Ensaio Ducati Diavel 1260 S de 2019 – Uma “Naked Power Cruiser”

By on 3 Julho, 2019

Recentemente produzimos um artigo onde analisámos e definimos os tipos de Naked Bikes existentes no mercado e quando chegámos à Diavel tivemos algum tempo a pensar que designação estaria mais de acordo com o seu desempenho, capacidades e a silhueta da Ducati Diavel. A sua estética musculada à partida, com um pneu Pirelli 240 Diablo Rosso III atrás e uma posição de condução baixa e apoiada num assento especialmente desenhado para suportar a deslocação do corpo dado o seu grande binário desde os mais baixos regimes, faz pensar que a Diavel possa ser uma espécie de “Drag Bike”, especialmente concebida para deixar qualquer um sem respiração e pendurado no seu guiador em cada arranque.

Mas a Diavel de 2019 tem também uma ciclística de moto desportiva, com a introdução de um novo quadro, um novo monobraço espectacular, suspensões Ohlins com um angulo mais fechado que na versão do ano anterior de forma a aumentar a sua agilidade e a facilitar a colocação em curva mas em simultâneo proporcionar também maior conforto de forma a garantir mais tempo a rodar sem grande cansaço. Assim chegámos a uma designação que identifica todo o potencial e amplitude do conceito da Diavel, será uma Naked Power Cruiser.

No passado existiu a V-MAX, talvez a primeira “Naked Power Cruiser” dadas as suas características e estética musculada semelhante, capaz também de grandes arranques sobretudo na versão “full power” no entanto o seu desempenho deixava muito a desejar pois a V-MAX não curvava, não travava e as suspensões eram um castigo para o nosso corpo ainda jovem nessa época.

A nova Ducati Diavel 1260 S define um novo patamar de desempenho num segmento que é quase só seu. Sendo uma Power Cruiser, a Diavel curva como uma desportiva, escondendo de forma admirável os seus 244 Kg, sendo muito fácil de colocar em curva e manter a trajectória apesar da largura do seu pneu traseiro, pneu especialmente concebido para a Diavel pela Pirelli, que  graças também às ajudas electrónicas que incorpora, toda a sua potência e DNA de “Drag Bike” estão perfeitamente controlados proporcionando mesmo assim uma experiência única de condução.

A nova Ducati Diavel 1260 de 2019 evoluiu substancialmente em relação ao modelo do ano anterior. O quadro é totalmente novo, com uma colocação do motor mais atrás e centralizando a distribuição de massas e montando agora um radiador na frente em vez dos dois laterais da versão anterior. O quadro em trelissa na parte superior dianteira, de cor vermelha no modelo que testámos, sustém o cilindro dianteiro do motor em V da Diavel, motor que funciona como elemento de reforço estrutural e que na sua parte traseira, junto ao segundo cilindro, monta um novo monobraço traseiro, onde o amortecedor está agora colocado numa posição superior ao mesmo permitindo a colocação do elemento catalítico do escape sua na parte inferior.

As suspensões no modelo S da Diavel 1260 que testámos são umas Ohlins de 48mm totalmente ajustáveis enquanto que no modelo 1260 standard são Marzocchi, também totalmente ajustáveis. Atrás a versão S monta um amortecedor também da Olhins colocado horizontalmente sobre o monobraço oscilante. O comportamento das suspensões é excepcional e garante um desempenho irrepreensível em qualquer situação garantindo segurança numa condução desportiva e conforto acima do que seria de esperar numa moto destas características, conforto que é complementado por um assento largo e confortável tanto para o condutor como para o pendura, que para este último tem uma interessante particularidade de um elemento extraível que sai da parte inferior do banco permitindo ao pendura segurar-se no mesmo e que do ponto de vista estético não interfere nem penaliza a imagem da traseira da Diavel.

Os travões são também referência, com pinças Brembo M50 monobloco na dianteira, assistidos por ABS da Bosch com sistema de ABS em curva, com dois discos de 320mm. Atrás um sistema semelhante de uma só pinça Brembo de 2 pistons, também assistida por ABS e ABS em Curva.

O motor da Diavel 1260 é um já conhecido da Multistrada bicilíndrico a 90º de 1.262cc, com 4 válvulas por cilindro, com o conhecido sistema DVT , Desmodrómico de abertura variável de válvulas, a debitar 157 Cv às 9.500 rpm e com um binário máximo 129 Nm às 7500 rpm. O motor este anos beneficia de um maior binário a baixa rotação sendo que a partir das 2. 3.000 tem cerca de 75% dos seu binário máximo proporcionando acelerações brutais sempre bem controladas por um controle de tração que apenas se nota a sua intervenção permitindo algum derrapar de roda no modo de motor mais desportivo mas nada que possa provocar descontrole ou desiquilíbrio da Diavel apesar da sua entrega de potência bruta. Sentimos porèm algum bater de válvulas abaixo das 2.500 rpm e uma resposta algo relutante nos regimes abaixo desse mesmo nível, penalizando uma maior suavidade na circulação em cidade.

A caixa de 6 velocidades vem com Quickshift de origem na versão S testada, que funciona nos dois sentidos, desenvolvido pela Ducati Corse, a funcionar na perfeição e a oferecer-nos o Blip de rotação extra nas reduções de caixa. A sensação em aceleração é a de estarmos numa moto de competição, com as típicas passagens de caixa sem embraiar sem que a rotação baixe e com um som absolutamente inebriante do seu escape.

