Ensaio Triumph Scrambler 1200 XE de 2019 – Uma “Neo Classic Adventure Naked” ?

By on 3 Abril, 2019

Desde que foi apresentada pela primeira vez no final de 2018 e que pudemos vê-la fisicamente no Salão EICMA em Milão que ansiávamos pela experiência agora proporcionada pela Triumph Portugal: Podermos testar a nova e magnífica Triumph Scrambler 1200.

A versão que nos foi disponibilizada foi a XE e que difere da versão XC em várias realidades para além do mais evidente curso de suspensões. O “E” da versão XE quer dizer Extreme e por isso esta Scrambler 1200 é aquela que vem mais preparada para uma condução fora de estrada.

Aquilo que primeiro nos ocorreu foi tentar definir o tipo de segmento onde a nova Scrambler 1200 se poderia encaixar. Se por um lado, dadas as suas características On/Off, a podemos considerar como uma Adventure, por outro lado a falta de proteção aerodinâmica poderá também conotá-la com uma Naked. Pelo seu estilo “Scrambler” podemos ainda classificá-la com uma moto “Neo Clássica” ou clássica moderna. Definitivamente podemos concluir tratar-se de um conceito totalmente novo e que poderá ser definido como “Neo Classic Adventure Naked Bike” certo ? Depois da oportunidade que tivemos de a testar a denominação passou a fazer ainda mais sentido.

A Triumph Scrambler 1200 marca por isso um novo segmento de motos, de linhas clássicas vintage, mas que se podem equiparar pelas suas qualidades dinâmicas a motos Adventure e inclusivamente competir com as próprias Tiger nesse segmento de mercado. Mas lugar para dúvida aquilo que mais marca as novas Scrambler 1200 é o seu estilo, quer pela sua estética deslumbrante, quer pelos seus acabamentos de topo, quer pela sua dimensão impactante, que nos deixa a tentar encontrar os melhores adjectivos para a qualificar.

As suspensões Showa invertidas de 47mm e de curso mais longo, com cerca de 250mm da Versão XE, enquanto que a versão XC tem suspensões de 45mm com apenas 200mm de curso, estabelecem uma maior altura da moto ao solo e claro uma maior altura do assento também. No meu caso pessoal, embora com 1.80m, achei que para uma utilização em estrada e urbana, no dia a dia, poderia a altura tornar-se incómoda, podendo nesse caso optarmos pela versão XC, versão que iremos poder ensaiar em breve.

Também a geometria da versão XE é diferente da versão XC. A versão XE tem uma maior distância entre eixos graças a um braço oscilante mais longo e um ângulo de suspensão dianteira algo mais aberto, realidade que confere maior estabilidade à Scrambler XE em condução OffRoad. Na traseira a XE monta dois belíssimos amortecedores Ohlins, de uma dimensão surpreendente, e que foram especialmente desenhados pela Ohlins para a XE. O curso destes fantásticos amortecedores, totalmente reguláveis, é também de 250mm.

O motor da Scrambler 1200 é o mesmo que já monta a Thruxton com menos potência mas com uma maior distribuição de binário em todos os regimes. Algumas alterações mecânicas foram introduzidas no sentido de tornar o motor mais redondo e fazer com que a potência esteja mais disponível desde os baixos regimes. Para tal foram introduzidos novos componentes mecânicos como por exemplo uma nova cambota, alternador e eixo de equilíbrio. Comparativamente com a Speed Twin, modelo que ensaiámos recentemente, que debita 97 CV às 6.750 rpm, com um binário máximo de 112 Nm às 4.950 rpm, a Scrambler XE debita 90 CV às 7.400 rpm e tem um binário máximo de 110 Nm às 3.950 rpm, ou seja, praticamente o mesmo binário, apesar de menos 7 CV, e às 3.950 rpm ou seja 1.000 rpm abaixo da Speed Twin, o que em condução OffRoad nos permite apenas com o rodar do punho e desde baixa rotação ter sempre binário disponível para conseguir gerir melhor a tração. Tudo isto sem contar para já com a ajuda da electrónica.

Os 6 modos de motor que a Scrambler XE inclui permitem realizar um ajuste directo no controle de tração e no ABS em função do tipo de condução que se pretende realizar e do percurso onde vamos rodar. A versão XE inclui modo OffRoad Pro que permite ainda desligar totalmente o controle de tração e o ABS. Os restantes modos, Sport, Street, Rain, Off Road e Rider, este último personalizável, são idênticos nas duas versões. Rodámos quase sempre em modo Sport e no teste que realizámos fora de estrada passámos directo para o OffRoad Pro sem realmente testarmos toda a sua eficiência pois rodámos com muita cautela para evitar qualquer queda. Esse será um handicap psicológico em relação à Scrambler 1200 quando a pilotamos fora de estrada ( e não só ) pois de forma alguma vamos querer correr o risco de poder danificar a belíssima estética de qualquer dos seus elementos com uma caída, mais habitual quando se conduz em todo terreno ao limite.

