Ensaio 1000 Kms em Honda X-ADV – Uma aventura por terras de “nuestros hermanos”

By on 27 Setembro, 2019

A convite da Honda Motor Europe Portugal partimos para mais uma aventura na nossa vizinha Espanha. O grupo era constituído por jornalistas espanhóis e portugueses com o objectivo de realizar mais um teste, desta vez exaustivo, naquela que se tem afirmado como o único SUV no sector das duas rodas, a Honda X-ADV.

A Honda Motor Europe Ibérica aguardáva-nos em Barcelona com uma surpresa… o trajecto a realizar com as multifacetadas Hondas X-ADV iria incluir todo o tipo de estradas e situações, incluindo todo-o-terreno, e no programa traçado para esses próximos 3 dias incluiria uma passagem na pista de Aragón para assistirmos ao Grande Prémio de MotoGP em “palco” privilegiado.

E assim começou a odisseia, com uma etapa inicial de mais de 400 Kms, onde a X-ADV mostrou todo o seu potencial. No percurso inicial realizado em Auto-Estrada pudemos uma vez mais constatar a perfeita proteção aerodinâmica proporcionada pelo écran frontal, colocado na posição mais alta, e pelas proteções de mãos que defletem também de forma eficiente o vento e o frio matinal.

Em curvas rápidas a X-ADV mostrou mais uma vez o acerto da sua ciclística e uma excelente distribuição de massas permitindo trajectórias bem desenhadas com a moto a ser colocada facilmente em curva e a manter uma estabilidade surprendente, quer em travagem à entrada das curvas quer em aceleração à saída das mesmas. Neste percurso mais “aberto “ mantivemos o selector na posição automática e deixámos a caixa DCT gerir todo o trajecto, procurando com um toque de acelerador reduzir caixa para ir buscar mais rotação e saída. Um processo muito divertido e fácil de nos habituarmos.

À chegada do primeiro “puerto”, estrada de serra, optámos por colocar em modo manual e trabalhar a caixa a partir dos dois selectores situados no punho esquerdo… a condução torna-se aqui viciante já que as passagens de caixa proporcionadas pela embraiagem dupla são de uma enorme precisão e rapidez permitindo manter um ritmo altíssimo de pilotagem.

Mais uma vez a X-ADV mostrou-se como uma “rainha da montanha”, a permitir ângulos de inclinação a fazer inveja a muitas desportivas e com uma precisão de trajectórias realmente impressionante, não acusando qualquer instabilidade e passando um grau de confiança que nos levava constantemente a testar os seus limites. E o limite foi inúmeras vezes apontado pelo roçar dos pequenos “pins” colocados na lateral da moto para informar que para além dos mesmos a responsabilidade passa a ser nossa. Os pins acabaram por terminar com metade da sua altura inicial…oops.

Mais à frente esperava-nos um troço de 50 Kms offroad… ideal para testar o o controle de tração em posição Off e garantir o total controle da aceleração e derrapagem da roda traseira. Apenas o ABS não era possível desligar o que em condução fora de estrada, mais agressiva, é importante sobretudo para obtermos com a derrapagem da roda traseira uma maior facilidade de colocação da moto na trajectória ideal.

Aqui para além do controle de tração desligado temos a opção de acionarmos um botão “G”, que permite que a caixa DCT funcione de uma forma mais directa e rápida. Para além das funcionalidades electrónicas a X-ADV permite a colocação lateral de umas peseiras do tipo enduro que facilitam muitíssimo a condução em pé. Aliás sem as mesmas, como pudemos comprovar pois existiam algumas unidades que não as montavam, é impossível conduzir em fora de estrada em pé em cima das plataformas.

O trajecto fora de estrada foi realizado com “souplesse” e sem grandes “derrapadas” para evitar levantar demasiado pó para os companheiros que circulavam atrás e também tendo em conta que os pneus montados estavam mais vocacionados para estrada do que para fora da mesma.

Finalmente e antes da chegada ao nosso destino tínhamos um novo desafio pela frente que nos tinha sido colocado… Nos últimos 50 Kms de estrada quem conseguisse fazer o consumo mais baixo teria um prémio especial. Tacómetros e parciais a zero e lá arrancámos cada um ao seu ritmo tentando obter o melhor registo possível em consumo médio…

A rodar na casa dos 70 Km/h e em 6a velocidade com a caixa em subidas mais íngremes a meter a 5a connosco a controlar teimosamente o punho do acelerador para manter a relação ótima de rotação/velocidade para conseguirmos o melhor resultado possível. No final conseguimos uns incríveis 2,5 litros aos 100Kms sendo que o ganhador, jornalista espanhol conseguiu ainda tirar 1 décimo obtendo um consumo de 2,4 l aos 100… ficando assim o prémio em Espanha.

