Curso de Mecânica de Motos: Aprender vale a pena!

By on 24 Setembro, 2021

Um desafio, um sonho realizado, dirigir e lecionar a formação de novos mecânicos para o sector das duas rodas. Fabrício Teixeira é um apaixonado da mecânica e viveu toda a sua vida ligado às motos, aprendendo sempre com os melhores, acompanhando em termos físicos cada evolução técnica desde que chegou a Portugal em 2009, e depois em Espanha. O seu Curso de Mecânica de Motos é frequentado por alunos dos 17 aos 57 anos, até porque o saber não ocupa espaço, não discrimina sexos… E parar é morrer!

O Curso de Mecânica de Motos é destinado a pessoas maiores de idade e qualquer sexo, tendo como principal objetivo preparar os alunos para que no final seja possível ingressarem numa nova profissão com grande saída no mercado atual.

O curso lecionado por Fabrício Teixeira, na sua oficina Fabrício Motos, em Tires, abrange aulas teóricas e práticas, tem uma boa sala de aulas e uma área com postos de trabalho individuais para os alunos, com todos os equipamentos necessários para se aprender a trabalhar como um bom profissional.

No início é  facultado a cada formando um dossier com os primeiros módulos, e consoante o desenvolver do curso, são entregues aos formandos os restantes módulos com a parte teórica. A prática consiste na aplicação dos conhecimentos aprendidos na parte teórica, como desmontagem e montagem total das motos, saber executar as suas afinaçoes, e saber tratar pneus, rodas, suspensões, travões, motor (2 tempos e 4 tempos), injeção, carburação e uso de equipamentos de diagnóstico. Assim, durante o curso, os alunos têm a oportunidade de aprender a trabalhar com modernas máquinas de diagnóstico e muitos outro equipamentos.

No final do curso, é realizado um jantar com entrega de um Certificado de Mecânico Multimarcas a todos os alunos.

Tanto em Portugal como em Espanha, o nosso interlocutor aprendeu muita técnica, coisas que no Brasil não via, onde apesar de haverem muitos bons mecânicos, peca por haver pouca formação no seu entender. “No Brasil não temos um centro que ensine a técnica ao pormenor, do retentor, da rosca, do passe e da folga, do aperto e da importância do torque. Repare, se fizermos tudo o que o manual de cada moto recomenda, folgas, apertos, lubrificação, tipos de óleos e tipos de produtos, nada vai dar errado.”

COMO TUDO COMEÇOU

Foi isso em parte que o motivou a abrir os seus cursos de mecânica…

“Quando vim para Portugal em 2009 havia muita falta de mão de obra, muitas empresas a pedir mecânicos, que depois trabalham nas oficinas dois ou três meses, e por falta de competência não ficavam. Antigamente as motos eram mais simples, um mecânico ia para uma oficina, lavava peças, fazia revisões às motos e em dois, três anos já se achava um bom mecânico para abrir uma oficina. Hoje em dia não é assim. Eu venho da old school, da velha guarda, que eram as motos com platinados, com avanço de ignição, com avanço mecânico, com condensadores.”

Houve então uma adaptação aos novos tempos, às novas tecnologias?

“Sim, houve uma grande evolução, hoje em dia há muita tecnologia… Lembro-me que quando chegou a injeção eletrónica foi uma dor de cabeça para muito mecânicos que diziam que não ia funcionar, ia dar problemas e hoje vemos que a injeção é tudo! Hoje em dia não interessa a altitude, porque a moto se auto-regula automaticamente, entre muitos outros aspetos.”

A vinda em força da eletrónica facilitou o trabalho dos mecânicos?

“Tornou as motos mais fiáveis. Não facilitou a vida das oficinas, que hoje em dia têm de investir muito para se ganhar pouco, e antigamente investia-se pouco e ganhava-se muito. Hoje em dia quem não tenha uma máquina de diagnóstico não poderá mexer em motos a partir de 2001.”

UM SONHO CONCRETIZADO

Quando abriu os cursos de mecânica?

Em 2010. No começo era às segundas, quartas e sextas, ainda na Abóboda. Em 2012 abrimos estas novas instalações. Apercebi-me que muitos mecânicos estavam muito atrás… Foi difícil no começo, mas como já tinha a ideia fixa de dar os cursos, houve um amigo que me disse que tinha 4 pessoas para começar e desafiou-me a fazer um preço. O preço era alto para a altura, 380 euros por mês durante seis meses. Eles aceitaram para surpresa minha. Eu acredito em sinais e isso foi um bom sinal.

