Ensaio Yamaha MT-10 SP de 2018/2019 – Um estilo de inspiração no “The Dark Side of Japan”

By on 22 Fevereiro, 2019

Se pretenderem saber exactamente o que é rodar em duas rodas a mais de 200 Km/h sentados sobre um motor de 4 cilindros que debita 160cv de uma forma brutal, colocando à prova o “grip” das vossas mãos no guiador e ficarem a saber da resistência à força do vento dos músculos do vosso pescoço quando atingimos a casa dos 240 Km/h sem qualquer proteção a não ser o capacete, então a Yamaha MT-10 SP coloca-vos esse desafio e proporciona-vos uma experiência única, com a segurança que toda a sua sofisticada electrónica e ciclística providenciam.

Depois de rodarmos numa Yamaha R1, com o mesmo motor tetracilíndrico de 998cc com 200cv e um som característico proporcionado pelo sistema de cambota “crossplane”, achamos que dificilmente algo poderá superar essa experiência em termos de sensações. Ora ensaiar a Yamaha MT-10 SP resultou ser algo totalmente novo e se pensávamos de início que poderia ser uma R1 “despida” e com uma posição de condução mas cómoda que a tornaria algo mais “domável”, rapidamente percebemos que a MT-10 SP seria algo totalmente distinto, um verdadeiro “poço de novas emoções”, só aptas para os pilotos e condutores mais experientes.

A versão 2018/19 da MT-10 sofreu uma enorme evolução a partir do antigo modelo de 2017, sobretudo a nível da electrónica mas também da sua estética e ciclística. Controle de Tracção com 3 níveis de intervenção, Ride by Wire, ABS, Quick Shift, o Sistema D-Mode com 3 Mapas de motor e no caso da versão SP testada inclui suspensões Ohlins de competição totalmente ajustáveis, conferem um nível superior de sofisticação ao novo modelo e garantem uma maior segurança na sua utilização.

Aquilo que nos chama de início mais à atenção é de facto a sua estética de “Street Fighter”, com linhas agressivas e um aspecto musculado, muito dentro do estilo habitual das naked japonesas, desenvolvidas dentro de um género quase de ficção, semelhante a aquele que vemos nos filmes com máquinas “transformers” e inspiradas no mote da marca “ The Dark Side of Japan”.

Ao estar posicionada como uma “naked” ou antes uma “power-naked”, estranhamos a complexidade dos elementos que a revestem exteriormente e que são na sua maioria componentes estéticos não sendo, do ponto de vista funcional, estritamente necessários. É um estilo, algo talvez exagerado mas que evidencia uma tendência e a origem da sua concepção.

Ao subirmos na MT-10 SP notamos de imediato uma postura de condução que é bastante natural, facilitada pelo guiador alto e por uma posição dos pés nas peseiras não demasiado recuada, nem alta. O depósito de combustível sobressai como elemento de maior dimensão na MT-10 mas é bastante ergonómico,sobretudo na zona dos joelhos, permitindo um perfeito encaixe dos mesmos. O assento é bastante cómodo e ergonómico também contribuindo para uma posição em simultâneo confortável e desportiva. Já o do pendura é algo reduzido e “simbólico” , sem pegas laterais para se segurar, e serve apenas para podermos transportar alguém em pequenos trajectos de conveniência e de uma forma que se recomenda ser cautelosa.

Já a rodarmos na MT-10 SP notamos de imediato a pujança do seu motor e dos seu 160cv numa ciclística perfeita e amplamente aperfeiçoada na R1, a rainha das superbikes da marca que, com o seu conhecido quadro Deltabox, confere uma pilotagem extremamente precisa, de uma agilidade e sem defeitos à MT-10. Na versão standard da MT-10 as suspensões são KYB invertidas de 43mm são totalmente ajustáveis, em compressão, extensão e hidráulico, assim como no amortecedor traseiro. Já na versão SP ensaiada as suspensões são OHLINS de competição electrónicas e totalmente auto-ajustáveis às condições de pilotagem o que confere à moto um nível superior de comportamento e segurança.

