Ensaio Kawasaki Ninja 1000 SX Tourer – O melhor de dois mundos

By on 9 Julho, 2020

Ensaio realizado por Ricardo Ferreira, equipado com blusão e luvas Clover e capacete Givi, cedidos por MOTONI.

Cerca de dez anos depois de ser apresentada a Z1000 SX, modernizada, em quarta geração rebatizada como Ninja 1000 SX e pronta a vingar no campo turístico e desportivo, a ‘faz-tudo’ de Akashi proporciona o melhor de dois mundos, leva-nos a qualquer lado e quebra de uma só vez com a monotonia que se vivia no segmento das Sport-GT.

FOTOS DE RUI ELIAS

Para fazer os mundos do desporto e do turismo coexistirem, era sabido que adotar o sobrenome das motos mais rápidas de Akashi não bastaria. A nova Ninja teria de ter um visual a condizer. A frente alongada e estreita, a bolha redesenhada e ambos os lados da carenagem revistos para dar maior proteção – num primeiro olhar percebe-se que as suas linhas direitas foram beber alguma inspiração à soberana H2 – e a nova iluminação por Leds, dão razão a esse objetivo.

Os designers da Kawasaki sabem o que fazem, mas também sabem que a Z1000 SX é a Sport-GT mais vendida no Reino Unido e que num tempo de ‘vacas magras’, no segmento das motos de sport-turismo nada poderia ser deixado ao acaso.

Assim, a renomeada Ninja 1000 SX acolheu um novo painel TFT que pode mudar de cor (basta pressionar um botão e o fundo fica preto ou branco), que tem três modos de pilotagem (Sport, Road e Rain) e uma quarta possibilidade (Ride) ligada diretamente ao controlo de tração (KTRC). A isto soma-se na vertente eletrónica o Quick-Shifter (KQS) para facilitar as passagens de caixa, o Cruise Control eletrónico e um novo escape de uma só ponteira em vez das duas anteriores (menos 2 kg) e o motor compatível com a norma Euro5. 

MOTOR / CAIXA DE VELOCIDADES

Aninhado sob a nova e elegante carenage da Ninja 1000 SX está um motor de 1034cc, de quatro cilindros em linha DOHC. Já existe há algum tempo, desde o tempo da Naked Z1000 de 2003. Logicamente, passou por pequenos ajustes e mudanças, principalmente para manter a sua conformidade, mas em boa verdade não precisou realmente de grandes atualizações, uma vez que é uma unidade muito fácil de utilizar.

Quando se procura versatilidade nada melhor do que um quatro cilindros em linha! E nesse aspeto, a Ninja SX é exemplar. O seu motor DOHC de 16 válvulas é macio e progressivo a baixas velocidades, estica o peito a regimes médios e não hesita em provocar a zona vermelha do conta-rotações. Sem ser explosivo, as acelerações, são eficientes e agradáveis, com uma potência máxima no motor de 142 CV, muito fáceis de dosear…

Na caixa de 6 velocidades, o quick shifter que facilita a transição de engrenagens por parte da embraiagem, é fantástico! Permite mudanças rápidas sem o acionamento da manete de embraiagem, é muito eficiente a velocidades médias e altas, e menos abaixo das 2.500 rpm.

Conclusão: quando se procura uma combinação de versatilidade, conforto e desportivismo, nada melhor do que um quatro cilindros em linha. E nesse aspeto, a Ninja SX é exemplar!

CONFORTO E ERGONOMIA

Os avanços altos e planos do guiador fixos ao topo dos garfos forçam-nos a ficar numa posição neutra e confortável, somente ligeiramente inclinada para a frente para distribuirmos algum do nosso peso pela secção traseira. É a convencional postura de uma Sport-GT que permite colocar mais tração na roda traseira sem correr o risco de ‘perder a frente’ na próxima curva.

Retocado para aumentar o conforto o assento está um pouco mais alto, 835mm acima do solo, o que para os nossos 1,82 metros não representa um problema. Os condutores mais baixos vão sentir a diferença para a Z1000 SX, mas tranquilizem-se, porque um assento de 820mm está disponível como opção.

As mãos assentam com naturalidade sobre os punhos, os pousa-pés poucos recuados e o depósito com laterais esculpidas em profundidade, protegem-nos convenientemente atrás da volumosa carenagem. Em resumo, uma posição de condução ergonómica, confortável o suficiente para se viajar tranquilamente a dois. 

Finalmente, em termos de proteção, a bolha regulável em 4 posições é digna do que pudemos esperar de uma sport-GT.