Fiz um curso de formador no IEFP, coloquei um anúncio num jornal e apenas numa semana tinha 13 alunos, não aceitando mais incrições porque nessa altura aiinda não tinha estrutura para mais. Nessa altura, em 2012, os cursos ainda eram de 6 meses, agora são de 1 ano, dois dias por semana com 8 horas de aulas ao todo.

Logicamente, para dar cursos de mecânica, isso obriga a ter muito equipamento e a um forte investimento, também.

“À medida que o nosso lucro aumentava com os curso fui desde logo investindo em novo equipamento. Em 2013, quando comprei a máquina de diagnóstico da Texa – uma das melhores do mercado, que abrange quase tudo e faz inúmeros testes – foi um investimento forte, 2800 euros, há dez anos atrás era muito dinheiro. No entanto, também me apercebi que tinha cada vez mais serviço na oficina e que me fazia falta. Fui criticado por isso, que tinha feito esse investimento para dar nas vistas… Vi então que cada vez trabalhava melhor com esse equipamento, e também que muitas outras oficinas não tinham esse equipamento para as suas motos.”

Acha que a eletrónica trouxe mais interesse pela formação?

“Ainda há um mito em relação à electrónica, os formandos têm um certo receio e eu tento desmistificar as coisas. Digo-lhe que é preciso um sinal positivo e um negativo para ligar tudo, começo por lhes mostrar fios de diferentes cores e a que componentes ligar. E foi assim que tudo começou, com apenas 4 alunos.

ALUNOS DE TODAS AS IDADES E SENHORAS

Fale-nos agora dos seus alunos. Há mecânicos experientes entre os seus formandos?

Geralmente os meus alunos são mecânicos que têm oficinas, alguns bastante experientes até. Um caso curioso aconteceu com uma pessoa que tinha um sobrinho que estava ansioso pelo curso. Só que vi que estava muito desconfiado e então pediu-me se podia assistir durante duas semana às aulas. Veio cá, assistiu e depois disse-me: ‘Ele vai fazer o curso, mas eu também. Sou mecânico há mais de 15 anos mas falaste em tantos parafusos, roscas, torque, tipos de força axial e força de torsão, coisas que nem sequer imaginava.’

E os alunos faltam às aulas, demonstram interesse na aprendizagem dos módulos?

“Faltam! E há uma coisa estranha, porque enquanto pagam faseado não faltam, mas quando pagam o curso todo parece que perdem o interesse. Há também desatenções com o telemóvel. Curioso é que muitas vezes são as pessoas de mais idade as mais interessadas…”

Há também senhoras nos seus cursos?

“Sim, não podemos esquecer-nos delas. A atenção delas ao curso é redobrada. Surpreendo-me pela sua dedicação, perguntam tudo e fazem as coisas com muito empenho. Desde há 4 anos para cá em todas as turmas tenho uma senhora. Umas vêm cá para ter a sua própria oficina, outras trabalham com o próprio marido, é top!”

Quando se completa o curso, há uma certificação, naturalmente…

“No final do curso damos um Certificado Multimarcas onde consta o número de horas frequentadas e o grau de aproveitamento. Depois encaminhamos o aluno para o Cepra, que é o único Instituto que em Portugal pode dar um Certificado de Mecânico/Técnico. O aluno faz um mês de aulas lá, provas práticas  e fica com o certificado profissional.”

A EXPANSÃO DOS CURSOS PARA PORTO E COIMBRA

Agora a sua escola está numa fase em que pretende dar um avanço nos cursos, nomeadamente dando formação também no Porto e Coimbra. Como o fará?

“Exacto. As turmas que estão a começar vão acontecer às quintas e sextas, tenho turmas de manhã, da parte da tarde e noite, com estas últimas já completamente esgotadas. De manhã e à tarde é mais complicado, porque muito dos formandos estão a trabalhar. O novo passo é expandir o curso para o Porto e Coimbra, mas sobre isso dizemos logo às pessoas que nos contactam que não temos ainda um local exacto, porque queremos fazer um investimento seguro. Estamos a fazer uma pesquisa de mercado, a juntar formandos e assim que tivermos de 15 a 30 alunos, avançaremos para o Porto ou Coimbra onde o projeto for mais viável. Haverá portanto, um outro formador.”

Em termos etários e de experiência profissional, consegue fazer uma distinção entre os que conseguem melhor e pior aproveitamento no curso?

