Três dias, mais de 1.000 quilómetros e praticamente todas as condições que o todo-o-terreno podia oferecer
Pedro Bianchi Prata completou o Portugal de Lés-a-Lés Off Road numa moto 100% elétrica, num exigente teste de resistência e desenvolvimento tecnológico.
Do pó e calor dos primeiros dias à chuva e lama da etapa final, passando por pedra, areia, montanha e zonas rápidas, o desafio permitiu testar em condições reais o comportamento da moto, das baterias e de todo o sistema de gestão de energia.
Mais do que simplesmente chegar ao final, o objetivo foi acumular quilómetros e informação para continuar a evolução do projeto.

“Não viemos fazer uma demonstração de uma moto elétrica. Viemos colocá-la à prova durante três dias e mais de mil quilómetros, perceber o que funciona, encontrar os limites e, principalmente, descobrir aquilo que ainda podemos melhorar. Cada problema que encontramos é também informação para evoluir.”, explica Pedro Bianchi Prata.
O desafio exigiu igualmente uma enorme operação logística. Durante os três dias, o staff acompanhou o percurso, preparando antecipadamente os pontos de assistência, as baterias, os carregamentos e as sucessivas trocas necessárias para manter a moto em andamento.
“Eu estava em cima da moto, mas estes mais de mil quilómetros foram feitos por uma equipa inteira. Houve pessoas a dormir pouco, a fazer muitos quilómetros de assistência e a trabalhar durante horas para estarem sempre no lugar certo. Chegar ao final foi uma vitória de todos.”
Energia para desenvolver novas soluções
A MOEVE, parceira deste projeto, assume também um papel importante nesta aposta no desenvolvimento e teste de novas soluções de energia e mobilidade.
O apoio permite que a tecnologia seja levada para fora do ambiente controlado e submetida a condições extremas de utilização, produzindo informação essencial para as próximas fases do projeto.
“A energia deste projeto não vem apenas das baterias. Vem também dos parceiros que acreditam que é preciso testar, experimentar e aprender. Ter a MOEVE connosco neste caminho é muito importante porque permite-nos continuar a transformar ideias em quilómetros e quilómetros em conhecimento.”

Uma nova opção, não uma substituição
Para Bianchi Prata, a experiência deixa também uma mensagem importante sobre o lugar das motos elétricas no todo-o-terreno. O objetivo não é substituir as motos de combustão, mas demonstrar que diferentes tecnologias podem coexistir dentro do mesmo desporto.
Com uma carreira construída ao longo de décadas em motos de combustão, incluindo participações no Dakar, Campeonatos do Mundo de Bajas, Enduro e ISDE, o piloto português considera que a chegada de novas tecnologias não diminui aquilo que já existe.
“Uma moto elétrica não precisa de substituir uma moto de combustão para justificar a sua existência. Eu adoro motos de combustão e fazem parte de toda a minha história no motociclismo. Mas acredito num desporto inclusivo, onde existe espaço para diferentes tecnologias. Quem quiser combustão deve poder escolher combustão; quem quiser elétrica deve ter também essa opção. No final, todos partilhamos a mesma paixão: andar de moto.”
Depois de mais de 1.000 quilómetros, o projeto termina o Portugal de Lés-a-Lés Off Road com uma quantidade importante de dados, experiência e novas áreas de desenvolvimento identificadas.
A chegada a Portimão não representa, por isso, o fim do trabalho. Representa mais uma etapa no desenvolvimento de uma tecnologia que continuará a ser testada onde realmente interessa: no terreno.
Mais de 1.000 quilómetros depois, o objetivo não foi provar que uma tecnologia é melhor do que outra. Foi demonstrar que há espaço para ambas.














