Ensaio Hard da Honda CB500 X – Prova de esforço nos 1000 Kms do Lés-a-Lés OffRoad

By on 10 Outubro, 2019

No passado fim de semana participámos no evento Portugal Lés-a-Lés com um duplo objectivo. Primeiro o de fazermos a cobertura do evento, segundo o de colocarmos à prova uma moto improvável que poucos acreditariam pudesse ter um desempenho à altura do desafio que constituem os 1000 Kms fora de estrada que este ano se revelaram mais duros do que o habitual.

Ora para concretizarmos o feito propusemos à Honda Motor Europe Portugal que nos facultasse uma moto com características mínimas para levarmos a cabo a nossa missão… depois de alguma troca de ideias, com a Africa Twin sempre como expoente máximo para o efeito, acabámos por desafiar a Honda para nos ceder aquela que é também um sucesso comercial mas de características improváveis à partida para enfrentar o desafio… Uma Honda CB500X.

A pequena Adventure da Honda vem este ano com roda de 19” e com maior curso de suspensões o que seria garantia à partida de um melhor desempenho OffRoad. Mas para enfrentar 1.000 Kms de “maus tratos” e de “armadilhas inesperadas” o seu desempenho de origem não é suficiente. Por isso sugerimos à Honda que preparasse a sua CB500X com alguns acessórios que pudessem garantir maior “sobrevivência” ao longo da prova/passeio.

Foi por isso preparada uma “short list” de componentes fundamentais para levar a “bom porto” a nossa montada. Desde logo os pneus eram obrigatórios, inclusivamente nas verificações a organização exigia que os mesmos fossem de tacos. Como decidimos chegar ao ponto de partida por alcatrão, de Lisboa a Vila Pouca de Aguiar são cerca de 400 Kms, decidimos sugerir uns pneus mistos, 50/50, que garantissem algum desempenho em estrada e pudessem enfrentar depois os 1.000 Kms fora da mesma. A escolha recaiu sobre os tradicionais Continental TKC 80, um pneu que revelou um excelente comportamento em estrada e mais tarde, baixando um pouco a pressão, ( aqui está o segredo ) enfrentar os caminhos OffRoad do Lés-a-Lés.

Não pretendiamos que a preparação fosse exagerada, mantendo um orçamento razoável e baixo sem termos inclusivamente que alterar o objectivo da nossa participação que era o de levar uma moto improvável, o mais de origem possível, do princípio até ao fim, razão pela qual não alterámos suspensões e muito menos montámos rodas de raios… e sim enfrentámos o desafio com jantes de estrada.

Outros elementos porém eram fundamentais… Proteções de cárter e de motor para salvaguardar a integridade da moto perante alguma caída (nenhuma ) ou batida ( muitas ) e outro elemento fundamental, umas peseiras de enduro já que as de origem são estreitas e sem o grip necessário para nos manter bem agarrados à moto. Optámos por montar umas peseiras de CRF450.

Mais um elemento de proteção foi sugerido para salvaguardar mãos e proteger guiador e manetes de travão e embraiagem.  Finalmente para poupar o escape de origem e dar-lhe um pouco mais de vivacidade e resposta ao motor decidimos montar uma ponteira Termignoni, de início sem silenciador, mas optámos por montar o “DB Killer” pois na versão totalmente “aberta” a moto perdia um pouco de binário a baixa.

Para terminar, e uma vez que iríamos fazer todo o percurso de moto, ou seja, chegar ao ponto de partida na mesma e voltar no final para casa, era importante podermos carregar alguma bagagem, razão pela qual optámos por montar um pequeno porta-bagagens de origem da própria marca para podermos amarrar bem o nosso saco ( saco que durante a prova circulou entre etapas na carrinha da organização )

Resumo da Preparação e custos da mesma*

Pneus Continental TKC80  180,00 + iva

Escape Termignoni   452,23 + iva

Proteções de mão SW-Motech   82,62 + iva

Protecção de cárter SW-Motech  117,62 + iva

Proteção Givi de motor inferior  69,55 + iva

Proteção Givi superior    85,15 + iva

Pousa Pés CRF Off Road  185,00 + iva

*A preparação foi realizada nas oficinas do Concessionário Honda Lopes & Lopes

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Nos primeiros 400 Kms de estrada a Honda revelou um excelente desempenho garantindo conforto e proteção aerodinâmica, com consumos na ordem dos 3,6 Litros aos 100 Kms. No percurso fui acompanhado por dois amigos, conhecidos fãs da KTM, que levavam consigo uma Adventure 790 e uma 690 Enduro. A Honda CB500X em nenhum momento de sentiu inferiorizada e acompanhou com ligeireza as “laranjinhas” que teimavam circular à sua frente.

A opção dos pneus TKC80 revelou-se nesta primeira fase uma enorme vantagem proporcionando conforto e um excelente desempenho em alcatrão, sendo que as KTM se viram penalizadas pelos pneus mais vocacionados para Enduro que montavam ( ruidosos ).

À chegada a Vila Pouca de Aguiar a CB500X fez furor e virou cabeças confrontando-nos várias vezes com a mesma pergunta: “ Vais fazer o Lés-a-Lés com essa moto ? … Ganda maluco“   ( veremos ).

No dia seguinte esperava-nos o primeiro desafio. A primeira Etapa por terras do Douro revelou-se duríssima, com o terreno muito seco e duro ( realidade que se manteve até final ) e com subidas e descidas onde as motos Adventure mais pesadas mostravam grande dificuldade de transposição. A CB500X no entanto, com o seu motor progressivo com a agilidade que a caracteriza mostrou-se muito à vontade, até mesmo nas trialeiras mais complicadas soube superar as mesmas com distinção ( temos moto, pensei ). 