“Há de tudo um pouco. Alunos que vêm frequentar o nosso curso como um hobby, outros com uma dificuldade grande mas que se esforçam e demonstram um interesse enorme, e alunos com uma qualidade e facilidade de aprender enorme, mas com desinteresse, pessoas novas em que ainda é o pai ou mãe que paga as contas de casa. Pelo contrário, há outros pais de família, com um ou dois trabalhos e que fizeram um esforço enorme nos meus cursos e que agora são grandes mecânicos. Caricato são algumas situações, onde explico que um aperto deve ser feito em cruz e ser dado um torque para não empenar a peça e dizem: ‘pois, foi por isso que parti a tampa de embraiagem ao apertá-la’. Hoje em dia, ainda há muito amadorismo na mecânica.”

Porque acha que isso acontece?

“É o mundo da Internet, vêm um vídeo e já acham que sabem fazer tudo. Há bons e maus videos, é preciso é saber distingui-los.”

O Covid19 obrigou-o a suspender os cursos?

“Sim, nós tivemos que parar a formação. Nas oficinas que tinham muito serviço como era o meu caso, fomos trabalhando como podíamos, mas agora está ainda pior. Há muita falta de material, ferro, borracha. Está tudo complicado. As encomendas não chegam nos prazos, há falta de pneus no mercado, chips. Por exemplo, estou para adquirir uma moto nova e o prazo de entrega é 3 de meses.”

Futuro?

“Vou continuar apostar nos cursos, menos na oficina e mais nos cursos. O medo que sempre temos é do Covid, uma coisa nova e que ninguém conhecia, e que voltando nos obriga a parar porque há muita proximidade.”

São muitos os módulos do Curso de Mecânica (ver caixa abaixo) e seria fastidioso estar aqui a detalhar cada um deles, mas ainda assim questionámos Fabrício Teixeira sobre dois dos mais relevantes para a profissão de mecânico.

SOLDADURA – “Fazemos sodaduras a Titânio e Magnésio que são trabalhos difíceis, mas também soldaduras normais de Inox e Ferro. Damos duas semanas sobre este módulo, até aos alunos conseguirem fazer um bom cordão de solda, desde a elétrica, semi-automática e ao Tig Inox. Um mecânico tem de saber soldar.

ELÉTRICA / ELECTRÓNICA – “Aqui entramos numa parte muito técnica do curso. Damos a vertente elétrica normal, os alunos tem que ter conhecimento dos componentes, por exemplo os diversos tipos de diodos (normal, anodo, catodo) , explicamos o que fazem e como testar cada um desses elementos. Na injeção eletrónica, para testar o sensor MAP (sensor de pressão absoluta múltiplo do motor) temos que utilizar nele uma pistola de vácuo para ver qual a resistência que tem e se está a ter alterações. No sistema elétrico começamos pelo mais básico, explicando por onde passam os fios, que cuidados se devem ter, soldagem de fios, ângulos de soldagem, alicates próprios para segurar cada fio, são trabalhos minuciosos que existem uma certa perícia.”

O CURSO DE MECÂNICA É CONSTITUÍDO POR 28 MÓDULOS:

  • Introdução ao setor automóvel de motos;
  • Uso de equipamentos e medidas (micrómetro e paquímetro);
  • Elementos de fixação (parafusos, travas);
  • Uso de ferramentas especiais (torquímetro, estratores, fixadores, aparelhos electrónicos…);
  • Serralharia para mecânicos (aulas de solda TIC e semi-automática);
  • Instalações e equipamentos;
  • Diagnóstico e reparação de rodas e pneus;
  • Diagnóstico e reparação de sistema de travagem;
  • Diagnóstico e reparação sistema de suspensão e direcção;
  • Diagnóstico e reparação sistema de transmissão por corrente e por veio;
  • Diagnóstico e reparação transmissão automática scooter;
  • Motores 2t e 4t funcionamento diagnósticos de defeitos;
  • Tampa de válvulas (pormenores sobre válvulas sedes árvores de canes);
  • Cilindro: explicamos os principais defeitos como segmentos, folgas, avalizado 2t e 4t;
  • Eixo da cambota: funcionamento e seus defeitos (motores 2t e 4t);
  • Sistema de embraiagem lubrificado a óleo e a seco;
  • Sistema de caixa de velocidades: funcionamento e seus defeitos;
  • Sistema de carburadores: regulamento e diagnósticos;
  • Sistema de injecção electrónica, seu funcionamento e o uso de equipamento de diagnósticos;
  • Regular CO2: uso da máquina;
  • Uso de equipamentos de medidas eléctricas como multímetro;
  • Princípios da electricidade (corrente contínua, corrente alternada, resistência, voltagem, amperagem…);
  • Sistemas de iluminação;
  • Sistema de carga de bateria;
  • Sistema e ignição;

.Sistema de travões abs;

  • Unidades de comando (centralinas) sensores e actuadores;
  • Leituras de código de sistema de injecção.   