CONDUÇÃO

Com os seus 235 quilos a Ninja SX não é uma peso-pluma, mas a distribuição de massas está muito bem feita. A baixa velocidade e com o modo Sport inserido, em curvas apertadas, a frente por vezes parece querer ‘disparar’ obrigando-nos a segurar a moto com firmeza.

No entanto, a partir do momento em que ganhamos velocidade passa a oferecer uma precisão fantástica, sobretudo nas curvas de maior ângulo e tomadas a boa velocidade, que são o seu ‘prato favorito’.

Por outro lado, se escolhermos o modo Road as coisas mudam. O motor fica mais doseável, a parte ciclística homogénea e o equilíbrio geral aumenta para podermos somar quilómetros em qualquer piso sem fadiga – mesmo num dia abrasador como o dia da sessão de fotos.

Macio e progressivo a baixas velocidades, o motor de tetracilíndrico estica o peito a regimes médios e não hesita em provocar a zona vermelha do conta-rotações, com uma aceleração mais poderosa a partir das 7.500 rotações por minuto. Sem ser explosivo, as acelerações, são eficientes e agradáveis, com uma potência máxima no motor de 142 CV, muito fáceis de dosear… A nova Sport-GT de Akashi facilmente, e com grande economia, pode ser levada em auto-estrada a cerca de 140-150 km/h, com uma proteção aerodinâmica muito razoável – o écran pode ser colocado em 4 posições, e na mais elevada, apenas a cabeça e ombros sofrem com a deslocação. Mas existe um outro lado da questão.

Conduzida em circuito, percebe-se que na Ninja SX com o motor mapeado para o modo Sport tem um o puxão fortíssimo, ‘dispara’ convicto a partir de 3ª velocidade e num instantinho nos leva a uns 245 km/h…, revelando uma capacidade de aceleração pouco comum na sua categoria.  Motos como a Honda VFR 800 F e a BMW R1250 RS… que se cuidem com esta ‘Kawa’ num qualquer Track Day de pista.

AJUDAS À CONDUÇÃO

A chegada em 2020 de um acelerador do tipo fly-by-wire permitiu à marca japonesa introduzir 3 novos mapas, cada um com diferentes mapeamentos de motor e definições de controlo de tração. Enquanto nos modos Sport e Road a potência permanece nos 142 CV, esta desce para cerca de 106 quando selecionamos o modo Rain.

Além disso, o controlo da tração tornou-se mais intrusivo, para evitar que se perca a aderência traseira em mau piso.. Um quarto modo Rider permite ao piloto fazer ajustes personalizados, ou desligar o controlo da tração. Damos as boas vindas ao ‘cruise control’, ajuda preciosa para não sermos surpreendidos pelos radares em auto-estrada, e ao painel de cores TFT com dois display ligeiramente diferentes. A leitura é clara, e encontramos num piscar de olhos as informações que procuramos.

GOSTÁMOS

Linhas arrojadas e desportivas

Modos de condução

Conforto para o condutor e passageiro

Agilidade e equilíbrio em curvas rápidas

Caixa com ‘quick-shifter’

A MELHORAR

Proteção aerodinâmica

Passagens de caixa intrusivas no modo Sport

EQUIPAMENTO E ACESSÓRIOS

Os fãs do turismo continuam a ter em 2020 uma completa linha de acessórios para a Ninja SX, mais a opção de punhos de guiador aquecidos e até uma porta USB por baixo do assento, como parte de uma longa linha de acessórios práticos e desportivos genuínos. Três novas cores estão disponíveis: preto, verde e branco.

O suporte de GPS vem incluido entre o equipamento de série da Ninja SX Tourer

BALANÇO FINAL

Sendo uma verdade que o segmento das Sport GT passa hoje por tempos difíceis – já lá vai a altura em que modelos como a Honda VFR 800 F e a BMW R1250 RS eram muito pretendidos – esta nova Kawasaki dá a volta com uma ciclística evoluída, totalmente modernizada na eletrónica e com um comportamento em estrada muito equilibrado.

A intenção da Kawasaki de avançar tanto no capítulo desportivo como de turismo neste modelo, foi em pleno alcançada, até porque esta moto declara muito potencial na condução, qualidade de materiais e equipamento à altura de uma Sport GT de topo. O ‘segredo’ para o seu sucesso futuro, vai passar sem dúvida pela eletrónica apurada desta 4ª geração que permite regular os regimes do motor, pelo completo equipamento de série e inúmeras possibilidade em termos de acessórios.