E se a MT-10 está pensada para andar rápido também inclui componentes à altura que garantam o seu controle. A nível da travagem conta na dianteira com dois discos de 320mm com pinças radiais de quatro pistons e na traseira um disco de 220mm, ambos com assistidos por ABS.

O motor de 998cc e 160cv às 11.500 rpm, proveniente da R1, de tecnologia “Crossplane”, debita um excelente binário desde os baixos regimes, e conta com uma sistema de válvula de escape especial “Exhaust Ultimate Power”. A caixa de 6 velocidades conta ainda com embraiagem deslizante.

A Yamaha MT-10 proporciona uma condução desportiva radical, com um disparo e uma subida de regimes característicos de um motor de 4 cilindros com 160cv mas em simultâneo permite também uma condução suave e silenciosa, sem reações bruscas, com enorme binário a baixa para não termos que usar constantemente a caixa e bastante cómodo e ágil em utilização urbana.

Características em resumo

.   Motor de 4 cilindros CP4 com cambota do tipo “Crossplane” c/ 160cv

.   Suspensão, quadro e motor derivados da YZF-R1

.   Binário forte e linear nas gamas baixa a média

.   YCC-T, D-MODE e sistema de controlo de tração, ambos com 3 níveis.

.   Embraiagem deslizante A&S e Quick Shift (QSS)

.   Quadro Deltabox de alumínio, sub-quadro em aço

.   Distância entre eixos de 1400 mm para maior agilidade

.   Estética agressiva do tipo Street Fighter

.   Posição de condução natural e desportiva

.   Travões com pinças radiais e ABS

.   Suspensões dianteira e traseira totalmente ajustável

.   Painel de informação LCD/TFT multifunções

.   Faróis duplos de Tecnologia LED

Cores disponíveis 2019 versão standard ( cinza, azul e negro )

Cor disponível da versão SP ( azul, prata e negro )

 

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

MOTOR

Tipo de motor   4 tempos, refrigeração líquida, DOHC, 4 válvulas

Cilindrada   998cc

Diâmetro x curso   79.0 mm x 50.9 mm

Taxa de compressão   12 : 1

Potência máxima   118.0kW (160.4CV) @ 11500 rpm

Binário máximo   111.0Nm (11.3kg-m) @ 9000 rpm

Sistema de lubrificação   Cárter húmido

Tipo de embraiagem   Húmida, Multidisco

Sistema de ignição   TCI

Sistema de arranque   Eléctrico

Sistema de transmissão   Sincronizada, 6 velocidades

Transmissão final   Corrente

Consumo de combustível   8.0l/100km

emissões CO2   185g/km

 

CICLÍSTICA

Quadro   Deltabox

Curso dianteiro   120 mm

Ângulo do avanço de roda   24º

Trilho   102mm

Sistema de suspensão dianteira   Forquilha telescópica, Ø43mm

Sistema de suspensão traseira   Braço oscilante, suspensão de ligação por braço

Curso traseiro   120 mm

Travão dianteiro   Disco duplo hidráulico, Ø320 mm

Travão traseiro   Monodisco hidráulico, Ø220 mm

Pneu dianteiro   120/70 ZR17 M/C (58W)

Pneu traseiro   190/55 ZR17 M/C (75W)

 

DIMENSÕES

Comprimento total   2095 mm

Largura total   800 mm

Altura total   1110 mm

Altura do assento   825 mm

Distância entre eixos   1400 mm

Distância mínima ao solo   130 mm

Peso (incluindo óleo e gasolina)   210 kg

Capacidade Dep. Combustível   17Litros

Capacidade Dep. Óleo   3.9Litros

PVP Versão Standard     13.895 eur

PVP Versão SP     16.505 eur

 

Concorrência

Aprilia Tuono V4 RR   1077cc / 175 cv / n.d. Kg / 16.260 eur

BMW S 1000 R   999cc / 165 Cv / 205 Kg / 14.270 eur

Honda CB 1000R   998cc / 143 cv / 212 Kg / 13.250 eur

Kawasaki Z1000   1.043cc / 142 cv / 220 Kg / 13.390 eur

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