Nascida da paixão pela criação
Entre 1956 e 1957, a Yamaha ganhou destaque com vitórias esmagadoras em duas importantes corridas de motos no Japão. Em março de 1956, a empresa comprou um terreno adjacente à Fábrica de Hamakita com o objetivo de expandir o seu sistema de produção. Em setembro, a produção mensal atingiu as 1.080 unidades, ultrapassando a marca das 1.000 unidades, que era o objetivo da empresa na altura.
A conquista foi o resultado de uma maior variedade de produtos, uma vez que a segunda moto da Yamaha, a YC-1 de 175cc, tinha sido lançada no mercado após a YA-1. As fábricas da empresa foram pressionadas para aumentar a produção enquanto, ao mesmo tempo, o desenvolvimento da terceira moto da empresa, um modelo de 250cc, prosseguia a um ritmo acelerado.

Equipa de design a trabalhar no protótipo à escala
Nessa altura, a Yamaha YD-1, apresentada em fevereiro de 1957, rompeu com a imitação dos modelos europeus e procurou a originalidade. O desenvolvimento da nova YD-1 de 250cc foi transferido para o Laboratório de Investigação de Hamamatsu, que foi estabelecido como parte da Nippon Gakki em janeiro de 1956. Os engenheiros questionaram a política do presidente e o resultado foi uma moto única, livremente concebida pelos próprios.
Os planos iniciais do presidente Kawakami previam um design baseado na MB250, uma moto desportiva fabricada pela empresa alemã Adler, à qual seria acrescentado um toque de originalidade no acabamento exterior. Os engenheiros, no entanto, apelaram ao presidente para que os deixasse criar eles próprios uma moto, de acordo com o seu próprio projeto. O seu orgulho tinha crescido com o sucesso da YA-1 e da YC-1 e, acima de tudo, os jovens engenheiros tinham um forte desejo de enfrentar o desafio de criar algo novo.

Protótipo concluído da YD-1
A equipa de desenvolvimento da YD-1 era composta por seis jovens engenheiros, que em equipa decidiram priorizar tanto a funcionalidade como o design. Os modelos fabricados no Japão na época priorizavam características práticas, como a capacidade de transportar encomendas, enquanto o design era secundário. Passando da imitação à criação, a YD-1 — que começou num pedaço de papel — era extremamente original. Montado numa estrutura tubular de aço e metal estampado, o motor era um modelo topo de gama, a 2 tempos, 2 cilindros e 250 cc.
A moto apresentava um estilo dinâmico, com pequenas jantes de 16 polegadas e um depósito de combustível com um formato único, mais alto do que comprido. Devido à forma do tanque e à sua cor castanha escura, ganhou a alcunha de Bunbuku Chagama (chaleira).

O Presidente Kawakami viajou entre Hamamatsu e Tóquio em motos YD-1
Em abril de 1957, a YD-1 foi lançada no mercado. Recebeu muitos elogios como uma moto inovadora e exemplar, que destacava toda a gama da tecnologia da Yamaha, mas logo após a sua estreia começaram a surgir queixas em relação às ligações que ligavam as cambotas direita e esquerda. Este não era o tipo de problema que pudesse ser resolvido individualmente em algumas motos; foi necessário um recall de cerca de 3.000 unidades. A resolução do problema custou muito em termos de dinheiro e mão de obra, mas foram implementadas medidas rigorosas por decisão do Presidente Kawakami, que enfatizou um compromisso absoluto com a qualidade.
O valor da YD-1, no entanto, residia no facto de um fabricante japonês ter rompido com a imitação de outros modelos e procurado a originalidade. Também desempenhou um papel importante na aceleração da transição das motos utilitárias para as motos desportivas.
