No percurso que realizámos ao sair de Lisboa, ou seja em cidade, notámos o habitual aquecimento do bicilíndrico Triumph que no caso das Scramblers se torna mais evidente devido à colocação lateral dos dois coletores de escape, bem encostados à nossa perna direita. Em andamento a sensação de desconfortável de aquecimento desaparece de imediato. O guiador largo da XE não facilita a circulação no meio dos carros e a altura do assento ao chão deixa-nos apreensivos a manobrar… Não é uma moto com a qual nos sintamos de imediato à vontade em circulação urbana, para tal talvez então faça mais sentido a versão Street Scrambler, uma das nossas motos favoritas de 2018.

Outro pormenor que os chamou também de imediato à atenção foi o poder de travagem. A primeira vez que deitámos a mão ao manípulo do travão íamos saindo pela frente da moto tal é o poder da mordida e a sua eficiência. Algo inesperado que aprendemos a dosear pois as pinça Brembo M50 de 4 pistons na frente com discos duplos de 320mm com cabelagem de malha de aço confere uma potência de travagem fantástica, suficiente para parar os 207 kg a seco da Scrambler 1200 XE. Na traseira encontramos um disco de 255mm e pinça Brembo de apenas 2 pistons, ambos assistidos por ABS.

A condução da Scrambler 1200 XE é muito semelhante à de uma moto Adventure inclusivamente comparável à de uma Tiger 800 ou 1200, apenas difere pelo facto de não termos proteção frontal . No entanto os 250mm de curso das suspensões, tanto á frente como atrás, fazem-se notar, e se em todo-o-terreno representam uma enorme mais valia, contudo em estrada, e sobretudo nas travagens à entrada das curvas, notamos um afundamento excessivo na dianteira. Tentámos ajustar melhor as suspensões ao nosso peso e testar diferentes opções e conseguimos melhorar algo o comportamento em condução mais agressiva em estrada. Já em todo terreno a suspensão tem um comportamento excelente, absorvendo tudo e transmitindo segurança na pilotagem e sensação de controle constante.

A Scrambler 1200 monta rodas raiadas tubeless de 21” na frente e 17” atrás , esta última uma dimensão talvez mais de estrada, uma roda 18” traseira poderia fazer mais sentido em OffRoad, inclusivamente pela maior diversidade de opções existentes de pneus para todo-o-terreno nessa medida. A Scrambler tem um bom comportamento tanto em estrada como em todo-o-terreno e graças ao seu guiador largo é fácil colocá-la em curva , deixando-nos guiar pela leitura que a electrónica vai fazendo da estrada, pois inclui sensor de inclinação que actua no controle de tração e no ABS, não se sentindo demasiado a sua intervenção, e que se desliga nos modos OffRoad ( normal e Pro ). A Scrambler 1200 vem ainda com a função de Cruise Control.

A Triumph Portugal prometeu-nos uma versão com proteções laterais para podermos melhor testar a aptidão da nova Scrambler 1200 em OffRoad por isso deixámos para depois o aprofundar do comportamento da Scrambler 1200 em for a-de estrada para depois, talvez até com a versão XC. Nos estradões de terra onde ainda rodámos pudemos aperceber-nos da entrega mais progressiva de potência do bicilíndrico de 1200cc, não tão explosivo como o setup da versão Speed Twin anteriormente ensaida. Sentimos que a relação poderia ser encurtada ligeiramente para evidenciar ainda mais o binário máximo da 1200 e em for a de estrada podermos gerir essa realidade com uma mudança acima sem termos que realizar demasiadas passagens de caixa.

De qualquer forma no percurso de estradão de terra que realizámos para sentirmos melhor o comportamento fora de estrada da Scrambler, e em condução em pé, sentimos que a largura da moto, provocada sobretudo no seu lado direito pela posição elevada dos coletores de escape, obrigava à nossa perna a abrir demasiado forçando a posição do pé sobre a peseira para fora também, sentindo a determinada altura que o mesmo estava prestes a sair da própria peseira. Do lado esquerdo não é tão evidente no entanto recomendamos que para uma utilização mais intensa em offroad que se retirem as borrachas das peseiras deixando o metal em contacto com a sola da nossa bota obtendo assim uma aderência acrescida sobre as peseiras que evitará o deslize provocado pela largura da Scrambler ao nível dos joelhos. Melhor ainda será o adoptar peseiras de enduro com maior superfície de contacto.

