Teste da Yamaha T-MAX / Tech Max 2022 – A Jóia da Coroa

By on 29 Março, 2022

Ensaio realizado por Alfonso Sánchez – Solomoto

Os diamantes são produzidos sob condições de pressão extrema e durante um largo período de tempo. Um processo duro que no final tem a sua recompensa, a de produzir algo de uma beleza e qualidades únicas. Assim é a Yamaha TMAX, igualmente forjada em condições adversas, no caótico trânsito urbano do Séc. XXI. Uma preciosidade que se tem vindo a polir ao longo dos anos até alcançar hoje o seu grau máximo.

A versão 2022 da maxiscooter da casa japonesa  supõe um climax evolutivo de um conceito que combina as virtudes de uma moto e de uma scooter, em partes iguais. Uma mestiçagem que se revelou fundamental e está por detrás do sucesso comercial deste produto inicialmente apresentado em 2001.

São já oito as gerações da T-MAX, uma scooter sobre a qual a Yamaha tem vindo a polir várias facetas e modelando pormenores até lhe permitir atingir as suas virtudes máximas em toda a plenitude.

E não foi tarefa fácil. Há pouco mais de 2 anos, nos finais de 2019, apresentava-se a sétima versão desta scooter desportiva e então já comentávamos “ que parecia impossível conseguir melhorar um produto como a T-MAX, tendo a Yamaha conseguido novamente colocar a sua maxiscooter num degrau mais acima”.

Como bons artífices, os engenheiros e desenhadores da marca japonesa encontraram novamente a forma de colocar a sua preciosa jóia a brilhar ainda mais.

Com mais de 350.000 unidades vendidas, a T-MAX surpreende pela sua infinita capacidade de continuar a cativar  o seu próprio público. Ao longo de mais de duas décadas consegue manter um nível de vendas estável, sendo uma das scooters de alta cilindrada mais solicitadas.

Sobretudo nos países latinos, pois parece que o ADN desportivo do modelo acaba por ser mais atractivo para os europeus  mais meridionais, realidade comprovada pelas vendas nos mercados de França, Italia e Espanha, mercados referência deste modelo. Um público que parece manter-se fiel à sua decisão já que, de acordo com a Yamaha,  aproximadamente 40% dos clientes que têm uma T-MAX, repetem a decisão de compra quando surge uma nova versão da mesma.

Salvaguardar a Essência

A Yamaha T-MAX 2022 supõe a sublimação do conceito inaugurado em 2001 e como tal, introduz uma série de alterações importantes sem perder no entanto a sua essência fundamental. Desta forma tanto o motor como a ciclística mantêm-se praticamente inalterados de forma a garantir o mesmo tacto e desempenho desportivo que converteram a T-MAX num ícon do seu segmento.

O motor da T-MAX continua a ser um bicilíndrico de 562cc com uma cambota a 360º e piston alternativo como equilibrador para evitar vibrações. Uma mecânica que vem adaptada à normativa Euro 5 mantendo a potência de 47,5 CV e um binário sólido de 55,7 Nm.

O quadro também não sofre alterações e mantém a anterior estrutura em alumínio fundido que tão bons resultados tem proporcionado. As suspensões mantêm a forquilha invertida de 41mm na dianteira e o mesmo mono-amortecedor traseiro.  O sistema de travagem mantém-se inalterado, com duplo disco dianteiro e pinças radiais de 4 pistons.

Mas apesar de a motorização da T-MAX de 2022 não se ter alterado  o seu desempenho melhorou graças à introdução de pequenos pormenores que a fazem brilhar ainda mais como é o caso da carenagem frontal mais afilada, com aletas e entradas de ar mais angulosas e uma carroceria em geral mais compacta onde se destacam dois novos faróis de tecnologia LED na dianteira.

Em sintonia com a dianteira também o desenho mais esbelto da traseira procura precisamente passar a mesma sensação de maior ligeireza  que respira a T-MAX de 2022.  Por essa razão vemos um farol traseiro que apesar de mais afilado mantém a configuração em T.

