Teste Brixton Crossfire 500, as Cool as it gets

By on 20 Outubro, 2020

texto de Pedro Alpiarça

 

INTRODUÇÃO

A jovem marca Brixton sempre apostou no mercado das neoclassicas de baixa cilindrada, mas deste vez subiu um patamar. A Crossfire 500 aponta directamente aqueles que possuem carta A2, num concorrido nicho cheio de propostas a esbanjar estilo. Descendente do grupo KSR (detentor de marcas como CFMoto, Lambretta, Malaguti, Italjet) tem o seu gabinete de design e desenvolvimento na Austria e produção asiática, e isto são muito bons cartões de visita, esta simbiose faz-nos lembrar outras marcas de grande sucesso recente.

 

 

 

LOOK, QUALIDADE, ERGONOMIA

Comecemos pelo depósito de combustível com a forma de X, numa linha estética que acompanhará todos os novos modelos Brixton, a quantidade de pormenores associados à marca impressiona pela sua distribuição bem pensada e interessante. Desde o farol dianteiro full Led com o logotipo, o X gravado nas borrachas dos poisa pés e nos resguardos do radiador, da chave aos punhos, à bonita tampa do depósito, tudo exala cuidado no design, não existe um ângulo que não seja fotogénico.

 

 

A traseira limpa, com o suporte de matrícula ligado ao braço oscilante, o banco retro (podia ser mais confortável), e o mostrador redondo com de lcd de contraste negativo bastante simples e prático, completam o look estilizado. A Crossfire faz virar cabeças na rua, numa urbe tão focada na imagem, ela sente-se como peixe na água, orgulhosa com a sua presença. Boa posição de condução, muito embora gostaríamos de uns poisa-pés um pouco mais elevados (percebe-se o porquê quando percebemos a partilha com a sua irmã gémea mais vocacionada para o fora de estrada, permitem uma pilotagem em pé mais fácil), torna-se constante o raspar dos mesmos em condução mais empenhada. Os Pirelli Angel ST que a equipam têm muito mais para dar. A qualidade de construção não desilude, tudo muito composto, com uma linha de escape bem desenhada e uma sensação ao toque dos comandos adequada ao segmento.

 

 

CONDUÇÃO

O motor que equipa esta Brixton é um bicilindrico de 486cc, contando com cerca de 47 cv e um binario de 43 Nm, e um conta-rotações interminável! Se as coisas boas acontecem entre as 4k e as 6500k, a partir daí é tudo muito gritante e esforçado. Gostaríamos de uma relação final mais longa, para não cairmos no estigma do “só faz barulho e não anda nada”. Porque em boa verdade, anda, e bem!

De quadro ágil (não é a treliça da sua arqui-rival), e  de suspensões competentes, se fazem sorrisos nas vias mais rápidas e nas curvas mais longas. Bom compromisso performance/conforto das Kayaba, que após ajuste na compressão, se tornaram um pouco mais perdulárias nos empedrados das velhas ruas. Em ritmos mais entusiastas preferimos sempre rigidez e boa leitura do piso do que ter ideias vagas no que toca ao atrito. No capítulo da travagem, ficámos desiludidos com os J.Juan que equipam estas unidade. Pouco mordazes, sem grande tacto, causando o efeito da “mão cheia” na altura de parar a diversão. A potência está lá, mas requer empenho na altura de actuar. Era preciso um pouco mais…

O assento clássico (mas moderno nesse sentido) revelou-se rijo e pouco amigo dos mais desafiados verticalmente. Na abertura de pernas necessária para tocar no chão, tínhamos aquela dor do dia seguinte, quando nos sentamos de novo e percebemos que algo nos magoou. Não será uma máquina para grandes tiradas, o que é pena, porque com consumos a rondar os 4 litros, poderíamos facilmente esbanjar estilo por esse país fora.

 

  

CONCLUSÃO

Esta Brixton Crossfire 500 está perfeitamente enquadrada no seu tempo. Fica bem em qualquer foto urbana, permite doses de diversão equilibradas e seguras para quem quer começar a explorar os os limites das suas aptidões motociclisticas.

O segmento de mercado onde se insere tem uma competição feroz, e a sua nítida inspiração na Husqvarna Vitpilen deverá ter a ver com a baixa altura das sebes que separam as duas casas. Este espreitar inspirador, não tira nada à sua atitude, com os seus orgulhosos pormenores associados à marca, cria um identidade própria, sem preconceitos. Por pouco mais de 6000€ achamos que a racionalidade tem de sobrepor ao ego, e se há uma geração que sabe disso, é o alvo desta nova aposta da Brixton. Ser Cool hoje em dia não é difícil, torna-se complicado é sê-lo com critério e imaginação…A Crossfire 500 consegue-o de forma fantástica. 

 

Praticamente todos os modelos deste enquadramento oferecem uma versão mais poeirenta…e a Brixton não o esqueceu. De tiponomia Scrambler, a versão X vem equipada com pneus mais cardados (Pirelli MT60, suporte de matrícula subido, guiador mais largo e pormenores estéticos especificos.

Para andar em pé nos buracos e tirar aquela foto ao pé da praia sem ter que pedir aos amigos para nos salvarem…

 

 

Mais:

  • Estilo contemporâneo e actual
  • Agilidade e estabilidade do quadro
  • Pormenores estéticos associados à marca

Menos:

  • Travagem 
  • Rigidez do assento

 

FICHA TÉCNICA

  • Motor:         Bicilíndrico em linha de 486cc, injecção Electrónica
  • Potencia e Binário:     47cv @ 8500rpm;  43Nm @ 6750 rpm
  • Suspensão Dianteira:  Forquilha Invertida KYB (ajustável)
  • Suspensão Traseira:   Monoamortecedor
  • Travagem:    Disco 320mm (dianteiro); Disco 240mm (traseiro); maxilas J.Juan
  • Peso:             180kg (seco)
  • Jantes e pneus:  Raiadas de 17″; Pirelli Angel ST e Pirelli MT60 (versão X); 120/70 ZR17 (tubeless) e 160/60 ZR17 (tubeless)
  • Consumos:  4,0 l/100km
  • Altura do assento: 795mm   
  • Preço: 6 162,31€

 

COMPETIDORES

 

  • Husqvarna Vitpilen 401: ( Preço: 7375€ ;  Potência: 43cv ;  Peso: 148kg )

 

  • KTM Duke 390:         ( Preço: 6025€ ;  Potência: 43cv ;  Peso: 149kg )

 

 

  • Benelli Leocino 500:   (Preço: 5990€  ;  Potência: 48cv  ; Peso: 186kg  )

 

  • Honda Rebel 500:   ( Preço: 6250€ ;  Potência: 46cv ;  Peso: 182kg )

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x