O painel TFT a cores de informação é bastante completo, de leitura fácil e de gestão intuitiva. A triumph dispõe ainda de uma App que permite navegar através do Google Maps com imagem no próprio painel TFT. Inédita é também uma nova funcionalidade em desenvolvimento que permitirá controlar uma câmara GoPro a partir do painel da própria moto.

Em conclusão a Triumph Scrambler 1200 vem estabelecer um novo segmento de motos, tal como referimos incialmente comparável pela abrangência da sua utilização a uma moto Adventure pois as mesmas são aquelas que nos permitem pelos seus atributos, componentes e preparação uma utilização mista, em estrada e for a dela, razão pela qual entendemos que a Scrambler 1200 se enquadra nesta realidade, pese embora seja uma Naked e também uma Neo Clássica. Na verdade desempenha bem as suas funções em qualquer das três categorias, talvez não sendo a melhor em nenhuma delas mas certamente a referência mais alta no conjunto das três. Em termos de concorrência torna-se difícil podermos comparar as Scrambler 1200 com qualquer outra moto, eventualmente coma próxima V85 da Moto Guzzi que está preste a ser apresentada no mercado nacional, mas até mesmo a V85, que se define como uma Classic Enduro pela própria marca, inclui uma pequena cúpula de proteção frontal pelo que não é uma Naked pura. Aliás este pode ser um acessório que faça algum sentido vir a incluir-se na Scrambler 1200, sobretudo para aqueles que pretendam viajar e fazer longos percursos de estrada com a mesma.

Podemos assumir que as Scramblers da Triumph concorrem por isso entre si e no comparativo em termos de concorrentes decidimos incluir a Tiger 800, isto para não sairmos de dentro da marca e não abrir totalmente a comparação a modelos de outros segmentos como o das Aventure.

As novas Scrambler 1200 XE estão disponíveis em 2 cores, aquela que ensaiámos em Fusion White ( branco) com Brooklands Green (verde ) e a segunda opção em Cobalt Blue ( azul ) com Jet Black ( negro ). O PVP Base é de 15.900 euros.

Características Técnicas 

MOTOR E TRANSMISSÃO
Tipo Refrigeração líquida, 8 válvulas, SOHC, 270º intervalo de ignição, bicilíndrico paralelo
Cilindrada 1200 cc
Diâmetro 97.6 mm
Curso 80 mm
Taxa de compressão 11.0 :1
Potência máxima CE 90PS/ 89bhp (66.2kW) @7,400rpm
Binário máximo CE 110 Nm @ 3950 rpm
Sistema Injecção electrónica sequencial multiponto
Escape 2×2 com ponteiras escovadas em posição elevada
Transmissão Final Corrente
Embraiagem Multidisco em banho de óleo
Caixa de velocidades 6 velocidades
CICLÍSTICA
Quadro Duplo berço tubular em aço
Braço oscilante Duplo em alumínio
Pneu dianteiro Roda tubeless, com aros em alumínio, 36 raios, 21″ x 4.5″
Roda traseira Roda tubeless, com aros em alumínio, 36 raios, 21″ x 4.5
Pneu dianteiro 90/90-21
Pneu traseiro 150/70 R17
Suspensão dianteira Forquilha invertida Showa totalmente regulável, baínhas de 47mm, 250mm de curso
Suspensão traseira Dois amortecedores Ohlins totalmente reguláveis com reservatório separado, 250mm de curso
Front Brakes Dois discos de 320mm, pinças monobloco Brembo M50 de 4 pistões, ABS
Rear Brakes Disco de 255mm, pinça flutuante Brembo de 2 pistões
Painel de instrumentos e funções Painel de instrumentos TFT multifuncional com velocímetro digital, computador de bordo, conta-quilómetros digital, indicador de mudança engrenada, indicador de gasolina, indicador de manutenção, relógio e modos de condução (Road/Rain/Sport/Off-road/Rider personalizável)
DIMENSÕES E PESO
Largura do guiador 905 mm
Altura (sem espelhos) 1250 mm
Altura do assento 870 mm
Distância entre eixos 1570 mm
Inclinação 26.9 º
Avanço 129.2 mm
Peso en seco 207 kg
Capacidade do depósito 16 L
CONSUMO/ PVP
Consumo 4.9 l/100km
CO2 Figures

PVP

EURO 4 Standard: 113g/km

15.900 euros

Concorrência

TRIUMPH STREET SCRAMBLER 900 cc / 65 CV / 203 Kg / 10.700 eur

TRIUMPH SCRAMBLER 1200 XC 1.200 cc / 90 CV / 205 Kg / 14.900 eur

TRIUMPH TIGER 800 XCA             800 cc / 95 CV / 208 Kg / 14.850 eur

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