A Suzuki renovou a sua naked mais desportiva, a GSX-S 1000. Com um envelope ciclístico sólido e um quatro cilindros cheio de vida, a marca de Hamamatsu não deixa os créditos por mãos alheias e entrega-nos um produto evoluído e sem compromissos. Até a sua imagem está ao nível do arrojo estético actualmente criado por terras orientais…
Por Pedro Alpiarça
Ao longo deste ensaio uma expressão ecoou repetidamente na minha cabeça. Esta moto apresenta-se com uma honestidade mecânica e visual que não nos permite grandes rodeios. As linhas angulosas da nova secção frontal, o som rouco e ríspido do escape, a sensação de volume quando nos sentamos nela, nada disto rima com refinamento. A Suzuki encarou a evolução da sua hypernaked com uma expressividade lacónica…porém, nem tudo é obvio.

O novo visual é claramente desafiador mas dentro do padrão que as marcas do Oriente nos têm oferecido, o duplo farol frontal em LED (assim como a restante iluminação) dá-lhe uma presença forte, os apêndices laterais em forma de asa são discretos o suficiente para marcarem a sua modernidade funcional sem se tornarem ridículos, e toda a restante geometria parece confluir no eixo da frente. Um perfil afiado e ao ataque.

Quando nos sentamos, a GSXS sente-se grande (são 214 kg de peso para uma altura de assento de 810mm) volumosa, mas a nova posição de condução é confortavelmente desportiva, com o triangulo ergonómico estudado para estarmos “atentos sem estar ao ataque”, ou seja, bons quilómetros a rolar sem termos os pulsos moídos ou o rabo dormente… A embraiagem com o sistema low assist, que eleva as rotações no momento em que a largamos, requer alguma habituação para evitar uns sustos aos mais desprevenidos, mas qualidade de construção geral é intocável
Com uma imagem tão agressiva, esperávamos um comportamento ciclístico semelhante, sem concessões nem tolerância. Nada podia estar mais longe da verdade, a ciclística desta naked é muito fácil de compreender, as suspensões (Forquilha Kayaba Ø43mm totalmente ajustável na secção dianteira; Mono amortecedor com ajuste de pré-carga e extensão na secção traseira) mantêm uma firmeza tipicamente desportiva mas conseguem ser exímias na sua subtileza de funcionamento. A maneira como absorvem as irregularidades sem descompensarem o conjunto só é comparável à confiança que transmitem quando queremos saber exactamente o que estamos a pisar. Mesmo a baixas velocidades.

E este rigor mecânico dos componentes é extensível a toda a máquina, o quick-shift é preciso e com bom feeling, a travagem (Disco duplo de Ø310mm com pinças radiais Brembo de quatro pistons e Disco de Ø250mm com pinça de duplo piston no eixo traseiro) é potente e mordaz, e a interacção com a electrónica é intuitiva e simples, exactamente o que queremos numa naked com N grande.
Sobretudo porque a alma deste motor (Tetracilindrico em linha com 999cc; 152 cv @ 11.000 rpm ; 106 Nm @ 9.250 rpm) é incansável, um poço de força constante e interminável, consegue ter a suavidade exclusiva de um quatro cilindros mas sem abdicar da sua explosão crescente até ao red-line. Cheio, presente e com vontade de nos pôr em sentido quando lhe pedimos festa, desde os médios regimes as respostas surgem autoritárias e assertivas.

A condução da Suzuki GSXS 1000 envolve respeito. Respeito pela dimensão e inércia do conjunto, respeito pela explosividade do motor, e pela dificuldade de respeitar os limites de velocidade! A sua facilidade de comunicação, seja pelo óptimo asserto do acelerador electrónico ou pela estabilidade do seu quadro, nunca nos deixa esquecer que é uma moto física nas transferências de massa. Uma espécie de solidez recompensadora, é a melhor descrição do que sentimos enquanto recuperamos o fôlego…

A electrónica dá-nos 5 níveis de controlo de tracção e 3 mapas de motor, e não existe nenhum duende digital a ler ângulos para fazer tudo funcionar. A ausência de IMU seria grave se a GSX-S fosse dúbia na sua atitude, mas na realidade, tudo é tão directo e sem rodeios que dificilmente saímos enganados ou sem aviso.
Não queremos que a frente escorregue numa travagem mais agressiva? Doseamos a potência na manete de olhos postos naquele metro quadrado que separa os heróis dos desafortunados. Não queremos que a roda traseira desista e nos lance para o infinito em aceleração? Acertamos o punho direito precisamente ao ponto de sentirmos a borracha (pneus Dunlop Sportmax Roadsmart 2 nas medidas 120/70 ZR17 e 190/55 ZR 17) a querer desistir. Esta é a linguagem sem filtros que uma moto com argumentos sólidos nos entrega. Até mesmo o seu display LCD azulado com grafismos saídos de um clássico filme de ficção cientifica lhe dá uma aura de honestidade e pragmatismo tecnológico.
O seu preço (desde 13,499 €) está ao nível das suas rivais, temos aqui uma moto que assume aquilo que é. Faz todo o sentido olhar para a GSX-S 1000 como máquina e não como peça de luxo. A sua personalidade ´áspera consegue ser ao mesmo tempo subtil, e essa capacidade de ter várias camadas foi o que mais nos agradou. Até mesmo os consumos (6,3 L/100km em condições de teste) em ritmo de teste foram bastante razoáveis!
Gostámos:
- Preço
- Qualidade Ciclística
- Motor
A melhorar
- Design simplista do LCD
Ficha Técnica:
Motor
Tipo de Motor | Tetracilindrico em linha a 4 tempos, refrigeração liquida, DOHC |
Cilindrada | 999 cc |
Potência | 152 cv @ 11.000 rpm |
Binário | 106 Nm @ 9.250 rpm |
Transmissão | Caixa de 6 velocidades, final por corrente |
Ciclística
Quadro | Dupla trave em Alumínio |
Suspensão Dianteira / Traseira | Forquilha telescópica invertida Kayaba totalmente ajustável / Mono amortecedor com ajuste de pré-carga e extensão |
Travagem Dianteira / Traseira | Disco duplo de Ø310mm com pinças radiais Brembo de quatro pistons / Disco de Ø250mm com pinça de duplo piston |
Pneus | 120/70 ZR17 ; 190/50 ZR17 |
Dimensões e Preço
Altura do assento | 810 mm |
Distância entre eixos | 1460 mm |
Capacidade do depósito | 19 L |
Peso | 214 Kg |
Preço | Desde 13.499 € |
Cores disponíveis:
Glass Mat Mechanical Gray Metallic Triton Blue Glass Sparkle Black
Concorrentes:
-
Honda CB 1000 R

-
Yamaha MT-10

-
BMW S 1000 R