E como não só de imagem vive o homem também além da sua estética apelativa a T-MAX preocupou-se com o seu lado funcional, tendo a Yamaha revisto a sua ergonomia para a tornar mais cómoda.

Espírito Racing

Este modelo sempre se caracterizou por proporcionar uma postura “ao ataque”  comparativamente com os restantes modelos do mercado no seu segmento. Na T-MAX de 2022 é ainda mais evidente essa característica e assim que montamos na moto sentimos esse convite com uma postura mais inclinada sobre a roda dianteira. Uma vocação racing que é ainda mais explorada com um novo guiador de alumínio forjado, com uma estética moderna e simplista, colocado numa posição ligeiramente mais baixa e adiantada.

O assento é agora mais comprido e as plataformas para colocar os pés são agora mais espaçosas. Um painel de informação ajustável em inclinação e o assento com apoio lombar também ajustável em 30mm, contribuem também para melhorar a postura na condução.

Antes de continuarmos queremos fazer referência ao facto de termos mencionado que a nível da sua ciclística a T-MAX de 2022 não tinha sofrido alterações, o que é verdade salvo um ou outro pormenor. Pormenores que na verdade acabam por fazer toda a diferença como pudemos comprovar no teste dinâmico que realizámos.

Em primeiro lugar as suspensões têm agora uma diferente afinação, mais desportivo, para gerir melhor a potência do motor e peso de todo o conjunto. A somar a esta realidade a Yamaha emprega agora umas novas jantes “Spin Forged”, mais ligeiras graças a um novo processo de fabrico que permite produzir secções mais estreitas sem perder resistência e rigidez.

Graças a essa tecnologia consegue-se reduzir o peso não suspenso e reduz-se o momento de inércia em cerca de 10% na parte dianteira e cerca de 6% na parte traseira.  A esta realidade há que acrescentar a montagem de novos pneus Bridgestone Battlax SC2 de perfil desportivo, o que deixa antever um resultado final certamente previsível.

Resultado que pudemos confirmar, coma T-MAX de 2022 a manter-se firme nas travagens mais fortes, a manter estabilidade nas trajectórias em curva quando soltas os travões, a absorver sem problemas todas as irregularidades do asfalto, de tal forma que as mudanças de direção se realizam com uma enorme fluidez e uma sensação de aderência e segurança a toda a prova, levando-nos a curvar ao limite da sua inclinação assinalada pelo roçar do seu descanso central.

Melhor em Estrada Aberta

É certo que a T-MAX continua a ser algo grande para circular com facilidade em cidade e que a largura da sua zona central faz com que os seus 800 mm de altura do assento pareçam bastante mais altos. Também o seu peso de pouco mais de 200 Kg não facilita as manobras sobretudo quando parados. No entanto toda esta realidade deixa de existir assim que temos estrada aberta à nossa frente.

Já em estrada é quando todas as suas qualidades se começam a destacar, com o motor, suave e doce em cidade, a subir de rotação com enorme facilidade e a exprimir com um rugido toda a sua potência de cerca de 50 CV. A rodar rápido mantém a estabilidade e trajectória de forma surpreendente e em curvas rápidas ataca como se uma desportiva se tratasse, tornando-se muito divertida em percursos revirados de montanha . Se nos distraímos rapidamente estamos a rodar a velocidades muito acima dos limites permitidos.  Acelera muito bem á saída das curvas e quando pretendes ajustar a entrada na curva seguinte tens a garantia de um excelente tacto dos travões e da sua eficácia, se bem que se tivesse algo mais de “mordida” no início, não perderia nada.

Outro ponto a favor é que graças à sua nova ergonomia e a uma postura subtilmente mais desportiva sobre a roda dianteira, o trajectos mais longos tornaram-se mais confortáveis sendo uma boa opção para quem queira fazer turismo com a T-MAX.

Outras novidades melhoram também em equipamento a versão 2022 da T-MAX como por exemplo a chave inteligente que se associa a dois botões colocados debaixo do guiador e que permitem a abertura do tampão de gasolina, situado agora na frente do assento, e também a possibilidade de arrancar o motor , abrir o assento e desbloquear o descanso central.

