Husqvarna Novolette Sport: O sonho suéco que nunca vingou

By on 1 Agosto, 2022

A ‘epidemia de ciclomotores’ na década de 1950 resultou em grandes volumes de vendas para a Husqvarna. Em 1954, a marca sueca já tinha vendido 25.000 unidades. A Novolette era um bom veículo de transporte mas tinha um problema: não atraía os jovens!

Face a este cenário, o departamento marketing teve a ideia de dirigir-se às novas gerações de forma a aumentar o volume de negócios. E que melhor forma do que apelar aqueles que representam o futuro? Pintada em vermelho e prata, a primeira Novolette tinha a capacidade de fazer 30 km/h. Essa era o limite legal da época, mas dava a cada jovem um incentivo para contornar as regras, porque na verdade alcançava velocidades de até 40 km/h, ocasionalmente 45 km/h.

O nome oficial deste ciclomotor era Husqvarna Novolette Sport. Não muito sexy, numa época  em que o grande automóvel da altura era o Mercedes 300SL, desenvolvido a partir do lendário carro de corrida “Silver Arrow”. Em 1955, era o carro desportivo de última geração e os dois veículos foram lançados no mesmo ano. A Husqvarna foi influenciada pelo nome Mercedes e lançou sua nova estrela para um público maravilhado com as performances das máquina da época. Na Suécia, havia uma grande febre pelas Silverpilen que com um motor de 175cc vendia como bolos quentes e todos os fãs de motos no país desejavam a partir dos 16 anos ter uma. Havia uma forte vontade de começar a andar de moto muito jovem, o que poderia ser alcançado comprando essa novidade da Husqvarna.

O depósito da Silverpilen também podia ser usado reduzindo o seu volume para 5,5 litros e foi decidido que alguns dos seus componentes seriam usados no novo ciclomotor desportivo que tinha que mostrar o seu potencial aos olhos de quem o via. O ciclomotor também tinha uma caixa de ferramentas por baixo do assento e, como opção, um velocímetro estava disponível a um custo extra. O resultado final foi uma Silverpilen de tamanho mini!

Todos na Husqvarna ficaram satisfeitos com o design criativo e a decisão de ir em frente foi fácil e unânime. Foi então apresentada na Feira Internacional de Motociclos de 1955 em Estocolmo.  “Biker’s Diaper” ganhou elogios por roubar o show apesar de seus pedais desatualizados. A imprensa elevou o novo ciclomotor aos céus, e todos ficaram maravilhados, esperando um futuro brilhante para a pequena máquina suéca. Pintada em branco e vermelho brilhante, o modelo foi apresentado como  “Silverpilen” no teaser promocional e tinha muito do estilo das já famosas corridas do ‘Tourist Trophy’.

Mas, pouco depois, a verdade nua e crua foi revelada. O ciclomotor não vendeu. Apesar das boas intenções e aparência, era muito pouco sofisticado para fazer mais do que manchetes e a e a pequena desportiva suéca acabou por não convencer os jovens. Faltava desempenho devido a um motor inferior, que ao início era de apenas uma marcha. Além disso, a transmissão por correia nada sexy mostrou-se negativa em vez da habitual corrente. A “Blöjpilen” tornou-se um sucesso de público no showroom, mas nunca chegou aos clientes. A geração jovem absteve-se de pagar 795 coroas suecas (aproximadamente 155 euros!). Posteriomente a  “Blöjpilen” de 1956 recebeu um caixa de 2 velocidades mas o pequeno ciclomotor continuou a não vender. Menos de 1.000 unidades terão sido produzidas. Algumas fontes falam em meras 330 unidade, outras em 800 veículos e a verdade deverá estar algures no meio… Mas o fato é que o pequeno ciclomotor desportivo nunca atendeu às expectativas.

No final, a Husqvarna ficou em casa com um stock considerável, que foi objeto de dumping a preços de pechincha. A triste verdade era que a moto foi um fracasso, vendida com prejuízo. Mas foi um fracasso respeitado e bonito!

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