Suzuki GSX 1300 R Hayabusa: Uma lenda inapagável!

By on 19 Maio, 2022

Foi uma era inesquecível, quando os fabricantes japoneses se degladiaram na batalha pela velocidade, quando motos mais e mais rápidas eram lançadas todos os anos, até o governo japonês intervir com uma espécie de reprimenda. Desse tempo, resta no mercado o ‘falcão peregrino’, a Suzuki GSX 1300 R Hayabusa, uma lenda que o tempo não apagou.

Tudo começou no início dos anos 80, quando a Kawasaki lançou a GPZ900R Ninja em 1983. A sport-turismo japonesa, basicamente discreta, ganhou fama por dois motivos: por um lado, atingiu uma velocidade máxima de 248 km/h, o que era extremamente alto para a época, e, por outro, esse número valeu-lhe uma participação no filme ‘Top Gun’.

Esse foi o sinal de partida para a corrida à velocidade máxima. Nos anos seguintes, fabricantes como a Honda, Yamaha e Bimota intensificaram o seu desenvolvimento em direção à velocidade máxima e trocaram regularmente a coroa da moto de produção mais rápida.

E lembro-me, como se fosse hoje. Estava em 1996 e na redação, surgiu-me o convite da Honda para ir a Frankfurt (Alemanha) conhecer a nova CBR1100XX Super Blackbird. No jantar de apresentação estavam placas com o limite máximo de velocidade de 300 km/h, e lá estava ela, esbelta e aerodinâmica. Os japoneses pareciam loucos, e dias mais tarde levei-a à pista da Ota à procura de chegar aos ‘trezentos por hora’. No conta-kms superou essa velocidade, mas em termos de velocidade real ficou perto dos 299 km/h. Parecia que a Honda finalmente havia vencido a corrida à velocidae nesse ano 1996 com a sua Super Blackbird, mas ninguém contava com a Suzuki.

1999: A Suzuki apresenta a GSX 1300 R Hayabusa

Em 1999, os japoneses apresentam a sua resposta inesperada à Honda e Kawasaki. A GSX 1300 R Hayabusa quebrou todos os recordes e fez uma declaração instantânea. Porque o nome ‘Hayabusa’ por si só, já era um anúncio contra a concorrência na Honda. Traduzido, o termo significa ‘falcão peregrino’, o predador natural do melro – ou seja, a CBR1100XX. De fato, a Suzuki literalmente comeu a concorrência com uma aceleração de 0-100 km/h de 2,7 segundos e velocidade máxima de 312 km/h. Era oficial: a Suzuki GSX 1300 R era a moto de produção mais rápida do mundo. Também a experimentei a convite da marca no circuito de Braga, mas as curta rectas do circuito acabariam por limitar a experiência. Mas não desisti!

O governo japonês acaba com a ‘guerra da velocidade’

Alegadamente, a Kawasaki não quis aceitar a vitória da Hayabusa e surgiram rumores de que a nova ZX-12R seria capaz de atingir uma velocidade máxima de 322 km/h. Anos mais tarde e depois da primeira experiência com a Hayabusa, experimentei a Kawasaki ZX-12R e pude finalmente sentir o que é rolar acima dos 300 km/h (o velocímetro indicou 330), sentir no corpo todos os efeitos da aerodinâmica, o vento a confluir, a quase não escutar o ruído do motor e a chegar de um ponto a outro quase num piscar de olhos. É alucinante… acreditem!

Só que depois disto, surgiu a história de uma carta misteriosa. Reza a lenda que o governo japonês enviou uma carta a todos os fabricantes de motos, pedindo que encerrassem esta competição. O medo de uma proibição de importação para a Europa e América era muito grande por causa das velocidades absurdas. Nenhum dos fabricantes confirmou a existência do documento, mas um acordo de cavalheiros foi alcançado em 2000.

O ‘acordo’ para o limite de 300 km/h

O acordo entre fabricantes japoneses e europeus era bastante simples: todas as motos construídas após 2000 deviam ser limitadas eletronicamente a 300 km/h. Para fanáticos por velocidade e colecionadores, a Hayabusa do primeiro ano é considerada a mais valiosa, porque ainda não obdecia a este limite. O ‘Gentlemen’s Agreement’ foi mantido com sucesso por 7 anos até que a MV Agusta quebrou o acordo com a F4 R 312. Desde então, com o aparecimento de motos como a BMW S1000RR, a Ducati Panigale R e a Kawasaki Ninja H2, o referido acordo provavelmente deixou de ser levado tão a sério.

O design marcante da Hayabusa

Desde o início, os motociclistas foram divididos em dois campos quanto à aparência da Suzuki Hayabusa: os que a amam, e os que a odeiam! Mas a sua aparição não foi um acidente na prancheta, foi pura intenção! Por um lado, foi desenvolvida no túnel de vento e foi modelada num baixo valor CX (coeficiente de arrasto), por outro lado, o designer Koji Yoshiura disse numa entrevista que o seu visual era para chocar… de propósito! Deve atrair muita atenção e a sua forma não deveria parecer velha mesmo depois de alguns anos. E na verdade, mantem-se jovem como no primeiro dia!

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