5 coisas que precisa de saber antes de comprar uma moto
Da segurança ao estado de conservação, histórico de manutenção e muito mais, avaliar uma moto usada para comprar exige conhecimento e pensamento crítico. Aqui está um começo.
O ditado “Olha antes de saltar” soa-lhe familiar? É um conselho inteligente quando se está a comprar uma moto, especialmente uma usada. Não só porque examinar o produto pode evitar reparações dispendiosas mais tarde, mas porque estudar atentamente as suas motivações de compra irá ajudá-lo a comprar a moto de que necessita.
Obter a máquina certa para o seu nível de habilidade e para a utilização que lhe vai dar é crucial. Continue a ler para obter algumas dicas úteis sobre o que comprar e como o fazer.

1 – Avalie a Segurança
Na realidade, esta é a alínea mais importante. Sim, há muitos outros assuntos a considerar, mas vamos abordar primeiro este importante tema, uma vez que uma longa e agradável carreira no motociclismo tem a segurança como o seu alicerce mais crucial. Isto inclui a sua carta, formação, hábitos e práticas de condução – e, naturalmente, o estado da própria moto. Por enquanto, vamos concentrar-nos na máquina. Se comprar uma nova, é razoável presumir que a moto está em boas condições de segurança: os pneus serão novos e calibrados corretamente; a corrente estará devidamente ajustada; e os travões estarão em bom estado. Até aqui, tudo bem. Mas o que acontece se comprar uma moto usada?
Se comprar a um concessionário, peça os registos que comprovem que a moto tem a manutenção em dia e uma lista de verificação de segurança preenchida. Se recusarem, procure noutro lugar, porque precisa e merece saber que qualquer máquina que compre é segura. Isto é mais difícil quando se compra a um particular. Neste caso, tem algumas opções: pedir para ver os registos de manutenção; diga ao vendedor que pretende que a moto seja avaliada por um concessionário; ou, pelo menos, leve um amigo motociclista qualificado para a inspecionar.

2 – Condição Geral
Vamos assumir, para esta secção, que uma moto nova estará em perfeitas condições, com revisão feita e pronta a circular. (Além disso, terá garantia, e ultimamente por uns bons anos.) Sendo assim, vamos falar sobre a compra de uma moto usada. Embora muitos motociclistas queiram encontrar uma moto usada com baixa quilometragem (nós também!), saiba que a quilometragem no odómetro não deve ser necessariamente um impedimento para comprar uma moto de que goste – desde que as revisões tenham sido feitas a tempo e horas.
Já uma má utilização ou negligência são preocupantes, porque qualquer serviço ou manutenção que o proprietário anterior tenha ignorado, terá de corrigir mais cedo ou mais tarde. E isso requer tempo e dinheiro. Para se proteger, antes de comprar, inspecione a moto de frente para trás e de cima para baixo. Observe a parte estética, incluindo pintura, plásticos e cromados, examine os pneus, procure danos causados por acidentes e verifique o desgaste da corrente e da coroa traseira. (Dica: Tente afastar a corrente da borda traseira da engrenagem.) Numa corrente em bom estado, os elos quase não se movem, mas numa corrente desgastada, sim. Além disso, os dentes de uma engrenagem muito desgastada têm uma forma assimétrica – como a barbatana dorsal de um golfinho – em vez de simétrica. Também pode examinar a cor do óleo do motor e do líquido dos travões (mais claro indica que é mais recente, mais escuro indica que é mais velho).
Passos analíticos mais avançados incluem verificar se os rolamentos da direção e da traseira estão a travar ou com folga, como funcionam os travões e se os cabos e comandos operam de forma suave e leve. Com o motor em funcionamento, teste o sistema elétrico, incluindo as luzes (ambos os faróis), os piscas, a luz de travagem, as luzes indicadoras e a buzina. Há mais, mas este é um bom começo.

3 – Histórico de Manutenção
Alguns proprietários tratam da manutenção das suas motos com a mesma atenção com que um rottweiler trata uma costeleta de porco. Outros, nem tanto. O desgaste dos pneus, uma corrente seca, enferrujada ou solta, talvez um banco rasgado ou uma pintura riscada, e um aspeto geralmente sujo ou descuidado dizem muito sobre o cuidado que houve com a moto. Se não souberem precisar quando foi a última mudança de óleo ou revisão, cuidado! Para evitar problemas, peça o histórico de manutenção. Se tiver sorte, estará lá tudo, organizado por ordem cronológica. Uma resposta evasiva e confusa do vendedor ou apenas alguns papéis espalhados alertarão para possíveis problemas. Negocie com um vendedor honesto; ficará feliz por o ter feito.

4 – Escolha a moto ideal para as suas capacidades
Assim, quer trocar a sua acelera por algo com um pouco mais de potência. Não vá mergulhar de cabeça e gastar 40.000 euros numa Ducati Panigale V4 R. Grande erro! Andar de moto é como voar: não se salta de um Cessna 152 a hélice para um F-35 a jato num instante. Escolha a sua primeira moto de acordo com a sua habilidade e experiência acumulada. Se não tem nenhuma, tudo bem. Compre uma moto leve para principiantes, que lhe permita conduzir na cidade, manter a velocidade baixa e praticar em qualquer parque de estacionamento, bairro ou rua sem saída.
Felizmente, há mais de uma década, a indústria das motos apercebeu-se da necessidade de novos motociclistas para substituir a geração Baby Boomer que estava a envelhecer. O resultado é uma grande variedade de motos para iniciantes, desde 125 cc a 350 cc, com preços acessíveis. Há meia dúzia de novas motos homologadas para utilização na via pública, com preços entre os 3.000 e os 5.000 euros (e isto é apenas uma fração das opções). Isso quer dizer que nas usadas os preços serão ainda mais atraentes.

5 – A escola de todo-terreno
Já pensou em ter uma moto todo-terreno como primeira moto? Há muito mérito nisso, porque em terra não tem de se preocupar com o tráfego de automóveis e camiões, semáforos e sinais de trânsito, asfalto, bermas e postes de serviços públicos – nada disso. Pode passar horas – dias e até meses – apenas a desfrutar do ar livre e, o mais importante, a aprender e a aperfeiçoar habilidades em terreno natural. Estamos convencidos de que a terra é a melhor professora para os motociclistas. É uma professora pragmática também, porque se cair, não há ninguém para culpar: é sua obrigação levantar-se, erguer a moto e ponderar o que levou à queda. O pneu dianteiro embateu num troço de areia ou pedra, a roda traseira derrapou num sulco ou simplesmente perdeu o equilíbrio em condições adversas? Está tudo bem, porque está a aprender. Com a moto certa, o equipamento certo e um ritmo de condução fácil e paciente, em terra, o conhecimento adquirido é mais do que fantástico. E boas notícias: praticamente qualquer veículo com engate para reboque pode acomodar um suporte para moto, permitindo-lhe transportar a sua moto até um local para andar com facilidade. Vemo-nos lá!














