Até quando a impunidade nos crimes rodoviários?
Nos últimos dias, uma série de acidentes dramáticos, muito para lá do que seria considerado normal, quer em frequência, quer nas consequências, fizeram manchetes um pouco por todo o lado… O cenário, esse, era previsivelmente idêntico: Um carro abalroa um motociclista e deixa-o gravemente ferido ou mesmo sem vida, e põe-se em fuga.
Mesmo quando houver testemunhas, o caso afigura-se complicado, quanto mais quando apenas se encontram as consequências do acidente e ninguém viu nada… As companhias de seguros tendem a aporcionar a culpa em percentagens, como se perder a vida num acidente fosse menos dramático se de algum modo contribuimos para o seu desfecho. Agora, mesmo com o estado pouco dinâmico da nossa polícia e as escandalosas decisões recentes de juízes, libertando criminosos e mais facilmente punindo o agente que baleia um bandido do que o ladrão ou assaltante, é quase certo que quem matar outra pessoa com uma facada ou tiro, será detido. Porém, com um carro, uma arma bastante maior, nem é considerado crime e o autor dá-se ao luxo de se vir entregar às autoridades umas horas depois alegando inocência, sem nunca ter a sua liberdade ameaçada depois de ter causado uma morte!

Perante este cenário, a grande preocupação das autoridades parece ser as motos que por vezes andam – pasme-se – a 140, ou fazem barulho pelo escape… Todos os casos acima se resolvem facilmente do mesmo modo: MAIS policiamento, e não falamos de operações Stop, esporádicas e mais interessadas na caça à multa… falamos de vigilância com veículos descaracterizados, muito mais intensa e a todas as horas e de ação imediata. Transitem pelos arredores de Lisboa depois do anoitecer, e de poucos em poucos metros detetarão veículos com luzes defeituosas (ou sem luzes de todo!)… porque não há qualquer vislumbre de policiamento noturno… Se as luzes são apenas a ponta visível do ‘iceberg’, imaginem o que não vemos… Carros defeituosos ou roubados, ou sem seguro ou inspeção, etc. por aí fora…
Estaria tudo bem se os criminosos atuassem das 9 às 5, mas sabemos que não é assim… Pode ser que, como muitos com capacidades legislativas e de autoridade, vêm as motos como um problema, até agradeçam quando um de nós perde a vida na estrada… mas se formos todos considerados cidadãos com direitos iguais, alguém tem de fazer alguma coisa a breve trecho…
