A nível de ajudas electrónicas a Diavel 1260 S traz tudo o que de mais sofisticado a Ducati tem vindo a desenvolver. Incluem 3 modos de motor, Sport, Touring e Urban, este último reduz a potência do motor para os 100 cv. Cada modo de motor tem um setup correspondente de Controle de Tração e DTC em curva, de ABS e ABS em curva, de Controle anti-cavalinho e pode ainda ser programado para que qualquer dos modos tenha os valores que cada um prefira.

A Diavel 1260 S vem de origem com chave de ignição Keyless e tranca direcção através da pressão de um simples botão que serve também para ligar a moto. Os comandos são retro-iluminados nos punhos criando um belo efeito estético de noite. No comando esquerdo tem também o selector de Cruise Control.

O painel de informação TFT embora de apenas 3.5” é de leitura fácil e inverte a cor de fundo para uma melhor leitura à noite . A versão S permite ainda a utilização da aplicação Ducati Link que permite aceder a uma série de funcionalidades como gravar percursos, partilhar informação, fazer download de upgrades de software e ainda poder atender chamadas e ouvir música via bluetooth com um smartphone.

O farol dianteiro inclui na versão S um sistema de Luz-de-Dia num interessante formato de ferradura invertida e ambos são de tecnologia LED. O farol traseiro está integrado por debaixo do assento, composto por duas “lâminas “ verticais de grande visibilidade.

Após a conduzirmos e a testarmos nas mais variadas situações concluímos que a Ducati Diavel 1260 S é de facto uma classe à parte que quase define um segmento só seu, combinando de forma eficaz vários estilos e várias características que vemos em motos de outros segmentos, que vão desde as motos naked mais desportivas às mais turísticas, sendo ainda uma moto que impressiona pela sua personalidade estética e pelo seu desempenho dinâmico, entusiasmante pelo imenso binário do seu motor e pelo roncar do seu escape e que, para além de tudo mais, permite de forma inesperada uma condução desportiva, tendo um comportamento excelente em curva embora a sua inclinação seja algo limitada comparativamente a uma moto verdadeiramente desportiva.

A Ducati Diavel 1260 S está disponível em duas cores: Preto mate com brilhante e quadro vermelho e Cinza mate com alumínio escovado e quadro negro.

O seu PVP é de 22.745 euros sendo a versão normal 19.695 euros

 

Ficha Técnica

Motor 

Bicilíndrico em L, Testastretta DVT 1262, distribuição desmodrómica, 4 válvulas por cilindro, Dual Spark, refrigeração líquida

Cilindrada 1262 cc

Taxa de Compressão 13.0:1

Diâmetro x Curso 106 x 71.5 mm

Relação 1=37/15 2=30/17 3=27/20 4=24/22 5=23/24 6=22/25

Potência 159 cv (117 kW) / 9.500 rpm

Binário 129 Nm / 7.500 rpm

Alimentação Injeção eletrónica Bosch, corpos elípticos equivalentes a 56 mm, Ride-by-Wire

Escape Em aço inox, silenciador com dupla saída, catalizador e duas sondas lambda

Caixa 6 velocidades

Transmissão primária Engrenagem de dentes retos, relação 1.84:1

Relação 1=37/15 2=30/17 3=27/20 4=24/22 5=23/24 6=22/25

Transmissão final Pinhão de ataque 15 dentes; cremalheira 43 dentes

Embraiagem Multidisco em banho de óleo com comando hidráulico, servo-assistida e deslizante

 

Ciclística

Quadro Treliça em tubo de aço

Suspensão dianteira Forquilha invertida Öhlins com bainhas de 48 mm, regulável, com tratamento TiN

Jante dianteira Em liga leve com acabamento maquinado, 3.0” x 17”

Pneu dianteiro 120/70-ZR 17 Pirelli Diablo Rosso III

Suspensão traseira Amortecedor Öhlins totalmente regulável, monobraço em alumínio

Jante traseira Em liga leve com acabamento maquinado, 8.00 x 17”

Pneu traseiro 240/45 ZR 17 Pirelli Diablo Rosso III

Curso das suspensões (fr/tr) 120 mm / 130 mm

Travão dianteiro 2 discos semiflutuantes de 320 mm, pinças Brembo M50 monobloco de 4 pistões e fixação radial, bomba radial, Bosch Cornering ABS EVOBS

Travão traseiro Disco de 265 mm, pinça flutuante de 2 pistões, Bosch Cornering ABS EVO

Instrumentação Ecrã TFT a cores de 3,5”

 

Dimensões

Peso a seco 218 kg

Peso em ordem de marcha 244 kg

Altura do assento 780 mm

Distância entre eixos 1600 mm

Ângulo da coluna de direção 27º

Trail 120 mm

Capacidade do depósito de combustível 17 litros

Número de lugares Biposto

Garantia (meses) 24 meses, quilometragem ilimitada

Intervalos de serviço (km/meses) 15.000 km / 12 meses

Regulação das válvulas 30.000 km

 

Concorrência

Harley-Davidson FXDR   1.868 cc / n.d. CV / 289 Kg / 25.700 eur

Triumph Rocket 3     2.500 cc / 182 CV / n.d. Kg / 28.900 eur

Galeria

Deixe um comentário

Seja o primeiro a comentar!