A chegada foi já ao cair da noite e o destino um lugar mágico que dá pelo nome de “Torre del Visco” , que se situa a cerca de 70 Kms do Circuito de Aragón no meio do “nada”. Um “nada” cheio de tudo aquilo que mais necessitávamos após uma etapa de mais de 400 Kms.

No dia seguinte e após um pequeno-almoço preparado à nossa frente com produtos locais, o destino era o Circuito de Aragón… circuito onde durante os próximos dois dias pudemos assistir à arte de melhor pilotar protagonizada pelos melhores “actores” do mundo num dos palcos de maior excelência do MotoGP. O percurso realizado em “autovia” por estradas de excelente qualidade combinado com percursos de serra revelou uma X-ADV com um enorme potencial de ser classificada como uma touring desportiva tal era o seu desempenho e o tipo de condução que permitia realizar… quem diria que uma scooter poderia ter todo este potencial e versatibilidade.

Ficaram por isso marcados estes mais de 1.000 Kms realizados em 3 dias por momentos que perdurarão para sempre na nossa memória, numa combinação perfeita de moto, percurso, espectáculo e lugares únicos visitados e por uma confraternização ibérica animada de gente que gosta de motos.

O conceito X-ADV desenvolvido pela Honda e toda a tecnologia incluída no mesmo sai reforçado em termos da eficácia do seu desempenho e da abrangência da sua utilização, realidade que nos leva a pensar que poderia ser alargado a outras cilindradas dentro da gama de scooters Honda. Será essa uma realidade que nos espera para 2020 depois desta acção que vem novamente estimular a nossa imaginação ? Assim esperamos.

Um agradecimento final à Honda Motor Europe Portugal e à Honda Motor Europe Ibérica.

Ficha Técnica

Motor
Tipo de motor = Refrigeração por líquido, 4 tempos, cabeça SOHC de 8 válvulas, bicilíndrico paralelo
Cilindrada = 745 cm3
Potência = 55 cv
Rotação da potência máxima = 6250 rpm
Binário = 68 nm
Rotação do binário máximo = 4750 rpm
Nº de cilindros = 2
Disposição = Em linha
Distribuição = SOHC
Ciclo = 4
Válvulas por cilindro = 4
Alimentação = Injeção eletrónica PGM-FI
Refrigeração = Líquida
Diametro X Curso = 77 x 80
Sistema de arranque = Eléctrico
Taxa Compressão = 10,7:1
Norma Anti Poluição = Euro 4

Transmissão

Transmissão = Corrente
Embraiagem = Húmida, multi-discos, Dupla embraiagem (DCT)
Acionamento = Hidráulico
Numero Velocidades = 6
QuadroTipo de quadro = Tubos de aço, tipo diamante
Angulo coluna direcção = 27 º

Suspensões

Suspensão dianteira = Forquilha telescópica invertida de Ø 41 mm. Ajuste de pré-carga e ressalto
Curso dianteiro = 153.5 mm
Regulações dianteiras = Sim
Suspensão traseira = Sistema Pro-link com ajuste de pré-carga
Curso traseiro = 150 mm
Regulações traseiras = Sim


Travões

ABS = Sim
Travões dianteiros = Duplo disco
Diametro discos dianteiros = 310 mm
Pinças dianteiras = 2 êmbolos
Travões traseiros = Disco
Pinças traseiras = 1 êmbolo


Rodas/Pneus

Diametro da jante dianteira = 17 “
Medida pneu dianteiro = 120/70 R17
Diametro da jante traseira = 15 “
Medida pneu traseiro = 160/60 R15
ConsumosConsumo = 3.6 L/100km
Emissões CO2 = 84.4 g/km

Dimensões

Comprimento = 2245 mm
Largura = 910 mm
Altura = 1375 mm
Distância entre eixos = 1590 mm
Altura do assento = 820 mm
Distancia ao solo = 162 mm
Capacidade do deposito = 13.1 L
Trail = 104 mm
Peso em marcha = 238 kg

Cores Disponíveis = Vermelho, verde, prateado, branco, cinzento

Preço = 11.925.- €

Galeria de Imagens

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