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Clássicas de Outrora – A Ariel Square Four

Paulo Araújo por Paulo Araújo
19 Setembro, 2025
em Clássicas, Notícias
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Clássicas de Outrora – A Ariel Square Four

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Parte 2

À medida que a Square Four resolvia os problemas iniciais de fiabilidade, ironicamente, o modelo vendia cada vez menos

Ariel Square Four de 1948: O motor já é 1000cc, mas os garfos antiquados ainda persistem

No início dos anos 50, vários fatores começam a ditar a decadência da indústria britânica: desde logo, a recuperação da economia após a II Guerra Mundial significa que uma fatia da classe média pode, pela primeira vez, contemplar a aquisição de um pequeno carro, com o consequente efeito nas vendas de motos.

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As fábricas entram em dificuldades financeiras, e então, dá-se o golpe que viria a provar-se fatal para a Square Four: a marca Ariel é adquirida pelo presidente da BSA, o grande industrial Sir Bernard D.F. Docker (1896-1978), que compraria também a Triumph, a New Hudson e a Sunbeam. Em breve, as características de cada marca seriam diluídas pela utilização de componentes comuns, numa tentativa de obter economias de escala…

Dentro deste quadro, a Ariel Square Four tinha os seus próprios problemas. Sendo a moto de maior cilindrada no mercado, era cara e o seu preço aproximava-se do dos carros mais baratos. No entanto, se bem que não fosse rápida para 1952, nem na velocidade máxima de cerca de 160 Km/h, nem na aceleração semelhante às bicilíndricas da BSA ou Triumph, a Ariel era mais suave e respondia melhor em baixa a pequenas modulações do acelerador, com aceleração forte em médias para ultrapassagens.

A moto começou a ser afetuosamente conhecida como “Squariel” e ganhou fama como montada de longas distâncias, até porque a ciclística algo mole se prestava a isso, dando um comportamento que privilegiava o conforto, mais que a condução desportiva.
De qualquer modo, quaisquer veleidades para a última seriam severamente afetadas pela distância ao solo muito limitada, fazendo a moto raspar mesmo a inclinações modestas, sem chegar sequer a taxar as capacidades dos pneus.

A travagem era também, (em comum com todas as motos da época!), muito limitada, com dois fracos e estreitos tambores, um em cada roda, a requerer antecipação cuidada de qualquer situação que exigisse desaceleração viva.
O descanso, situado no eixo traseiro, também era estranho de utilizar, mas comum na época, obrigando o operador a aguentar a moto vertical e vir cá atrás antes de colocar a roda solidamente no ar.

À 4G Mk1 seguiu-se, previsivelmente, a 4G Mk2. Este fora extensamente melhorada, com novo cilindro que incorporava quatro saídas de escape, e refrigeração melhorada pela circulação de ar através das saídas de escape.
O motor tinha muitas características mais comuns nos automóveis, como carburador único com distribuição por “rail” aos 4 cilindros e distribuidor em bakelite tipo carro.

Outros melhoramentos eram uma nova bomba de óleo e embraiagem seca reforçada. Evolução na forma dos êmbolos viu a potência subir para 40 cavalos às 5.000 rpm, permitindo ao modelo atingir os 168 km/h em teoria.
Mesmo em 1956, a moto ainda voltou a ser modernizada, com o tambor dianteiro alargado para a grossura da roda, farolim tapado mais aerodinâmico e roda traseira de destaque rápido.
Um protótipo chegou a ter uma suspensão traseira de dois amortecedores, mas nunca foi posto em produção.

O grande avanço, refrigeração líquida, que poderia ter resolvido para sempre os problemas de aquecimento do motor, também nunca foi posto em prática.
A razão, agora que a marca era parte do grupo BSA, era simples: tinha sido decidido apostar na Leader, (abaixo) uma utilitária a dois tempos, que entra em produção em 1958, com o seu aspeto totalmente tapado, pondo fim a quase 30 anos de produção da Square Four.

Ariel Leader de 1959 (British Motorcycle Museum)


A Ariel finalmente encerrou a fábrica de Bournbrook em 1967, tendo a produção total dos vários modelos Square Four chegado a quase 16.000 unidades, e hoje pode dizer-se que as suas características únicas e avançadas para a época nunca a deixarão ser esquecida na história da moto inglesa.

Veja a Parte 1 deste artigo aqui

Tags: ArielSquare Four
Paulo Araújo

Paulo Araújo

Com uma experiência de várias décadas no âmbito do motociclismo, viajou pelo mundo cobrindo eventos nas duas rodas. Já foi piloto de velocidade, team manager, instrutor, jornalista e comentador de rádio e televisão, especializando nas modalidades de velocidade, em particular MotoGP, SBK e Endurance.

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