No final da 1ª Etapa chegámos a Pampilhosa da Serra a meio da tarde tendo rodado durante cerca 9 horas com algumas paragens pelo meio nos postos de controle e de abastecimento. Chegámos até frescos, apesar da dureza do terreno, graças ao conforto proporcionado pelo comportamento da CB500X .

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No dia seguinte o percurso desenrolava-se entre Pampilhosa da Serra e Coruche, uma etapa que para muitos foi mais suave mas para a CB500X mais dolorosa. A muita areia e pó começaram a penalizar os menores atributos da sua ciclística e da sua motorização relativamente à motos Adventure mais potentes e com electrónica sofisticada e as motos de Enduro ( muitas ) mais preparadas para OffRoad. A menor potência do motor ( 48 Cv ) não permitia enfrentar as zonas de areia com facilidade rodando o punho e procurando passar mais potência à roda traseira aligeirando o peso na dianteira.

Por outro lado o muito pó que se manteve durante todo o dia afectava drasticamente a nossa visibilidade colocando de forma inesperada todo tipo de obstáculos à nossa frente, desde troncos, pedras e buracos, armadilhas fatais para curso limitado de suspensões da CB500X para este tipo de situações, não tendo também a resposta de motor necessária para no momento determinado rodarmos punho e superarmos o obstáculo. Mas a nossa “Adventure improvável” lá foi superando tudo e mantendo um ritmo que surpreendeu muitos que nos acompanhavam.

A última etapa ligava Coruche a Faro e pudemos desfrutar dos longos estradões ao longo das intermináveis planícies Alentejanas alternadas com algumas zonas técnicas. No entanto a maior descontração num percurso mais aberto pode trazer dissabores… No pó do que circulava à minha frente acabei por entrar numa enorme cratera, formada por uma poça seca e funda e embater violentamente na borda da mesma, tendo sido um milagre não ter sido cuspido de cima da moto. Parei a achar que o pneu não teria resistido ao impacto, tal foi a violência, ou mesmo a jante ter partido e que a aventura iria ficar por ali… Mas não, apenas uma pequena amolgadela na jante e o pneu sem uma beliscadura ( ainda bem que pedi para colocarem câmaras de ar extra resistentes da Michelin, de 4mm, que mostraram nesta situação ser a opção certa ). Recuperámos do susto e seguimos caminho.

Chegámos a Faro de alma cheia e com a satisfação de termos superado o desafio que nos colocámos e à nossa “improvável Adventure” Honda CB500X. No dia seguinte regressámos a Lisboa, mas não sem antes irmos até à Ilha de Faro comer umas excelentes ameijoas à Bulhão pato e um Robalo de mar escalado… é que o Lés-a-Lés é um passeio e não uma prova pelo que paralelamente ao desafio das dificuldades terreno há que explorar e saborear também a gastronomia local.

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No total percorremos 1.987 Kms entre aqueles que faziam parte do Lés-a-Lés e aqueles necessários para chegar ao ponto de partida e voltar. O Lés-a-Lés é 2/3 fora de estrada e /3 de estradas secundárias de ligação, pelo que poderemos assumir que no total poderemos ter realizado cerca de 700kms OffRoad e 1.300 OnRoad.  Terminámos com um consumo médio de 4,1 litros ao 100Kms e após uma passagem por um posto do “Elefante Azul” e 3 euros de lavagem em moedas, entreamos a moto à Honda Motor Europe Portugal praticamente como a recebemos, apenas aquela pequena e inevitável amolgadela na jante fruto de uma armadilha incontornável.

E agora que moto “improvável” iremos levar para o 6º Lés-a-Lés OffRoad em 2020 ?

Características Honda CB 500 X de 2019 ( Ver ficha completa AQUI )

Tipo de motor = Bicilíndrico, refrigeração líquida
Cilindrada
= 471 cm3
Potência
= 48 cv às 8600 rpm
Binário
= 43 Nm às 6500 rpm
Nº de cilindros
= 2 em linha
Distribuição
= DOHC com 4 válvulas por cilindro
Alimentação
= Injecção electrónica PGM-FI
Refrigeração
= Líquida
Diametro X Curso
= 67 x 66.8
Taxa Compressão
= 10.7:1
Ignição
= Digital

Transmissão = Corrente
Embraiagem
= Húmida, multidisco
Numero Velocidades
= 6

Tipo de quadro = Aço, tipo diamante
Angulo coluna direcção
= 27.5 º

ABS = Sim
Diametro disco dianteiro
= 310 mm
Pinças dianteiras
= 2 êmbolos
Diametro discos traseiros
= 240 mm
Pinças traseiras
= 1 êmbolo

Roda Dianteira = Jante raiada de alumínio fundido 19″
Medida pneu dianteiro
= 110/80R19M/C
Roda Traseira
= Jante raiada de alumínio fundido 17″
Medida pneu traseiro
= 160/60R17M/C

Consumos = 3.6 L/100km
Emissões CO2
= 80 g/km

Comprimento = 20155 mm
Largura
= 825 mm
Altura
= 1410 mm
Distância entre eixos
= 1445 mm
Altura do assento
= 830 mm
Distancia ao solo
= 180 mm
Capacidade do deposito
= 17.7 L
Trail
= 108 mm
Peso em marcha
= 197 kg

Preço = 6850 €

Cores Disponiveis = Preto, vermelho, branco

Fotografia: Paulo Ministro e Pedro Rocha

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