Teste Triumph Trident 660 – Pronta para liderar

By on 21 Fevereiro, 2021

O segmento das naked de média cilindrada é dos mais excitantes e dinâmicos do mercado. Não só acolhe os recém encartados (muitos deles com carta A2) como recupera motociclistas com mais experiência que querem regressar às lides das duas rodas. A líder destacada da categoria está em perigo com a chegada de uma máquina vinda das terras de sua majestade. A grande questão…como atacar a concorrência? Mantendo-se fiel ao seu DNA, potenciando as suas virtudes e apostando na qualidade dos seus componentes, o tri-cilíndrico inglês veio para dar luta às japonesas. A Triumph acertou em cheio com a Trident 660. 

Se o nome Trident já tinha sido sinónimo de sucesso no inicio dos anos 70 nas estradas da ilha de Man, e reaparecendo na ultima década do século passado como um modelo de referência, faria todo o sentido que passados tantos anos o seu regresso fosse muito bem preparado.

Nas linhas da Trident 660 reconhecemos uma herança, mas a fusão com a modernidade foi muito bem conseguida, criando uma moto com um ar intemporal. E este feito não está ao alcance de muitos. A imagem do depósito arredondado (com aquela espécie de entalhe lateral onde se enquadra o logotipo), o farol redondo e a confluência na minimalista traseira, conferem-lhe uma modernidade clássica, numa silhueta familiar causada pela sintonia das formas, mas ao mesmo tempo desafiante pela desportividade das mesmas.

Depois há todo um mundo de pormenores, os logotipos nos faróis e na mesa de direcção, o bonito mostrador dos instrumentos com um vidro tipo bolha, a cablagem escondida, o guarda-lamas esculpido na cor dominante, os poisa pés e resguardos em alumínio, e o orgulho de qualquer roadster, o seu motor bem em destaque.

A qualidade dos acabamentos é de realçar, ficamos com a sensação de que houve a preocupação de não deixar pontas soltas. E de facto, a Triumph criou esta moto practicamente de raiz. As referências eram excelentes, desde a bem sucedida Street Triple, à Daytona 675, uma arma de pista que deixou saudades.

O enfoque estradista da Trident é evidenciado pela sua ergonomia simpática, numa posição confortável o suficiente para estar pronto a atacar umas curvas na serra ou o trânsito na cidade. É uma postura amigável que nos deixa fazer as nossas escolhas, sobretudo quando entra na equação um motor tri-cilindrico. Claro que vamos cair no clichet de dizer que tem a linearidade de um quatro cilindros e a resposta imediata de um bi-cilindrico. Mas avançamos ainda mais ao afirmar que o caracter da sua entrega é exactamente proporcional ao que lhe pedimos, seja festa brava ou um passeio relaxante. É uma óptima companhia em ambos os cenários…

 

Se o novo chassis nos traz boas referências vindas da Street Triple, o practicamente novo motor é a estrela do conjunto. Com 67 novos componentes, desde cambota, pistons, cabeças de cilindro, sistema de refrigeração, sistema de admissão e escape, nova embraiagem deslizante, caixa de velocidades…e a debitar uns muitos saudáveis 81cv e 64 Nm.           E o mais interessante é a linearidade dessa entrega de potência, em que 90% do binário está desde as 3600rpm e as 9750rpm.

A Triumph testou exaustivamente motor (lembramos que é a fornecedora dos motores de moto2) garantindo serviços com intervalos de 16000 km (ou 10000 milhas)

 

Sempre que rodamos o punho direito temos uma resposta vigorosa e confiante. A parametrização do acelerador ride-by-wire é excelente, não há engasgos nem hesitações e as subidas de regime fazem-se de forma constante, quase ininterrupta, seja qual for a mudança engrenada. A nova  caixa de velocidades tem relações mais curtas nas primeiras 4 mudanças, sendo que as duas ultimas são mais rolantes. Nota muito positiva para a assertividade da mesma, sem ser demasiado rija ou de trato brusco. Claro que gostariamos de ter testado o quick-shift, é proposto apenas como opcional.

 

Triumph Trident 660

Os dois mapas Road e Rain ficam associados ao nível de intervenção do controle de tracção, e este pode ser desligado se o desejarmos. Quando as coisas podiam correr mal, a sua actuação nunca foi brusca, mas é sempre reconfortante sabermos que ele está presente. O modo Rain, pareceu-nos  algo redundante, visto que os Michelin Road 5 são do melhor que se pode ter quando o clima nos prega partidas. O espectro de temperaturas em que funcionam, a sua capacidade de encontrar aderência e sobretudo a maneira em como nos avisam do limite, casam na perfeição com o eficaz chassis da Trident.