Outra evolução importante está ao nível do painel de informação. O antigo painel LCD foi agora substituído por um moderno painel TFT a cores de 7 “.  A T-MAX com agora com toda uma nova dimensão em termos de electrónica, com acelerador Ride by Wire,  que inclui controle de tração e dois modos de condução, o S de carácter mais Sport e o modo do T de Touring com uma entrega mais suave de potência.

Tudo sob Controle

De volta ao painel TFT de 7” , podemos no mesmo optar por 3 modos de visualização, o Sporty, o Intelligen e o Authentic. A conectividade está assegurada via Bluetooth, Wi-Fi e também USB através da utilização da App MyRide da Yamaha.  Em termos de navegação a Garmin oferece um mapa completo para nos orientarmos, embora seja necessária uma subscrição  de serviços junto dos mesmos.

Toda a gestão e controle de toda a informação é feita a partir de um pequeno joystick situado no punho esquerdo, de forma intuitiva e simples embora se tivermos luvas grossas corremos o risco de acionarmos outras funcionalidades e não aquela que pretendemos.

Ao nível da personalização a Yamaha dispõe de um catálogo extenso de acessórios e packs de equipamento para podermos tornar a T-MAX mais desportiva ou mais turística, dependendo do objectivo da sua utilização. Desde um escape especial da Akrapovic a diferentes écrans dianteiros, passando por todo tipo de acessórios, como top cases ou proteções laterais,  inúmeras possibilidades para que possas personalizar a T-MAX a teu gosto.

Por fim concluirmos que a Yamaha T-MAX, depois de mais de dois séculos de existência, consegue surpreender-nos, melhorando o seu desempenho e reforçando o seu ADN desportivo.  É caso para dizer que a “Jóia da Coroa”  brilha ainda mais depois de todos estes anos.

A Yamaha TMAX será oferecida em amarelo Extreme Yellow, em azul Icon Blue e em cinza Sword Grey, enquanto e a Tech Max será ‘vestida’ com duas cores específicas Dark Petrol e Power Grey. A versão standard tem um PVP base de 11.995.- euros e a versão Tech Max tem um PVP base de 14.395.- euros.

O que mais nos gostou e o que menos…

MOTO +

  • Uma ciclística impecável
  • Uma mecânica potente e suave
  • Estética melhorada

MOTO –

  • Larga e alta
  • Dificuldade de chegar com pés ao solo
  • Comando dos intermitentes próximo do Joystick

Ficha técnica

  • Motor tipo:                             Bicilíndrico paralelo, 4T, LC, DOHC, 4 válv.
  • Diâmetro x curso:                 70 mm x 73 mm
  • Cilindrada:                             562 c.c.
  • Potência máxima:                 47,5 CV a 7.500 rpm
  • Par motor máximo:              55,7 Nm a 5.250 rpm
  • Emissões de CO2:                  112 g/km
  • Alimentação:                          Injeção electrónica
  • Caixa:                                      Variador automático CVT
  • Embraiagem:                          Multidisco em óleo
  • Transmissão secundaria:     Correia trapezoidal
  • Tipo chassis:                          Dupla viga em alumínio
  • Geometría de direcção:         N.d.
  • Braço oscilante:                     Braço duplo de alumínio
  • Suspensão dianteira: Forquilha invertida 41 mm curso 120 mm
  • Suspensão traseira:              Amortecedor hidráulico, 117 mm de curso
  • (ajustável em pré carga na versão Tech Max)
  • Travão dianteiro:                  Duplo disco de 267 mm,
  • Pinças dianteiras.                  Radiais de 4 pistons, ABS
  • Travão traseiro:                     Disco 282 mm, pinça de um pistón, ABS
  • Pneus:                                       120/70×15” e 160/60×15”
  • Distancia entre eixos:           1.575 mm
  • Altura assento:                      800 mm
  • Peso –em ordem marcha:    218 kg
  • Depósito:                                15 litros                                             
  • Consumo médio:                   4,8 l/100 km
  • Autonomía teórica:                310 km
  • Garantía oficial:                     3 años
  • Importador:                           Yamaha Motor Portugal
  • Web:                                       www.yamaha-motor.eu/pt
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