A Kawasaki Ninja 1000 SX Tourer do ensaio é vendida com o conjunto de malas laterais com tampas à cor e bolsas interiores, o kit de chave única, a viseira “Touring”, os punhos aquecidos, o suporte de GPS, a proteção do depósito e quadrante. Tem um PVP de 16.390 euros.  

Outras versões da Kawasaki Ninja 1000 SX:

Ninja 1000 SX: 15.190€

Ninja 1000 SX SE (cor cinza): 15.390€

Ninja 1000 SX SE “Tourer”: 16.590€

Ninja 1000 SX “Performance”: 16.490€

Ninja 1000 SX SE “Performance”: 16.690€

Ninja 1000 SX “Performance Tourer”: 17.590€

Ninja 1000 SX SE “Performance Tourer”: 17.790€

GOSTÁMOS

Estética arrojada e desportiva

Modos de condução

Conforto para o condutor e passageiro

Agilidade e equilíbrio em curvas rápidas

Caixa com ‘quick-shifter’

A MELHORAR

Proteção aerodinâmica

Passagens de caixa intrusivas a baixa velocidade no modo Sport

FICHA TÉCNICA

Kawasaki Ninja 1000 SX Tourer

Preço: 16.390 €

Disponibilidade: imediata

Motor
Tipo 4 cilindros em linha, DOHC, 16 válvulas
Diâmetro
x curso
77,0 x 56,0mm
Cilindrada 1043cm3
Binário
máximo
111 Nm (11.3 kgm) / 8,000 rpm
Taxa de
compressão
 11.8;1
Sistema de
distribuição
DOHC, 16 válvulas
RefrigeraçãoLíquida
Sistema de coombustível Injeção de combustível: Ø 38 mm x 4 válvulas de acelerador ovais
IgniçãoTCBI c/ Avanço Digital
Transmissão6 velocidades
Transmissão finalCorrente selada
ChassisQuadro dupla trave de alumínio
Suspensão
dianteira
Garfo de cartucho invertido totalmente ajustável de 41mm
Suspensão
traseira
Monoshock assistido de pré-carga e amortecimento de mola e desajustado horizontalmente; 5,4 polegadas de viagem
Pneu
dianteiro
 120/70 ZR17; Bridgestone Battlax Hypersport S22
Pneu
traseiro
 190/50 ZR17; Bridgestone Battlax Hypersport S22
Travão
dianteiro
Dois discos de pétalas semi-flutuantes de 300mm c/ pinças monoblocos montados radialmente e bomba radial
Travão
traseiro
Disco pétala de 250mm, ABS
AbsDe série
Dimensões
Distância
entre eixos
1.440mm
Ancinho24,5 graus
Trail4,0 polegadas
Altura do assento835 mm
Capacidade de combustível18 litros
Peso com
líquidos
 235kg

*Equipamento

– Composição do pack “Tourer”: conjunto de malas laterais com tampas à cor e bolsas interiores; kit de chave única; Viseira “Touring”; Punhos aquecidos; Suporte de GPS; Proteção do depósito e quadrante;

– Composição do pack “Performance”: Escape Akrapovic; Viseira escurecida; Baquet (cobertura assento passageiro); Proteção do depósito e motor (cogumelos);

– Composição do pack “Performace Tourer”: é a soma dos componentes da versão “Tourer” e “Performance”, apenas com a inclusão de uma viseira “touring” escurecida.

* Existem ainda mais acessórios disponíveis como o banco mais baixo, banco em gel, Top Case e GPS.

Concorrência

BMW R 1250 RS – 15.749 € | 1254cc / 136 CV / 243 kg

DUCATI SUPERSPORT S – 13.345 € | 937cc / 113 CV / 184 Kg

SUZUKI GSX-S 1000F – *13.499 € | 999cc / 150 CV / 214 kg (+ 981 euros c/ pack Sport Tourer, na foto)

MV AGUSTA TURISMO VELOCE 800 LUSSO – 19.990 € | 798cc / 110 CV / 192 Kg

YAMAHA TRACER 900 GT – 12.750 € | 847cc / 115 CV / 215 Kg

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2 Comentários em "Ensaio Kawasaki Ninja 1000 SX Tourer – O melhor de dois mundos"

Simao_C
Membro

Boa review, gostei de tudo, principalmente porque adoro a mota e tenciono comprar num futuro próximo, mas acho que devo apontar uma gafe:
“…modo Road as coisas mudam. O motor fica flexível, a parte ciclística homogénea, as suspensões menos rígidas…”??

Esta mota não tem suspensão eletrónica, nem sequer como opcional, nem existem versões “SE” como mencionado.

Cumprimentos