Ensaio Ducati Panigale V2 – Maneiras Suaves

By on 23 Julho, 2020

Esbelta e graciosa como um Ferrari em 2 rodas, e com o vermelho vivo a condizer, a nova Panigale V2 repesca o nome da sua irmã mais feroz de 4 cilindros e aplica-o no tradicional formato da Ducati de 2 cilindros em V a 90 graus, debitando 155 cavalos às 10.750 rpm.

Tempos houve em que a maior Superbike da Ducati, a 888, nem chegava aos 900cc, mas agora, com a Ducati de Superbike a chegar aos 1198 cc, este motor Panigale Superquadro de 955cc é a versão mais gentil do motor de comando Desmodrómico, permitindo explorar toda a doçura de uma ciclística perfeita ao longo de uma larga faixa de utilização muito linear.

A moto segue a estética da Panigale R, desenhada por GianAndrea Fabbro, incorporando a solução excêntrica do amortecedor traseiro acoplado ao lado esquerdo do motor, até para complementar a adoção do monobraço da Panigale, em contraste com a 959 que este modelo substituiu.

ERGONOMIA

Esta moto não só é lindíssima à vista, mas agrada aos outros sentidos também, pelo mundo de emoções a que nos consegue transportar sem a resposta brutal ou dureza de suspensões que por vezes se receia numa Superbike.

Assim que nos sentamos, descobrimos que a bolha é muito estreita e não chega para nos esconder atrás da carenagem… O que faz, no entanto, é tirar toda a pressão do nosso peito, quando seguimos ligeiramente inclinados paa diante, tornando a posição do guiador ideal para uma desportiva.

Nem vamos muito encavalitados no banco, com peso demais nos pulsos, nem chegados demasiado atrás, sendo possível assumir uma posição mais agressiva se nos apetecer… por exemplo, para enfrentar uma série de curvas encadeadas que são a razão de ser desta moto.

Aí, podemos utilizar o apoio dos poisa-pés para a dirigir como que magicamente, cada pequeno movimento nosso provocando logo a correspondente resposta da ciclística sem mais esforço, talvez um toque nos avanços para a colocar na zona mais funda da curva, regressando com o abrir gradual do acelerador a fazer a moto erguer-se de novo a caminho da curva seguinte.

Numa reta, a aceleração não é de cortar a respiração, pois a subida de rotação do bicilíndrico em V leva o seu tempo a dar a volta ao mostrador TFT, mas há tanta faixa utilizável, que nos permite explorar o motor em diferentes combinações de passagens de caixa, brincando com a descida de rotações só para ver quanto conseguimos descer e continuar a sair muito limpa.

MOTOR

O ponto forte é justamente a forma gradual como tudo acontece, já que a entrega do motor Superquadro de 8 Válvulas é complementada perfeitamente pela linearidade da ciclística, mas nem se pense por isso que este motor é anémico.

De facto fazer um bicilíndrico desta dimensão atingir regimes estratosféricos por volta das 11.000 rpm faz com que haja faixa utilizável com linearidade entre as 5 e as 10 mil, mas com um puxão mais forte, que é imediatamente perceptível, entre as 8 e as 9 mil rotações.

Ao mesmo tempo, este motor tem uma sensação que não inclui a crudeza de anteriores gerações dos V2 da marca de Bolonha, pelo contrário, a sensação de entrega de potêcia à medida que o motor sobre de regime, é agora temperada com uma suavidade e ausência de ruídos mecânicos também ela muito agradável.  Se quiserem, não deixa de ser Ducati, mas é uma Ducati diferente.

Para isso, contribuem também os 3 modos de condução, Street, Sport e Race:

O Street é um bocadinho manso, pois apesar de manter os 155 cv do motor, modula a resposta do acelerador Ride-By-Wire e seria para enfrentar chuva ou piso escorregadio, pois torna a resposta do punho mais gradual, como se nunca fossemos atingir o limite de rotações e por outro lado, assegura um alto nível de intervenção dos controlos de tração e ABS.

A seguir, vem o modo Sport, que dá uma sensação de acelerador e subida de rotação mais direta, maximizando o ABS em curva e regulando as ajudas eletrónicas para uma condução desportiva.

Finalmente, no modo Race, a sensação do punho é muito mais direta ainda e supostamente, a eletrónica o menos interventiva possível… não é que com os superlativos Pirelli Diablo Rosso Corsa, perfeitamente à altura de participar num Track Day, alguma vez estivessemos em risco de provocar derrapagens, mas o motor sente-se mais cru e tudo começa a acontecer muito depressa, a resposta motor equilibrada com a rapidez de reação da ciclística.

