Teste Super Soco CPx – A best seller das scooters eléctricas

By on 17 Setembro, 2021

A realidade da mobilidade urbana está a transformar-se. Com o aumento do preço dos combustíveis, as pessoas procuram cada vez mais soluções que lhes permitam ter um meio de transporte práctico, com preocupações ambientais e de baixo custo diário. A Super Soco CPx está no topo de vendas das scooters eléctricas no nosso mercado. Nós fomos conhecê-la melhor, e ficámos bastante surpreendidos!

Por Pedro Alpiarça

Confesso que os primeiros kms aos comandos desta scooter foram embrulhados por sensações díspares. A ausência do som de um motor e das suas vibrações, colocou-me num permanente estado de alerta, como se um dos sentidos tivesse ficado mais desperto, uma nova capacidade de ler o espaço que me rodeia. Sentado na Super Soco CPX, a fintar o trânsito com a desenvoltura de uma 125cc, dei por mim a interrogar-me se seria normal ter vontade de cantar.

Não cheguei a tanto, mas garanto-vos que fiz a 2ª circular inteira a assobiar o “Verão Azul”, entusiasmado com o meu novo super poder. Despachadinha, silenciosa e com pinta, a Super Soco estava a começar a convencer-me, depois da postura inicial de quem sempre adorou ser um céptico e um velho do Restelo em relação aos veículos eléctricos (estou bem melhor, fruto de uma evolução não muito natural…).

A entrega de potência deste motor é bastante linear, depois do impulso inicial, vai progredindo na subida de rotação, desculpem, da amperagem! Vai embalando, ganhando velocidade e consegue facilmente manter o seu momento até chegar a valores muito semelhantes às suas congéneres a combustão. A CPX não é uma scooter desportiva, por mais que a marca o venda, mas também não é lenta, se conhecermos bem a sua disponibilidade, dificilmente nos colocamos em situações de aperto. A não ser…que não nos ouçam.

São 4,8 kW (6,5 cv) e 170 Nm, sendo que estamos na presença de um motor eléctrico e esta avalanche de binário tem sempre de ser compreendida na sua imediata entrega modulada pelo potenciómetro no punho direito. Não havendo atrito de partes internas móveis nem queima criminosa de restos de dinossauros, a gestão de tanta energia entregue na roda traseira está sempre dependente de outros factores (como a capacidade da cablagem, por exemplo).

E ainda bem, porque não só fazemos as Grettas deste mundo felizes, como poupamos pneu e evitamos estar permanentemente de roda dianteira no ar. Até porque o motor da CPX está directamente ligado à roda traseira, num sistema directo, sem transmissão ou variador, tudo gestão electrónica.

 

Mas vamos às grandes questões, aquelas que nos fazem pensar neste tipo de máquinas como vislumbres de um futuro não muito distante. A CPX tem 3 modos de entrega de potência, que na verdade são apenas limitadores de velocidade (e por consequência influenciam a sua autonomia). Com a velocidade máxima nos 50 Km/h temos uma autonomia de cerca de 240 km, no modo intermédio conseguimos atingir os 70 Km/ e valores de estimativa de distância a percorrer na ordem dos 180km.

No modo mais desportivo, onde conseguimos espremer todos os electrões da bobine, atingimos velocidades acima dos 90 Km/h e uma autonomia de cerca 140km (em teste conseguimos chegar muito próximo destes valores, passou dos 95 Km/h facilmente e chegamos a concluir  cerca de 132 km seguidos). Nada mau, nada mau, mesmo!

 

Claro que falamos da versão com duas baterias, presentes na unidade testada, e na nossa opinião, a grande mais valia desta Super Soco. A sua intermutabilidade, significa que podemos ter uma bateria a carregar em casa (3,5 horas para um carregamento completo) enquanto temos a capacidade de rolar pequenos trajectos com a segunda bateria montada na moto. Um sistema inteligente e práctico, como se deixássemos “meio deposito de combutivel” pronto a utilizar como trunfo. Qualquer coisa como, vou trabalhar à tarde, mas agora posso ir ao pão porque tenho 70km a “carregar”….É exactamente isto.

