Teste Aprilia Tuareg 660 – A Trail Total

By on 8 Fevereiro, 2022

Ensaio realizado por Jordi Aymami – Solomoto

Finalmente realizámos o teste da Aprilia Tuareg 660.  Decididamente valeu a pena esperar pois a Tuareg é uma das motos Adventure mais versáteis e eficazes que testámos até ao momento, uma moto que tem um desempenho excepcional em qualquer situação em que a colocas. Se é a moto perfeita, o tal unicórnio de que tanto se fala, pode não o ser ainda mas está lá muito perto.

Como já é sabido e como já fomos comentando em outros artigos, a Tuareg 660 é o terceiro membro da família 660, depois da versão RS e da versão Tuono, e partilha com a mesmas o fantástico motor bicilíndrico paralelo que foi copiado do bloco dianteiro da desportiva RSV4 1100, com os necessários ajustes como é óbvio.

A nova Tuareg 660 está inspirada na versão dos anos 80, a Tuareg 600 Wind de motor monocilíndrico LC ( Liquid Cooled ). Invocando a mesma uma das decorações da actual Tuareg 660, apelidada de “Indaco Tagelmust”, exibe as cores da famosa Wind de 1989. ( há quem pense que pretende imitar a Africa Twin, mas não, a sua origem é mesmo de uma Aprilia ).

Aprilia Tuareg 600 Wind 1989

E então o que tem de especial a nova Tuareg 660 ? Para já não monta o quadro de alumínio de dupla viga das versões RS e Tuono, optando-se por um quadro totalmente novo, em tubo de aço cromoly com reforços em alumínio onde o motor funciona como reforço estrutural de todo o conjunto.

A intenção é clara, a de dotar a Tuareg da maior eficácia possível em pilotagem OffRoad e em simultâneo manter o seu excelente desempenho em estrada, e está claríssimo que o conseguiram.

A única crítica que podemos eventualmente fazer é a de o sub-quadro estar soldado directamente ao quadro principal, sendo a sua substituição em caso de uma caída grave, impossível. No entanto a Aprilia Tuareg 660 compensa-nos sobejamente com outros componentes de máxima qualidade, como as suspensões Kayaba totalmente ajustáveis que, com um curso de 240mm, têm um desempenho fora de série.

O motor, apesar de ser o mesmo que monta as versões RS e Tuono, apresenta algumas alterações. As árvores de cames são novas e específicas para a Tuareg e o motor está colocado numa posição mais inclinada em 9º para trás para conseguir centrar mais a distribuição de massas. Para tal os engenheiros da Aprilia tiveram que criar um novo cárter de motor para que o óleo e a respectiva bomba estivessem correctamente posicionados.

O motor tem agora uma potência de 80 CV às 9.250 rpm , com um binário máximo de 7,13 Kgm às 6.500 rpm, sendo que 75% do binário está disponível logo a partir das 3.000 rpm. A transmissão é também mais curta do que nas Aprilia RS e Tuono. O objectivo é que tenha uma faixa de utilização mais alargada tanto em estrada como em todo-o-terreno.

Debaixo de água…

Depois de uma viagem de quase 11 horas, entre aviões, transfers e autocarros, chegámos já de noite ao sul da bela ilha da Sardenha. Na manhã seguinte esperava-nos um dilúvio.

Vestidos com o obrigatório impermeável lá fomos, algo apreensivos mas curiosos, realizar o trajecto de cerca de 160 kms que tinham preparado para testarmos a Tuareg 660, trajecto que incluía percursos de estrada de todo o tipo e também um tramo de OffRoad.

A Tuareg vai calçada com pneus Pirelli Scorpion STR pelo que dadas as condições de chuva e a variedade de estradas que iríamos percorrer acabaram por se revelar os mais adequados pois têm um excelente comportamento e aderência em estrada e os tacos são ainda uma mais valia no todo-o-terreno em piso bastante molhado.

Durante todo o percurso fomos sendo confrontados com muita chuva e curvas com lama, porém graças certamente aos Pirelli Scorpion não tivemos qualquer contratempo, mostrando um desempenho excepcional dadas as condições.

O ABS apenas notámos a sua intervenção num par de ocasiões ( não tem porém função de “Cornering ABS” ) assim como o controle de tração também só se acionou uma ou outra vez. Utilizámos quase sempre o Modo EXPLORER, que é o modo recomendado para estrada, dos quatro modos que tem selecionáveis, sendo o Modo que tem uma intervenção média do ABS e do Controle de Tração.

Os restantes Modos são o URBAN, com maior intervenção e uma resposta de acelerador mais suave; o Modo OffRoad, que desliga o ABS na roda traseira e mantém uma intervenção mínima da roda dianteira e algo de Controle de Tração na traseira; e finalmente o Modo Individual que é totalmente personalizável.

O enorme curso de suspensões dianteiras com 240mm fazia temer algo de imprecisão em estrada, com uma esperada transferência de massas de trás para a frente em situações de travagens mais fortes ou algum desequilíbrio em curva.

Porém foi precisamente o contrário, pese embora não terem a firmeza das suspensões da RS e da Tuono, mostraram uma estabilidade e um desempenho inesperados, sem afundamentos excessivos e absorvendo todo o tipo de irregularidades da estrada, com um desempenho excepcional e garantindo um total control, segurança e conforto.

Uma Excelente Estradista…

Outro aspecto que nos surpreendeu enormemente foi o conforto na sua condução. Esperávamos uma posição mais radical, com uma postura mais virada para o OffRoad, com um assento mais rijo e uma posição mais avançada sobre a frente da moto.

No entanto a postura surpreendeu-nos pela sua naturalidade e com tudo no sítio certo, sem esforço,onde o assento joga um papel fundamental, pois apesar de estreito ao nível dos joelhos, quando conduzimos em pé, é extremamente confortável na posição sentado.

