O salão onde os segredos deixam de o ser

A EICMA de Milão abre à imprensa e aos profissionais na terça-feira, 3 de novembro, e ao público de quinta, dia 5, a domingo, dia 8, em Fiera Milano Rho. Quem quiser ver o que é novo a sério tem de estar atento ao dia 3, e à véspera.

A maior EICMA de sempre
A 83.ª edição ocupa pela primeira vez dez pavilhões, mais um do que em 2025, com mais de 300 mil metros quadrados, 754 expositores e 2120 marcas de 52 países, 74% das quais estrangeiras. Cerca de 30% dos expositores diretos são estreantes ou regressados. Um bilhete de dia custa 20 euros online, mais 1,50 de taxa, ou 25 na bilheteira.
Entre as atrações está a Speed Legends, uma exposição sobre a história do MotoGP no pavilhão 22, com mais de 30 motos históricas e as cinco da temporada 2026, e a presença do Dakar, ao lado da Ducati, que fecha ali o ano do centenário. Lá fora, o MotoLive enche mais de 60 mil metros quadrados com corridas, acrobacias e test rides gratuitos, com o campeão de trial Toni Bou como convidado.

O que já se sabe, e que não é surpresa
Os grandes fabricantes têm adiantado o essencial online, e muitos modelos de 2027 chegam a Milão já com ficha técnica e preço. A BMW anunciou em julho o ano-modelo 2027, com um quadro de terceira geração para a M 1000 RR, cerca de 1,3 quilos mais leve, e revelou a F 450 R e a F 450 RR, ambas com 48 cavalos, sendo a segunda uma desportiva para a carta A2. A F 450 RR, a F 450 R e uma terceira novidade ainda secreta têm conferência a 3 de novembro às 11:30.

A Ducati mostrou a Panigale V4 de 2027, com 218 cavalos a 13 500 rotações, e leva as Multistrada V4 Pikes Peak e Grand Tour. A Honda apresentou a CBR500R Four, uma quatro cilindros de 502 centímetros cúbicos com 72 cavalos e embraiagem eletrónica E-Clutch, a CBR600RR renovada, a CMX500 Rebel e a NC750X com DCT. A Kawasaki trará a Versys 900, com o motor do Z900, 122 cavalos e radar, e a Ninja H2 regressa à Europa com 209 cavalos. A Triumph expõe a Bonneville T40, com um monocilíndrico de 398 centímetros cúbicos, e a Street Triple 798, cujo motor vem do novo Moto2, mas cuja ficha só sai a 17 de novembro, nove dias depois do fecho. Em Milão, esta só se pode olhar.

Os anúncios que ainda não revelam o modelo
A Yamaha apresenta a sua novidade na noite de 2 de novembro, antes da abertura, sob o lema “Redefine the Standard”. O teaser mostra uma curva de batimentos cardíacos com três picos irregulares, o que sugere um três cilindros com ordem de ignição invulgar. A Ténéré 900 é o palpite mais repetido, e a Tracer 1000 também.
A KTM regressa depois de um ano de ausência, com o lema “Back on the Grid”, e a conferência, com a Husqvarna, é a 3 de novembro às 10:45. Desde janeiro, a empresa chama-se Bajaj Mobility AG. Promete novidades off-road e uma antevisão do futuro sem dizer quais, e os candidatos são a 990 Adventure, com bicilíndrico de 947 centímetros cúbicos, e a 990 SMT, ambas vistas como protótipos.

A CFMoto também baralha: mostra uma desportiva integral e um scooter, sem nomes, e muitos acham que a primeira é a versão de série da V4 SR-RR, com mais de 200 cavalos e 315 quilómetros por hora num protótipo. A Benelli promete duas estreias absolutas a 3 de novembro, a TRK 602 X final, uma Tornado de 700 centímetros cúbicos e o scooter Onx 125. A Harley-Davidson tem a Sprint 440 e a Bagger World Cup de 2027, e a LiveWire estreia as S4 Honcho Skate e Dust Spur no pavilhão 14. A TVS promete motos, scooters e elétricas a 3 de novembro, com a Norton a mostrar uma 450 monocilíndrica.

O que está no segredo dos deuses
A BMW não confirmou a nova S 1000 RR, que, segundo documentos e fotografias, terá cerca de 215 cavalos e produção em maio de 2027, nem a M 1000 RS ou a M 1300 GS. A Honda testou em Jerez, a 22 e 23 de outubro, com Jonathan Rea, uma nova Fireblade camuflada, e a versão de série da V3R 900 com compressor elétrico é aguardada, sem confirmação. A Ducati tem a Panigale V4 SP e a Streetfighter V4 SP nos registos californianos, e a Kawasaki uma KLE 650. A ZXMoto confirmou apenas a presença dos pilotos Valentin Debise e Federico Caricasulo, mas fala-se na 820X e no projeto V5, um cinco cilindros para o Mundial de Superbike em 2028 que exigiria mudar o regulamento. Além disso, há, logicamente, todo um mundo de acessórios e equipamentos, bagagem, capacetes e novidades.

E as marcas portuguesas?
Das marcas nacionais, só encontrámos uma confirmação direta. A AJP, de Penafiel, publicou a 26 de outubro no seu site que vai à EICMA 2026 com novidades da PR7 e a Fulgora, a sua moto elétrica, de que só vimos o título. A Fulgora foi testada pelo público em abril, no Expomoto, com lançamento previsto para o fim de 2026 ou o início de 2027. A AJP já tinha estado em Milão em 2025 e continua a ser o único fabricante português de motos.
A FAMEL, que se estreou em Milão em 2025 com a E-XF elétrica (5,5 quilowatts, cerca de 7000 euros) e um conceito de scooter, não confirmou presença em 2026 em nenhuma fonte que encontrassemos. Fica, portanto, como esperada, mas por confirmar. Há ainda a TVS, que já tem 25 concessionários em Espanha e em Portugal.

O que vale a pena esperar
Milão deixou de ser só o sítio onde se vê pela primeira vez. É também o sítio onde se vê ao vivo o que já se viu em fotografias, e onde por vezes sai uma surpresa com que ninguém contava. Se alguma coisa se confirma, será na terça-feira, 3 de novembro, entre a conferência da BMW, da KTM e da TVS. O resto, como sempre, são palpites.
