Na prática, pelo puro gozo que dá e levando em conta a leveza da moto em condução, este seria o modo escolhido por nós, sem dúvida em detrimento de consumos mais contidos, mas quem pensa nisso com esta Panigale V2?

O pacote de assistências inclui os 3 Modos de condução já descritos, Street, Sport e Race, ABS em curva EVO, Controlo de tração Ducati DTC EVO 2, Controlo de cavalinho Ducati DWC EVO, Controlo de derrapagem Ducati DSC e Controlo de travagem motor EBC EVO.

ESTÉTICA

Esteticamente, a dianteira está muito próxima da anterior 959, mas a traseira, com o motor portante e o amortecedor colocado do lado direito, remete para a Panigale e torna a moto mais ligeira e menos sobrecarregada. A nova Panigale V2 está cheia daqueles pequenos detalhes que ainda estamos a descobrir uma horas depois de a ter nas mãos e tornam as motos italianas tão especiais… O emblema da Ducati na frente do vidro, a sigla Panigale V2 dos lados da carenagem, a inscrição Ducati na cauda que incorpora o tricolore… Até a Showa e a Pirelli entram na festa, com o piso do pneu gravado com o nome Rosso Corsa!

COMPORTAMENTO

Se o comportamento dinâmico é exemplar, benefieciando de uma boa estrada sem solavancos, os travões estão à altura, com aquela sensação sedosa das manetes Brembo e punhos estreitos que amplificam a sensação de controlo… A mordida das pinças Brembo é infinitamente modulável, doseando-se com dois dedos duma leve correção até à violência de desaceleração que quase provoca uma égua sem esforço, ajudada pela presença do ABS.

Até o pedal do travão traseiro tem um bom tacto, útil para aconchegar a moto, que se nota por vezes algo leve em curva, mas de uma estabilidade total…

Os avanços são ao mesmo tempo baixos e largos, e como não vamos excessivamente empinados na moto nem os pés vão exageradamente elevados, a posição de condução acaba por ser muito boa para uma desportiva deste tipo…

Do lado da suspensão, o famoso Showa Big Piston Fork proporciona uma variedade de ajustes conjugáveis com a regulação do amortecedor traseiro Sachs.

A única coisa que poderíamos criticar, fiel à sua vocação de moto de Track Day, é a ausência de uma leitura do nível de gasolina até que se acende o aviso de reserva…

De resto, pelos seus 17.795 Euros preço base, a Panigale V2 proporciona as sensações fortes que esperamos de uma Ducati, mas temperadas com uma nova sofisticação e conforto, que permitiria até alargar a sua utilização quase para o dia-a-dia…

FICHA TÉCNICA Ducati Panigale V2
Motor Bicilíndrico em L a 90 graus, refrig. líquida, 4 tempos
Distribuição DOHC 8 válvulas, comando Desmodrómico
Potência 155 cv às 10.750 rpm
Binário Máximo 104 Nm/9.000rpm
Taxa de Compressão 12,5 : 1
Diâmetro x Curso 100 x 60,8 mm
Ignição TCI
Alimentação Injeção eletrónica Magnetti Marelli, Ride by Wire
Instrumentação Écran TFT de 4,3 polegadas
Emissões CO2 100 g/km, 2 catalizadores e 2 sondas Lambda
Cilindrada 955 cc
Embraiagem Multidisco em banho de óleo servo-assistida
Caixa de velocidades 6 relações com Ducati Quick Shift up/down EVO2
Ciclística Monocoque em liga de alumínio
Braço oscilante Monolateral em liga de alumínio com túnel p a corrente
Dimensões 2.138 x 806 x 1270
Suspensão Frente Garfo telescópico invertido Showa BPF 43mm, curso 120 mm
Suspensão Traseira Mono amortecedor Sachs, curso 130 mm
Angulo direção/ Trail 24 graus /94 mm
Pneus, Frente – Trás 120/70 ZR17 – 180/60 ZR17 tubeless
Travão dianteiro Discos Brembo 320 mm c ABS, pinça Brembo radial
Travão traseiro Disco Brembo 245 mm c ABS em curva
Altura do assento 840 mm
Distância entre eixos 1436 mm
Distância livre ao solo 140 mm
Transmissão final Corrente
Peso, ordem de marcha 200 Kg/ 176 Kg a seco
Depósito de combustível 17 litros
Preço 17.795 €

CONCORRÊNCIA

Honda CBR1000R Fireblade

199 cv, 202 Kg, 22.200€

MV Agusta F3 800RC

148 cv, 173 Kg, 21.703€

Suzuki GSX-R 1000A

199 cv, 202 Kg, 17.999€

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