 

A agilidade com que esta moto se apresenta na inserção em curva, a sua neutralidade de reacções, e a leveza do conjunto nas transferências de massa, fazem dela uma excelente parceira para dançar. E não importa se somos jovens demais para conhecer a musica, ou se nos doem as artoses e as articulações, ela guia-nos com a confiança de quem sabe o que está a fazer. As suspensões Showa estão nitidamente à vontade nos ritmos mais elevados, a sua leitura do piso é eximia a transmitir as informações ao condutor, se bem que o façam de modo mais seco quando apanham irregularidades.  Para completar este pacote dinâmico de excelência, a travagem não podia ser melhor. O sistema da Nissin é potente, progressivo na actuação e altamente doseável, ficamos por vezes com pena do Euro 5 não nos deixar desligar o ABS…

Em toadas mais calmas temos tempo para apreciar a qualidade simplista do painel de instrumentos misto, com o TFT a preto e branco a funcionar como velocímetro e conta- rotações, e todas as restantes informações aparecem num LCD a cores, onde podemos também aceder ao “my Triumph  Connectivity system”, a interface que nos dá direcções de percurso, controle da Go Pro e musica, tendo o smartphone como origem.

 

Na certeza de que esta Trident irá agradar a uma extensa uma faixa etária, A Triumph oferece uma lista de 45 acessórios, desde Quick-shift bi-direccional, pegas para o passageiro, punhos aquecidos, resguardo dos colectores e cárter em alumínio, deflector de vento na cor da carroçaria, espelhos maquinados nos terminais dos punhos, todo um mundo de opções para a tornar mais especial. O kit de conversão A2 também está disponível.

O preço de venda ao publico começará nuns competitivos 7,995€, e as cores disponíveis, ainda realçam mais o look retro moderno desta máquina, numa simbiose perfeita entre uma engenharia cuidada e uma atitude irreverente de fusão de estilos. A Triumph Trident é uma moto que nasce adulta, bem estruturada, mas retém a capacidade de ensinar os segredos dos prazeres das duas rodas aqueles que se iniciam. Seja muito bem-vinda!

Se pensarmos que esta é a moto de entrada na gama de oferta da Triumph, ficamos com uma ideia da fase que a marca de Hinckley atravessa. A objectividade da sua engenharia, e o arrojo das suas opções merecem ser louvadas. A Trident chegou para atacar a liderança de um dos mais importantes segmentos do mercado, aquele que tem de agradar ao menino e à menina, ao avô e ao neto. Acessível, competente, entusiasmante e extremamente eficaz, serão adjectivos que assentam bem a uma vencedora?… Fica aqui a promessa de um comparativo em breve!

 

Cores Dísponíveis:

 

Ficha Técnica:

  • Motor

Tipo de motorArrefecimento a líquido, 12 válvulas, DOHC, 3 cilindros em linha
Cilindrada660 cc
Potência81 cv @ 10.250 rpm
Binário64 Nm @ 6.250 rpm
EmbraiagemHúmida, multi-disco, deslizante assistida
Caixa de velocidades6 velocidades
  • Ciclística

QuadroQuadro perimétrico em aço tubular
Suspensão Dianteira / TraseiraForqueta invertida Showa de 41 mm de funções independentes (SFF) / Unidade traseira de suspensão Showa monoshock, com regulação de pré-carga
Travagem Dianteira / TraseiraPinças Nissin de dois pistões com discos duplos de 310 mm, ABS / Pinça Nissin deslizante simples, disco único de 255 mm, ABS
Pneu Dianteiro / TraseiroMichelin Road 5: 120/70 R17 (dianteira) ; 180/55 R17 (traseira)
  • Dimensões e Preço

Altura do Assento805 mm
Distância entre eixos1401 mm
Capacidade do Depósito14 L
Peso189 (Peso com depósitos cheios) kg
Preço7,995 € (a partir de)

 

Concorrentes:

  • Yamaha MT-07

73,4 cv ; 184 Kg ; 7,100 €

 

  • Honda CB 650 R

95 cv ; 202 Kg ; 8,200 €

 

  • Kawasaki Z 650

67 cv; 188 Kg ; 6,990 €

 

  • Suzuki SV 650

75 cv ; 197 Kg ; 6,999 €

 

  • KTM 890 Duke

115 cv ; 169 Kg a seco ; 10,499 €

 

Galeria:

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