22º Portugal de Lés-a-Lés: 3 dias de absoluta paixão e convívio motociclista

By on 5 Outubro, 2020

O MUNDO COMO O CONHECEMOS, MUDOU RADICALMENTE COM A CHEGADA DA PANDEMIA GLOBAL DO COVID-19, MAS A PAIXÃO PELAS MOTOS NÃO MUDA E RESISTE A TODOS OS CATACLISMOS. E POR ISSO O 22º PORTUGAL DE LÉS-A-LÉS FOI MESMO PARA A FRENTE, COM ENORME SUCESSO DE LAGOS A CHAVES.

Inicialmente agendada para 10 a 13 de junho de 2020, a edição deste ano acabou por ser adiada arrancando na passada sexta-feira de Lagos, a Évora, Guarda e Chaves.

O Portugal de Lés-a-Lés é um acontecimento anual mototurístico, que desde 1999 concilia a resistência física e aventura à vertente turística com o objectivo de cruzar Portugal de extremo a extremo contemplando paisagens e lugares de enorme esplendor. Aquela que se tornou a maior caravana mototurística do mundo passou agora também a pontuar para o World Touring Challenge da FIM.

Durante a apresentação oficial do 22.º Portugal de Lés-a-Lés, mais de 600 motociclistas concretizarem previamente a inscrição na Figueira da Foz, mantendo-se as inscrições abertas para a grande maratona motociclista até ao passado dia 10 de Setembro. O ‘bilhete’ para uma aventura sem igual, contemplaria este ano a travessia de Portugal Continental de Lagos a Chaves, com paragens em Évora e Guarda, num regresso ao tranquilo e aprazível interior do País – como sempre com um percurso afastado das autoestradas, SCUT’s, Itinerários Principais ou Secundários, optando sempre pelas rotas turísticas menos conhecidas, através das mais desertas estradas nacionais e municipais. E foi mesmo isso que aconteceu!

1º Dia – 286 km de Lagos a Évora

Foi na passada sexta-feira em Lagos (2 de Outubro) – noutras edições ponto de chegada – que se deu o arranque para o 22º grande passeio mototurístico, como sempre sob a chancela da Comissão de Mototurismo da FMP. Muitos motociclistas presentes, não só portugueses, como muitos espanhóis e de outras nacionalidades. Esta 1ª etapa começou com a passagem pela labiríntica Serra de Monchique, com chuva, nevoeiro, e mesmo algum frio na partida madrugadora de Lagos. Depois, o cenário a mudar para uma visão ampla, de longas rectas a perder de vista, como só o Alentejo consegue oferecer.

 Motos, muitas, mas não só; também muitas scooters e até dois side-cars trazidos para o evento por um casal escocês amante desse género de motociclos. Passagem pelo Alvito, já habitual para as gentes da localidade alentejana, saudações para as gentes e de novo a puxar o acelerador até ao final da etapa na cidade de Évora. A maior caravana mototurística do mundo descansa, até porque o dia seguinte vai ser longo, ligando no sábado Évora à cidade da Guarda

2º Dia – De Évora à Guarda, o dia mais longo

Motas a andar, e horas depois a passagem do Tejo, na ponte de Belver, construída em 1905, a funcionar como zona de transição entre o Alentejo e os pinhais e eucaliptais da região centro, fortemente atacados pelos incêndios dos últimos anos e onde é possível, com boa vontade e tempo, descobrir algumas das muitas casas de xisto que moldavam a imagem da região.

Segue-se a paragem em Tinalhas para reabastecimento dos estômagos e não só. Na pequena vila do concelho de Castelo Branco que tem apenas 585 habitantes, não falta sequer uma estátua de São Rafael, o Santo padroeiro dos motociclistas. Hora de uma pausa, de reabastecer também as máquinas porque os quilómetros que se seguem são muitos, até à beira da sempre majestosa Serra da Estrela, e depois em subida continuada atá ao ponto de chegada, a cidade mais alta: Guarda.

Respira-se confiança, foi mais um dia divertido e de paisagens magníficas. Novos reabastecimentos, animação inusual na cidade farta e bruta. Esgotam as dormidas, e muitos vão repousar em povoações vizinhas, Celorico da Beira por exemplo, onde encontrámos muitos dos participantes. Manuel Marinheiro, presidente da Federação de Motociclismo de Portugal, é um dos que mais uma vez está presente no Lés-a-Lés de 2020, tal como Tó Manel, sempre a tomar conta dos acontecimentos.  

Pequeno almoço, madrugador como sempre, partida para mais um dia de aventura!

3º Dia – Chegada a Chaves em apoteose

Derradeiro dia do 22º Portugal de Lés-a-Lés, a 3ª etapa da edição de 2020 do Lés-a-Lés, apresentou muitas curvas e sobe-e-desce constante ao longo de 350 quilómetros de paisagens grandiosas e de estradas à beirinha do Douro vinhateiro.

De vinhos e vinhedos muito se falou ao longo de uma jornada que passou pelo Vale do Coa, subiu à aldeia histórica de Castelo Rodrigo e depois a Barca d’Alva antes de descer até ao Douro Internacional. Freixo de Espada-à-Cinta, Mazouco, Mogadouro, barragem do Azibo, Podence e os famosos caretos que são Património Imaterial da Humanidade desde o ano passado. Momento agendado para Fervenza da Cidadella já na província espanhola de Ourense em saltinho ibérico com regresso à Lusitânia a tempo de conhecer o fenómeno da pedra bolideira ou o abandonado castelo de Monforte de Rio Frio.

Quase a completar o intenso périplo desceu então a caravana até à Aquae Flaviae dos romanos, rumo ao palanque final montado na histórica Ponte de Trajano: Chaves do contentamento de todos os aventureiros após três dias de viagem desde Terras Algarvias.

No final, mais Lés-a-Lés com um sabor muito especial e isso foi notório na cara de satisfação de todos os participantes à chegada ao palanque no final de cada etapa. Em Chaves houve mesmo grandes momentos de emoção por parte de muitos participantes e em especial dos membros da organização que acreditaram sempre ser possível fazer um Lés-a-Lés nos tempos difíceis que atravessamos… e fez-se, com alguns condicionalismos mas… ESTÁ FEITO…. e, como em tudo na vida, foi o muito querer que o fez acontecer.

“Obrigado a todos”, disse no final a organização, orgulhosa de mais uma grande passeio mototurístico. E que venha depressa a 23ª edição, que esta já deixa saudades!

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