressiva. A V-Strom monta jantes de liga de 17” à frente e atrás e pneus mais vocacionados para estrada pelo que também neste aspecto sai penalizada na condução offroad, no entanto nas incursões soft que realizámos fora de estrada o seu desempenho foi surpreendente, graças sobretudo à progressividade do seu motor e ao bom trabalho das suspensões, permitindo rodar confortavelmente e de forma segura por uma série de estradões, superando com facilidade muitas das irregularidades que fomos encontrando pelo caminho.

EQUIPAMENTO

Nesta versão “kitada” beneficiámos obviamente de uma série de acessórios incluídos como seja a Top Case e as bem-vindas proteções de mãos e proteções laterais. A V-Strom 250 monta de origem uma excelente proteção de cárter, bastante envolvente considerando que se trata de uma moto mais vocacionada para uma utilização estradista e vem preparada para que possa ser montado um descanso central ( realidade que pensamos poderia ser incluída de origem embora muitas das motos Adventure de maior cilindrada também não o incluam ).

O painel de informação é simples mas contém toda a informação necessária, inclusivamente nível de combustível.  Em termos de autonomia a V-Strom 250 é toda iuma referência pois monta um depósito de combustível de 17,3 litros o que tendo em conta consumos abaixo dos 4 litros lhe confere uma autonomia  acima dos 450 Kms. Na frente encontramos ainda um pequeno écran, não regulável, que protege essencialmente a instrumentação e que elimina parte do impacto frontal do ar no nosso tronco

CONCLUSÃO

A Suzuki V-Strom pelas suas características gerais é uma moto extremamente fácil de conduzir, versátil e manobrável, confortável e segura. Uma verdadeira Dual-Sport para uma utilização diária que permite aventurar-nos em qualquer momento por um qualquer caminho de forma segura e tranquila.  Pensamos que a Suzuki poderia ter ido um pouco mais além e tornado a sua pequena Adventure ainda mais polivalente garantindo um pouco mais de desempenho fora de estrada com a simples adopção de uma roda dianteira de 19”, não necessariamente raiada para poder manter o preço final baixo, e incluir pneus mistos de origem já que aqueles que monta são estritamente de estrada. A possibilidade de desligar o ABS seria também bem-vinda tornando a V-Strom 250 numa Aventureira sem limites. 

A Suzuki V-Strom 250 está disponível nas cores “Cool Yellow” e “ Nebular Black” e tem neste momento um PVP de Campanha que inclui o referido Kit Adventure de 5.199 eur ( PVP Normal 5.799 eur )

FICHA TÉCNICA

Motor
Tipo 4 tempos, refrigeração liquida, SOHC
Número de cilindros 2
Diâmetro 53,5 mm
Curso 55,2 mm
Cilindrada 248 cc
CO2 72 g/km
Consumo de combustível 3.2 L/100 km
Caixa de velocidades
Transmissão 6 velocidades
Chassis
Suspensão dianteira Forquilha Telescópica Hidráulica
Suspensão traseira Mono-amortecedor
Travão dianteiro Disco
Travão traseiro Disco
Pneu dianteiro 110/80-17M/C 57H tubeless
Pneu traseiro 140/70-17M/C 66H tubeless
Dimensões, peso e capacidade
Comprimento 2150 mm
Largura 790 mm
Altura 1295 mm
Distância entre eixos 1425 mm
Distância ao solo 160 mm
Altura do assento 800 mm
Peso total 188 kg
Depósito de combustível 17,3 L

Concorrência

Honda CRF 250 Rally      250cc / 23,1 CV / 157 Kg / 6.100 eur

Kawasaki Versys X-300   299cc / 40 CV / 175 Kg / 6.850 eur

Royal Enfield Himalayan   411cc / 24,5 CV / 185Kg /  4.645 eur

Galeria de imagens Suzuki V-Strom 250 de 2020

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