Contacto Tracer 9 e 9 GT – A evolução de um líder

By on 23 Março, 2021

A Yamaha apresentou uma renovação de raiz da Sport Touring mais vendida da Europa. Aprimorou a estética, dotou-a dos apetrechos electrónicos de ultima geração, ganhou potência e binário no fantástico CP3 (agora preparado para o Euro 5), e sobretudo trabalhou intensivamente no melhoramento da sua ciclística. A Yamaha Tracer 9 e 9 GT continuará certamente a ter o seu protagonismo intocado.

Texto de Pedro Alpiarça

Está um frio de rachar. Céu azul, alamedas ladeadas por ciprestes, colinas verdes, paisagens que merecem ser pintadas, tudo o que a nossa vista alcança parece ter sido pensado ao pormenor. A moto que nos fará companhia neste dia, está a aquecer o motor, soltando uma nota grave e encorpada, diz-nos que está pronta para o desafio, que irá fazer jus ao enquadramento.

De facto, a nova Tracer está mais elegante, as carenagens têm um alongamento na secção frontal que lhe dá um perfil mais completo, a  iluminação full-LED está com um look agressivo e lembra a família desportiva da marca. A silhueta não mudou, mas amadureceu de forma a criar mais impacto, numa clara tentativa de nos dar a entender que está noutro nível. No cockpit, o novo mostrador dividido faz-nos lembrar os olhos de um simpático e apaixonado robot que apenas recolhia lixo e acabou por devolver a humanidade ao planeta terra. É practicamente impossível não fazer esta analogia, e se a Yamaha não o fez propositadamente, foi uma coincidência feliz e que nos ajuda a criar empatia com a máquina e nesta era de TFTs que são autênticos tablets, gostámos de ver algo diferente, funcional, revela carisma.

No lado esquerdo temos toda a informação associada à condução (mapas de motor, controlo de tracção, contra-rotações de cor variável, velocímetro, indicador de mudança e combustível), assim como pode ser transformado num display com todos os settings parametrizáveis das ajudas electrónicas. No segundo mostrador temos vários quadros com informações como temperaturas, odómetros totais e parciais, tudo muito intuitivo e de fácil acesso com o novo comando tipo roda de selecção a ser crucial neste processo.

Chegada a altura de arrancar, calhou-nos a versão standard, sem punhos aquecidos, suspensão sem cérebro digital, e passagens de caixa à macho…com embraiagem e tudo. Neste dia frio, com estradas rurais e asfalto rude, o facto de começarmos com a Tracer menos filtrada, deu-nos uma bagagem de sensações e de compromisso de entendimento com a máquina. Os Bridgestone T32 que a equipam vão-nos dando alguns avisos, tudo sob controle, mas o seu carácter algo rijo demostram a sua vertente mais turística do que desportiva…

O novo motor CP3 está agora mais evoluído, foram redesenhados componentes internos desde novos pistons e uma cambota com mais massa, à admissão e linha de escape, com vista a previligiar a leveza mas com aumento dos valores de potência e binário (119cv @ 10,000rpm; 93Nm @ 7,000rpm). O resultado é uma resposta mais cheia nos baixos e médios regimes, com um cantar fantástico no último terço, e mesmo começando o dia com condições mais complicadas, o 2º nível do mapa de motor revela uma condução controlável mas contundente, típica de uma boa Sport Touring. São 4 os níveis, sendo que quanto menor o número, mais desportiva se torna. As ajudas electrónicas associadas também funcionam no mesmo princípio, e esta simplicidade facilita a escolha. O IMU de 6 eixos oferece à Tracer 9 todo um novo conjunto de almofadas de segurança (Controlo de tracção, Anti-Slide, Anti-Lift, Cornering ABS, tudo parametrizável ao gosto do condutor), ao ponto de nos deixar deslizar a roda traseira ou até mesmo permitir levantar a dianteira controlando a razão de subida…mas calminha porque não dá para limitar o ângulo!

Não faltou muito para começar a aumentar o ritmo. O civismo deste motor é proporcional à sua vontade de ser um verdadeiro hooligan, não são poucas as vezes que rolamos numa mudança mais alta e esmagamos o punho direito só para navegarmos na interminável onda de torque, fazendo ecoar o CP3 nas colinas verdejantes.

O trabalho da Yamaha no capítulo da ciclística foi notável. Se a base da Tracer sempre foi a MT09, esta ultima versão está construída de raíz, com um enfoque na estabilidade e na previsibilidade das reacções. Um reposicionamento do motor, uma mesa de direcção muito mais baixa, um novo quadro Deltabox , jantes de 10 raios de alumínio forjado com técnica de spining (tornando-as mais leves), e um braço oscilante mais rígido (montado directamente  no quadro), mostram claramente que a Yamaha quis aprimorar a solidez da ciclística, não descurando o peso e a agilidade (213 kg na 9 e 220kg na 9 GT).