Quem é Fabrício Teixeira…

Fabricio da Rocha Teixeira tem 45 anos e começou a trabalhar aos 17 como mecânico de motos em Pelotas, uma cidade pequena e pacata de Rio Grande do Sul, no Brasil, donde é natural. Veio para Portugal e trabalhou durante dois anos numa oficina de motos em Cascais. Em seguida foi para Espanha, onde trabalhou em Burgos numa revenda Yamaha/KTM durante cerca de 1 ano e meio, regressando então ao nosso país para abrir a Fabrício Motos em 2009. Porém, a sua ideia não era abrir uma oficina mas sim organizar um curso de mecânica de motos, começando a dar os primeiros cursos com apenas 4 alunos um ano depois. Os frutos dessa aposta estão à vista de todos. A customização é outra das grandes paixões de Fabricio Teixeira nas motos. Até hoje colaborou em numerosos projetos, nomeadamente na preparação de uma Yamaha XSR 750 para o programa Yamaha Yard Built, num projeto que começou do zero e foi uma das motos mais apreciadas em Biarritz.

A competição, também uma escola

Fabricio Rocha também andou no mundo da competição, tanto no Brasil como anos mais tarde, em Espanha. Por terras de Vera Cruz em provas de arranque conhecidas, preparando motos Dragster com 1000cc de cilindrada alimentadas por metanol, nitrometano, com combustíveis e árvores de cames alteradas. No país vizinho em circuitos ovais, transformando motos de motocross para supermotard com alterações nas suspensões, eletrónicas e muitos outros componentes. “Aprendi muito com eles, vendo coisas que nem imaginava que existiam.” Nessa altura, fez um curso em Espanha e pensou em voltar para o Brasil e dar aulas, mas o destino acabou por ser outro. Nessa altura nasceu a minha filha, não consegui ficar mais em Espanha, e disse para mim: ‘Vou voltar para Portugal e abrir uma oficina. É por esta altura que cria a Fabrício Motos e logo a seguir dá os primeiros cursos de mecânica.

Um testemunho importante

Josué Cerdeira é natural de Castelo Branco, foi um dos melhores alunos da escola de Fabrício Rocha e este ano está a fazer o Mundial de Moto3 com a equipa de SIC 58 e também a prestar assistência na mesma formação no FIM CEV Repsol. “Estive um ano no curso do Fabrício e trabalhei 1 ano no concessionário Motor7 da Yamaha. Em seguida fui para Barcelona para estudar mecânica de competição na Monlau Repsol Technical School, onde estive 3 anos a estudar e dois deles a trabalhar com a equipa da escola. Depois tive a oportunidade de trabalhar na equipa SIC 58 de Paolo Simmoncelli, pai do falecido Marco Simmoncelli. O ano passado fiz o FIM CEV Repsol e voltei uns tempos à oficina do Fabrício. Foi bom voltar a casa.”

O PREÇO DO CURSO

O valor total do curso é de 2.600€ (200€ por mês – pagos até ao dia 08 de cada mês + a taxa de inscrição de 200€). O curso terá interrupção durante o mês de agosto.

TURMAS E HORÁRIOS

Neste momento existem três turmas em pré inscrição para começar no início de Novembro às quintas e Sextas-feiras em Cascais – São Domingos de Rana, próximo de Tires:

TURMA QUINTA E SEXTA (zona de Cascais / início 04 de Novembro 2021)

– Turma da manhã das 09h00 às 13h00.(depende do número de inscritos)

– Turma da tarde das 14h00 às 18h00. (depende do número de inscritos)

– Turma da noite das 20h00 às 24h00.

Também  aceitam pré-inscrições para a zona do Porto e Coimbra com previsão para Novembro, neste caso, tudo vai depender do número de inscritos e a localização será definida quando for atingido o mínimo de inscritos necessários.

CONTACTOS E INSCRIÇÕES

Site: https://www.cursodemecanicademotosfb.com/

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