Segurança: Sim ou não aos reguladores de velocidade?

By on 21 Outubro, 2021

A Comissão dos Transportes do Parlamento Europeu recomenda equipar as motos com sistemas automáticos de velocidade, ou reguladores de velocidade. A Federação das Associações de Motociclistas Europeus (FEMA) é contra essa intenção.

FONTE: FEMA

A partir do dia 6 de julho de 2022, os novos modelos de automóveis terão que ser equipados com o designado ‘assistente automático de velocidade’, entre outras coisas. O carro deve reconhecer automaticamente a velocidade máxima permitida via câmara, ou dados do sistema de navegação, e não excedê-la. As motos também já entraram na discussão.

No entanto, em outubro de 2021, a Comissão de Transportes do Parlamento Europeu interveio, consederando que ’Assistentes de velocidade inteligentes’ podem ajudar a prevenir acidentes graves com motos que podem resultar em morte. A Federação das Associações de Motociclistas Europeus (FEMA) opõe-se a isso, baseando-se numa declaração da Comissão da UE de 2019 para não desenvolver tais sistemas para motociclos.

Um argumento da Comissão da UE é a alta proporção de acidentes fatais com veículos motorizados de duas rodas – incluindo ciclomotores, scooters e todos os veículos da categoria L – em comparação com o seu baixo volume no tráfego total: apenas dois por cento de todos os utilizadores das estradas são motociclistas, mas infelizmente os seus acidentes representam 17 por cento de todas as fatalidades no trânsito.

A formulação exata é: “… os veículos de duas rodas motorizados são responsáveis ​​por 17% do número total de mortes na estrada…”. Os motociclistas são, portanto, responsáveis, não afetados. Interessante: O comitê prossegue afirmando que 54% desses acidentes fatais acontecem em estradas rurais, mas não por quais causas. Segundo a Comissão da UE, isso deve ser remediado por um auxiliar de velocidade. Pode ser já em 2030.

EM 2030 AS MOTOS DEVEM ANDAR DEVAGAR AUTOMATICAMENTE

A Comissão dos Transportes da UE pretende tornar a sua Visão Zero uma realidade até 2050, altura em que não deverá haver mais mortes na estrada. Uma maneira de conseguir isso é que as motos  mantenham automaticamente a velocidade máxima permitida até 2030. Tecnicamente, no entanto, isso só é possível se a moto reconhecer a velocidade permitida e controlar a potência do motor de acordo com esse parâmetro.

Atualmente, isso é possível usando dados de navegação e GPS ou uma câmara. Os dados de navegação já estão disponíveis para alguns modelos, mas os sistemas de câmaras só para uns quantos modelos. Os fabricantes de motos estão a usar sistemas de radar que não suportam os limitadores de velocidade pretendidos. Se um sistema correspondente aparecer, isso afetará apenas a potência do motor e não a travagem.

A OPOSIÇÃO DA FEMA

Desde que este tema foi equacionado pela primeira vez em 2019, a FEMA deixou claro que tais sistemas nas motos têm um sério impacto na segurança ao conduzir, já que intervenções imprevistas no desempenho do motor podem desequilibrar a moto. Em 2021, a FEMA remeteu para a resposta da Comissão à época, que confirmava que não existiam planos para tornar tais sistemas obrigatórios nos motociclos.

“Não apoiamos nenhuma função técnica que tire o controlo da moto do motociclista e, portanto, vemos – embora entendamos a necessidade de reduzir a velocidade em determinadas situações – qualquer tipo de assistência inteligente de velocidade que atrapalhe o sistema de gestão do motor como um perigo “, disse Dolf Willigers, secretário-geral da FEMA.

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