Mais velho praticante reforma-se aos 81 anos

Fotos Arquivo Paulo Araújo
O mais velho ‘artista’ do Poço da morte existente em Portugal, Henrique Amaral, reformou-se aos 81 anos e com ele, acabou em Portugal a atração de feira com mais de meio século, que era cada vez mais complicado manter em atividade.
‘Ti’ Henrique Amaral fugiu de casa aos 18 anos e, após andar muito e por peripécias várias, achou-se a trabalhar para um dos Poços da Morte que corriam as feiras do país. Outro tinha como artista Balduíno Contreras, falecido há muito, irmão mais velho do famoso mecânico das clássicas ‘Manelito’.

Estava presente na Feira dos Carochas de Aveiro em 2011 quando o ‘Ti’ Henrique teve um primeiro aviso… uma quebra de tensão durante o espetáculo fê-lo vir por ali abaixo e acabou levado numa ambulância… considerando a idade, umas costelas partidas foi um preço baixo, mas a mensagem era clara: os filhos não queriam continuar, ele era o ‘artista’ principal, e mesmo o montar e desmontar a estrutura de certame em certame estava a tornar-se demais para a idade avançada.

Ironicamente, fora em Aveiro, alguns 60 anos antes, que começara na Feira de Março, nessa altura com bicicletas a pedal. As motos vieram mais tarde, quando viu o Poço da Morte da Feira Popular de Lisboa, no qual trabalhavam na altura dois rapazes e uma rapariga. Ainda tirou tempo para o serviço militar, e regressou, desta para uma ‘esfera da morte’, primeiro ainda de bicicleta e depois evoluindo para uma moto. Foi o começo duma carreira em que acabaria por envolver a família, atuando junto com os filhos dezenas de anos.
Mas não havia dúvidas de quem era o artista… Durante a sua atuação, Henrique Amaral vendava os olhos e cruzava ou esticava os braços para os lados, prendendo o acelerador para a moto andar sozinha e acabando por erguer a bandeira nacional, terminando a atuação em apoteose. Agora, o único Poço da Morte que restava em Portugal tem como destino o ferro velho…
