O écran frontal apesar de não ser de grande dimensão desvia a pressão do ar em andamento de forma muito efectivo, existindo no entanto uma versão opcional de maior dimensão para aqueles que pretendem maior proteção aerodinâmica em viagem, assim como um assento “confort”.

Um aspecto que entendemos poderá melhorar é o tacto dos travões. Existe potência suficiente de travagem em qualquer circunstância graças aos dois discos de 300mm e pinças de 2 pistons, embora o tacto de início não seja o melhor, comparativamente com outros modelos, nomeadamente com a RS e a Tuono.

Outro tema que entendemos deverá ser revisto é a localização do botão que comuta os médios e máximos que ao estar muito perto do nosso dedo indicador esquerdo faz com que acionemos o mesmo inadvertidamente.

No caso da Tuareg o sistema Quickshift é opcional, mas o mesmo funciona com a mesma precisão do das suas irmãs RS e Tuono. Com um depósito com capacidade para 18 litros e um consumo médio de 4,7 l/100Km a autonomia da Tuareg é praticamente de 400 Kms.

E em OffRoad?…

Num percurso fechado com cerca de 2,5 Kms pudemos testar o desempenho da Tuareg nas mais variadíssimas situações OffRoad. Zonas rápidas e lentas, zonas de saltos, zona com pedras soltas e outras de terra e lama…

No entanto, com toda a chuva que caiu e com pneus mistos 50/50, não pudemos levar a Tuareg ao limite nem perceber totalmente as suas verdadeiras capacidades no fora de estrada. As enormes poças de água e a lama recomendavam a utilização de pneus de enduro, os mais adequados para tais circunstâncias, pelo que para garantirmos a integridade das motos e a nosso própria acabámos por rodar sem exageros nem imprudências.

No entanto, mesmo nestas condições super adversas, a Tuareg surpreendeu-nos novamente com as ajudas electrónicas muito efectivas que compensavam a falta de tração dos pneus em lama e umas suspensões com excelente desempenho na leitura de todo tipo de irregularidades, a superar pedras e terra solta, mantendo sempre uma enorme sensação de segurança e capacidade de superação. O derrapar em aceleração em 2ª e em 3ª nunca nos deu a impressão de qualquer descontrole.

A posição de condução em pé é perfeita, com os joelhos bem colocados nas laterais estreitas da moto e o corpo ligeiramente fletido sobre a frente da moto a carregar a roda dianteira e a aliviar peso na traseira para a colocar mais facilmente nas trajectórias. Aqui o pouco controle de tração e a mínima intervenção do ABS no Modo OffRoad, dadas as circunstâncias extremas do terreno, até foram bem vindas.

Definitivamente, a nova Tuareg 660 é uma moto “redonda”  que, com um pouco de preparação, se poderia facilmente transformar numa moto de Rally/Raid, isto se eventualmente se criasse uma nova classe de competição com esta cilindrada e características.

Cores disponíveis

A nova Tuareg 660 vem posicionar-se numa classe à parte, só sua, pois situa-se entre uma menos sofisticada e menos potente Ténéré 700 e as mais pesadas, potentes e caras Africa Twin 1100, Tiger 900 Rally, KTM 890 Adventure R e BMW F 850 GS.

A Aprilia Tuareg, tal como as suas irmãs RS e Tuono, acaba a jogar na sua própria liga… no entanto reúne talvez o melhor de vários mundos, peso contido, potência que baste, sofisticação electrónica, ciclística de topo, desempenho de excelência, tanto em estrada como em terra e tudo a um preço acertado.

ADN da Tuareg 660

  • Potência               80 CV
  • Peso                      187 Kg
  • Preço base           12.200 eur
  • Carta                     A2 e A

O que gostámos e o que pode melhorar

MOTO +

  • Versatibilidade
  • Desempenho On e OffRoad
  • Entrega de potência suave e cheia
  • Tração e estabilidade
  • Comportamento das suspensões

MOTO –

  • Tacto do travão dianteiro
  • Comutador de luzes
  • Sub-quadro não desmontável

Ficha Técnica Aprilia Tuareg

Motor tipo:Bicilíndrico en paralelo 4T, cigüeñal a 270º, LC, 8V, DOHC
Diâmetro x curso:81 x 63,93 mm 
Cilindrada:659 c.c. 
Potência máxima:80 CV às 9.250 rpm 
Binário máximo:70 Nm (7,13 kgm) às 6.500 rpm 
Alimentação:Injeção electrónica 
Emissões de CO2:N.d. 
Caixa:6 velocidades (quickshifter opcional) 
Embraiagem:Multidisco en óleo, deslisante 
Transmissão secundária:Por corrente 
Tipo chasis:Tubular em aço, com reforços de aluminio 
Geometría da direção:26,7° y 113 mm 
Braço oscilante:De aluminio 
Suspensão dianteira:Forquilha invertida Kayaba de 43/240 mm, de mola dupla e ajustável
Suspensão traseira:Mono-amortecedor Kayaba de 240 mm combielas, ajustável
Travão dianteiro:2 discos de 300 mm, pinças Brembo de 2 pistons e ABS
Travão traseiro:1 disco de 260 mm, pinça Brembo de um piston e ABS
Pneus dimensões:90/90-21 dianteira  e 150/70 R 18 traseira 
Comprimento total:2.220 mm 
Altura máxima:N.d. 
Largura máxima:965 mm 
Distância entre eixos:1.525 mm 
Altura do assento:860 mm 
Depósito:18 l 
Consumo médio:4,7 l / 100 Kms 
Autonomía teórica:383 km 
Garantia oficial:2 anos 
Importador:C. Machado Lda. 
Web:www.aprilia.com 
   
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