Na práctica, sempre que carregámos velocidade nos apoios mais longos, a máquina esteve sempre bem plantada, e nem as pequenas oscilações lhe pertubaram a intenção. As suspensões kayaba totalmente ajustáveis da versão Standard fazem um optimo trabalho, acompanhando a progressividade das reacções e dando um excelente feedback sobre o que se está a passar. A travagem conta agora com as maxilas Nissin radiais, num paradigma de potência e modelaridade que nada temos a apontar. O grande problema de rolar na Toscânia é que nem sempre conseguimos ver a paisagem a 45º, e o olhar não consegue só ficar focado no próximo ponto de travagem e procura do Apex…

A versão GT é mestre nesse compromisso. A suspensão semi-activa da Kayaba tem um set-up A2 mais touring, mais refinado, mais confortável sem ser excessivamente brando. Como estamos a falar de um sistema ligado ao IMU, todos os movimentos são analisados ao milissegundo, seja dos inputs que damos no acelerador e no travão, seja na leitura do piso.

Foi muito interessante fazer exactamente a mesma secção de estrada com as duas máquinas, e o refinamento da GT com as Kayaba no modo A1 (mais desportivo) foi notável, muito mais assertiva a tomar decisões, sem levantar questões de maior ao condutor.

O quicK-shift bidirecional ajuda nesta facilidade de comunicação e os 10 níveis do aquecedor de punhos…é um preciosismo que vai dar azo a algumas piadas da parte dos amigos. As cornering lights também estão presentes na versão GT, com um led de intensidade variável.

A Tracer 9 e 9 GT serão motos com grande apetência para viajar. Cruise Control, assento confortável e os consumos baixos são os mínimos para esta vertente. Toda a ergonomia é ajustável, assim como o écran, e a Yamaha garante agora a possibilidade de montagem de 3 malas, elevando a sua capacidade de carga. O facto de existir um reforço do sub-quadro e apoios basculantes nas malas laterais, é sinal de uma clara aposta na estabilidade sob todas as condições.

Não podemos deixar de dar ênfase a este esforço, a marca de Iwata ouviu os seus clientes e procurou dar respostas e soluções para garantir o sucesso de um dos seus best-sellers.

Nós ficámos sem dúvidas, o pragmatismo de uma evolução é feito de pormenores, e se a Tracer sempre foi sinónimo de oferecer muito por pouco…esta ultima versão coloca todo o pacote electrónico ao nível da concorrência, melhora a sua ciclística e o seu motor e completa o milagre com uma estética convincente. Brilhante. A Yamaha refere-se a estas máquinas como uma expressão de inteligência emocional. Não poderíamos estar mais de acordo, sobretudo quando em terra de bons vinhos podemos fazer analogias entre um estupendo que é caríssimo mas que só podemos usufruir dele uma vez…ou comprar várias vezes um muito bom que nos fará igualmente felizes. A colheita de 2021 da Tracer está optima..

 

Ficha Técnica:

Motor

Tipo de motorRefrigeração líquida, 4 tempos, 4 válvulas, 3 cilindros, DOHC
Cilindrada889cc
Potência119 cv @ 10,000 rpm
Binário93 Nm @ 7,000 rpm
EmbraiagemHúmida, Multidisco
Caixa de VelocidadesSincronizada, 6 velocidades

Ciclística

QuadroDiamante
Suspensão Dianteira / TraseiraForquilha Telescópica ajustável 130mm de curso (semi-activa na versão GT) / Mono Amortecedor ajustável (semi-activo na GT)
Travagem Dianteira / TraseiraHidráulico, dois discos, Ø298 mm / Hidráulico, um disco, Ø245 mm
Pneu Dianteiro / Traseiro120/70Z R17 M/C (58 W) ; 180/55Z R17 M/C (73 W)

Dimensões e Preço

Altura do assento810 mm – 825 mm
Distância entre eixos1500 mm
Capacidade do depósito18L
Peso213 kg ; 220 kg (GT); prontas
PreçoValores disponíveis no fim de Abril

 

Cores e Acessórios:

 

Concorrentes: 

 

  • BMW F 900 XR

105 cv; 219 kg ; a partir de 11,700 €

 

  • Ducati Multistrada 950

113 cv ; 204 kg a seco ; a partir de 14,150 €

 

Galeria:

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