 

A convivência diária com a CPX é uma experiência agradável, a sua presença estilizada (farol full LED) dá-lhe uma imagem cool,o assento é largo e confortável (mesmo para o passageiro) a travagem combinada (não tem ABS) tem a mordacidade e potência necessárias para percebermos o quanto podemos abusar, e a boa leitura da suspensão dianteira associada às jantes de grandes dimensões  (16″ no eixo dianteiro, 14″ no eixo posterior) remetem-nos a uma postura confiante. Acreditamos que em condições de asfalto molhado, porém, um importante sistema como o ABS seja fundamental…

 

Boa protecção aerodinâmica proporcionado pelo vidro fontal (sem ajuste) e uma ficha USB por cima de um compartimento aberto onde colocaríamos objectos que nos ligam ao mundo (telemóveis, carteiras, etc), completam os luxos disponíveis. Espaço de arrumação só se comprarmos a top-case como extra (volume de 33L, sendo que no Verão houve uma campanha que a incluía) até porque o suporte em aço já lá está. Debaixo do assento encontramos as duas baterias (possibilitando um bom acesso e facilidade de manuseamento das mesmas). É o futuro e obriga a concessões, mas não podemos deixar de ter saudades da praticabilidade que aquele espaço nos oferece nas scooters normais.

 

Nos dias em que rolámos com a Super Soco CPX fomos abordados por bastantes curiosos, aos quais mostrávamos a marcha-atrás eléctrica como truque de circo. Faz sentido que seja a scooter electrica mais vendida no nosso mercado, a qualidade dos componentes sente-se nos pormenores, no simples LCD com toda a informação disponível, um amperímetro a fazer de conta rotações e os níveis de carga das duas baterias e respectivas autonomias, até ao sistema de chave Keyless e a ligação a uma App Super Soco dedicada (diagnostico das baterias, localização e trajectos, alarme, etc). O interesse do publico remete sempre a duas importantes questões, qual a velocidade máxima e por quantos kms conseguimos rodar com ela. De sorriso feito com as agradáveis respostas, fazem outra, ainda mais relevante. O preço. Não podemos esquecer que a moto mais vendida em Portugal é uma rival (a Super Soco CPX é matriculada como 125), e as comparações são inevitáveis.

 

A Super Soco custa 5699 € na versão de 2 baterias (com apenas uma fica a 4599 € e serão 1300€ se as quisermos comprar à parte). Garantia de 3 anos. Pois, é mais cara que uma PCX, era a minha resposta, e depois salientava o óbvio: anda “quase” o mesmo (mas faz metade dos quilómetros) e custa muito menos a manter (manutenções de consumíveis practicamente inexistentes). Pode ser que agora os hipsters citadinos se convençam a largar as trotinete electricas e a comprar uma moto…sem deixarem de se sentirem “fixes”. Nós ficámos fãs!

 

 

Gostámos

  • Autonomia
  • Qualidade de construção
  • Intermutabilidade das duas baterias

A melhorar

  • Ausência de ABS
  • Ausência de espaço de arrumação debaixo do assento

 

Ficha Técnica:

Motor

MotorElectrico, 4800 W de potência máxima
Potência4,8 kW (6,5 cv); 170 Nm
Baterias60 V 45 Ah (3,5 horas tempo de carregamento)
Autonomiaaté 140 km (com 2 baterias); até 70 km (com uma bateria)

Ciclística

QuadroAlumínio e Aço
Suspensão Dianteira / TraseiraForquilha hidraulica invertida / Hidraulica
Travagem Dianteira / TraseiraDisco 240mm / Disco 180 mm, travagem combinada
Pneus100/80 R16 ; 110/80 R14

Dimensões e Preço

Altura do assento760 mm
Distância entre eixos1365 mm
Peso115 Kg (incluindo uma bateria)
Preço4599 € ; 5699 € (com 2 baterias)

 

Cores Disponíveis:

 

Concorrentes:

  • NIU NQi GTS

3100 W ; 105/115 km de autonomia ; 4,499 € (versão 2 Baterias)
  • Honda PCX

9,2 kW (12,5 cv) ; 300 km de autonomia ; 3,150 €

 

Galeria:

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