Preparação, estratégia, foco e trabalho de equipa são fundamentais para enfrentar um rally de quatro dias que testa pilotos e navegadores do início ao fim
Um novo desafio tem início no dia 25 de janeiro, com a largada da 39ª edição do evento. Competir no Cerapió vai muito além da velocidade e da técnica sobre duas ou quatro rodas. De 25 a 30 de janeiro, o rally exigirá dos participantes, resistência física, mental e capacidade de adaptação a terrenos e condições que mudam constantemente, colocando em xeque até os off-roaders mais experientes.

A cidade de Aracati recebe a largada da competição, num desafio que segue rumo à capital piauiense, Teresina. O evento reúne cerca de 1.200 pessoas entre competidores, equipes de apoio, imprensa e staff, e abre o Campeonato Brasileiro de Enduro e Rally de Regularidade, com chancela da CBM e CBA.
A Honda Racing Brasil participa do Cerapió com quatro pilotos: Alexandre Valadares (Graduado / Honda CRF 450R), Luciano Rocha (Intermediário / Honda CRF 450R), Dário Júlio (Brasil / Honda CRF 300F) e Bárbara Neves (Feminino / Honda CRF 250R).

Além de piloto, Dário Júlio também é chefe da equipa e acompanha o Cerapió desde 2005, portanto, conhece bem o nível de exigência da prova. Para ele, a diversidade de terrenos é um dos principais fatores que tornam o rally tão desafiador. “O Cerapió me encanta pela distinção de trilhas. Encaramos subidas, descidas, pedras, erosões, trecho de areia, caatinga etc. É um certame que exige muito do equipamento e do piloto”, afirma.
Segundo Dário, é alto o desgaste físico e mental acumulado durante a disputa. “Já corri etapas do Cerapió com mais de dez horas de navegação num único dia. São quatro dias de competição, longos e que nos levam ao limite”.
Ele conta que a preparação para um rally deste tipo, precisa ser pensada com antecedência e foco específico. Além do físico, o aspeto mental é decisivo. “Quando o corpo cansa, o raciocínio diminui. E no Cerapió, além de pilotar, você precisa navegar, tomar decisões rápidas e manter o foco por várias horas seguidas”, explica Dário. Nesse contexto, o papel da equipa torna-se fundamental ao longo das etapas. “Nos pontos de apoio, enquanto a equipa cuida da moto, do abastecimento e de eventuais reparos, o piloto descansa e hidrata-se. Isso faz toda a diferença para seguirmos competitivos no dia seguinte”, aponta.

Também integrante da equipa Honda, a piloto Bárbara Neves Gonzaga chega ao Cerapió com um histórico de destaque. Campeã da categoria Feminina em 2024 e vice-campeã em 2025, ela conhece bem a exigência de disputar vários dias seguidos de prova. “Eu acompanho o Cerapió desde criança. Meu pai corria, e nas férias eu ia para o Nordeste acompanhá-lo no rally. Hoje, competir nele é bastante prazeroso”, ressalta.
Bárbara fala que, apesar do preparo físico constante, o maior desgaste é mental. “No Cerapió, o que mais pesa é a mente. É muito tempo em cima da moto, pilotando e navegando ao mesmo tempo. Não é só acelerar, é pensar o tempo todo”. Para ela, o suporte da equipa também é decisivo. “Quando chega o final do dia, nosso apoio mecânico cuida de tudo: manutenção da moto e equipamentos. Minha única obrigação é descansar e me concentrar para o dia seguinte”, declara a competidora.
Segundo o CEO da Radical Produções, Ehrlich Cordão, esse nível de exigência ajuda a explicar a identidade do evento. “O Cerapió testa os participantes como um todo. Não é só velocidade. É resistência, estratégia, navegação e a capacidade de se adaptar a diferentes terrenos e situações ao longo dos dias”, encerra Cordão.
















