Modelos algo esquecidos que já foram sensação
A configuração básica de uma moto – um quadro com duas rodas em linha a que se ataca um motor e se monta- pouco mudou desde a sua invenção há mais de um século. Porém, em termos de soluções técnicas, também houve muitas variantes ao longo dos anos: número de cilindros, natureza do propulsor e sua localização na moto, e até quadro e formatos alternativos. Escolhemos uma dezena que tipifica algumas dessas configurações menos habituais ou que fizeram história na sua época.

1 – Suzuki RE5 – Japão
Sofisticadíssima, a RE5 rotativa lançada em 1974 ao lado das primeiras 4 tempos da série GS tinha tudo para ser um sucesso. A base era um motor Wankel rotativo, nominalmente de 500 cc, mas que, graças às 3 câmaras de combustão, podia debitar uns 62 cv e atingir os 175 km/h, apesar de 230 kg de peso.

A suavidade do motor era tal que se podia equilibrar uma moeda no depósito com a moto ao ralenti. Porém, a complicação e preço elevado acabaram por ditar vendas residuais e a moto saiu do mercado em 1976, sendo hoje muito apreciada por colecionadores.

2 – Megola 600 – Alemanha
Talvez pela sua disponibilidade após a grande guerra, alguém tenha tido a ideia de colocar um motor radial de avião dentro da roda dianteira desta criação de 2021… O veio da cambota ficava parado e os 5 cilindros dispostos radialmente, que perfaziam um total de 640 cc, rodavam com a roda, produzindo movimento, mas apenas 14 cavalos.

Ainda se fabricaram 2000 unidades até 2025, mas a sensação estranha com o peso dianteiro acabou por a fazer ficar destinada ao campo das curiosidades colecionáveis.

3 – Y2K – EUA
Como seria de esperar duma moto produzida do outro lado do Atlântico, a Y2K (referência ao ano 2000) primava pelo excesso, debitando 320 cv do motor adaptado de uma turbina de helicóptero Rolls Royce. A moto única, com um peso de 220 Kg, fazia sensação em concentrações e uma segunda versão chegou mesmo a atingir os 420 cavalos e 365 Km/h, com alguém corajoso a bordo!

Como curiosidade, podia queimar uma variedade de combustíveis desde gasolina a gasóleo e avgas de aviação. Não consta o que aconteceu ao exemplar que deve estar numa coleção algures.

4- Suzuki RK67 – Japão
A Suzuki RK67 foi uma 50 cc de Grande Prémio que representou uma das derradeiras loucuras antes da FIM limitar as classes pequenas em cilindrada e número de velocidades. Supremos miniaturistas, a marca da Hamamatsu, que começara por fabricar teares têxteis, desenvolveu um pequeno motor bicilíndrico de 50 cc, (feito não inédito, pois os irmãos Rito de Braga tinham feito o mesmo em 1951, mas, ao contrário do Japão, ainda foram multados por construir um motor sem licença!).

Este atingia as 20.000 rpm para debitar cerca de 18 cavalos, potência suficiente para levar os seus 58 Kg quase aos 180 km/h através da caixa de 14 velocidades (leram bem!) e, escusado seja, fez furor na Europa, com o barulho do motor, a esses regimes, a mais parecer um avião a jato!

5 – Benelli 750 SEI – Itália
Muito antes da Honda CBX ou Kawasaki 1300/6, os irmãos Benelli de Pesaro, na Costa do Adriático, construíram esta verdadeira jóia, uma 750 de 6 cilindros em linha que localizava o alternador atrás do veio da cambota e não na sua extremidade para reduzir a largura total do motor…

Os 6 cilindros de 125cc (solução conveniente para uma marca que fabricava numerosas motos de pequena clilindrada!) eram alimentados por 3 carburadores e, com uma posterior versão aumentada a 900 cc mas sem o carisma dos 3 escapes elevados de cada lado, ainda se fabricaram umas 9.000 unidades desta exótica criação, de que há vários exemplos em Portugal.

6 – Kawasaki H2 750 Mach IV – Japão
Sensacional na altura do seu lançamento em 1971 pela natureza explosiva do seu motor de 3 cilindros e 74 cavalos, e algo injustamente apelidada de ‘widow maker’ — fazedora de viúvas — a H2 marcou uma era em que a potência dos motores andava frequentemente muito à frente do desempenho da ciclística. Juntem a isso a ausência de leis de capacete e os maus pneus da altura e metade da má fama do modelo está explicada.

O conjunto motor com os 3 escapes assimétricos — um a sair do lado esquerdo e dois do lado direito — era de uma beleza inegável, e o som arrepiante da subida de regime a caminho do teto de 6.800 rpm tornou-a lendária, apesar de uma velocidade máxima de pouco mais de 190 km/h.

7 – Yamaha Niken – Japão
A primeira moto de inclinação de 3 rodas do mundo, a NIKEN, combinava alta performance, especificação premium e design futurista.
Baseada no motor da Yamaha MT09 com o motor CP3 de 847 cc, mas com uma sofisticada combinação de garfos duplos móveis que permitia ao modelo inclinar-se quase como uma moto convencional, atingindo os 45º de inclinação.

O comportamento em curva proporcionava níveis crescentes de confiança e prazer, oferecendo mais diversão com menos stress. A NIKEN recebeu o prémio Red Dot Award de 2019 mas não foi um sucesso de vendas.

8 – DKW W2000 – Alemanha
Antes da Suzuki do topo deste artigo, a primeira moto a licenciar a tecnologia Wankel para ser dotada de um motor rotativo pela Fichtel & Sachs foi esta DKW, chamada Hercules nalguns mercados.

O motor provinha de uma moto de neve e, nominalmente, era considerado um 294 cc, permitindo um débito de 32 cavalos com a proverbial suavidade desconcertante deste tipo de motores. Com 173 Kg, podia atingir os 170 Km/h e das cerca de 100 unidades produzidas só se conhece uma em Portugal.
9 – Britten V1000 – Nova Zelândia
Criada por um engenheiro neo-zelandês, a Britten foi uma moto extremamente inovadora, não só porque não tinha quadro, com a suspensão montada diretamente no motor à frente a atrás, mas também porque o próprio motor, um V2 de 998 cc e 166 cv, foi totalmente projetado e fabricado artesanalmente por John Britten.
Para provar as capacidades da moto, esta foi inscrita em corridas como a Ilha de Man, onde atingiu mais de 300 Km/h, consolidando o estatuto lendário do seu criador, entretanto tristemente desaparecido vítima de cancro.

10 – KTM 900 2×2 – Áustria
Ao longo dos anos, a ideia de criar uma moto de tração integral foi contemplada por vários construtores: os irmãos Savard, em França, e um mecânico brasileiro de São Paulo, Geraldo de Oliveira, experimentaram com uma transmissão secundária por correntes e engrenagens mecânicas em que uma corrente saía da região do pinhão original e subia paralelamente ao quadro até a coluna de direção e até deram origem à Yamaha WR450F 2.

Agora, surgiu esta criação baseada numa KTM 900 de Enduro. A originalidade desta moto é ter a transmissão levada às duas rodas através de pinhões de ataque diferenciados. Com 100 cv e 170 kg, a moto foi testada no TT com algum sucesso mas sem aplicação prática até agora.
















