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História | A Moto Guzzi | A marca da Águia

Paulo Araújo por Paulo Araújo
25 Novembro, 2025
em Clássicas, Destaque Homepage
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História | A Moto Guzzi | A marca da Águia

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1ª Parte

Marca mítica italiana, tempos houve em que, em vez de associada a pacatas motos de turismo, a águia da Moto Guzzi voava nas mais arrojadas motos de competição…

Carlo Guzzi, nascido em Milão em 1889, perde o pai cedo e emprega-se como aprendiz numa oficina mecânica. Cedo descobre que tem dotes para a mecânica, acabando como projetista na Isotta Fraschini. Porém, com a chegada da Grande Guerra de 1914-1918, é obrigado a alistar-se e, empregue como mecânico de aviões, faz amizade com dois pilotos militares chamados Giovanni Ravelli e Giorgio Parodi.

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Este último é filho do conhecido armador Genovês Emanuele Vittorio Parodi, e logo os três pensam em construir um motor de moto quando a guerra acabar… mas Ravelli morre num acidente aéreo, e isso deixa Guzzi e Parodi como sócios, com a fortuna de Parodi a ajudar na ideia de fabricar motos.
Em Março de 1921, mais precisamente no dia 15, foi constituída em Mandello del Lario, no Norte de Itália, a Società Anonima Moto Guzzi, com o objetivo de “fabricar e vender motocicletas e outras atividades ligadas à metalomecânica”.

Os sócios são três, Carlo Guzzi, o seu irmão Giuseppe, e Giorgio Parodi. A ideia de Guzzi, o sócio técnico, é simples: As motos da época são rudimentares, exigindo dotes mecânicos, paixão quase ao ponto da loucura e heroísmo para a sua utilização.
São difíceis de pegar, espalham óleo e, por pouco fiáveis, obrigam a levar junto uma vasta quantidade de peças e ferramentas para as contínuas reparações.
Guzzi não pactua com este estado de coisas e propõe-se construir uma moto melhor.

A partir dum protótipo de 1919 batizado de GP (Guzzi-Parodi) constrói uma monocilíndrica de 500cc com cabeça de 4 válvulas e distribuição por varetas.
A potência declarada é de 12 cavalos, para uma velocidade máxima possível de 100 Km/h. O modelo incorpora já numerosas soluções técnicas derivadas da indústria aeronáutica, bem conhecida dos dois. Apesar de ser avançada para a época, a GP ainda teve de ser sujeita a algumas modificações até se encontrar uma versão definitiva, até para ajudar a reduzir os custos de produção.

O nome GP, que poderia ter causado confusão com Giorgio Parodi, para não falar de Grande Prémio, é preterido por Moto Guzzi, adotando o emblema duma águia com as asas abertas, um emblema da Força Aérea, em memória do amigo falecido.
Assim, em 1921, surge a Moto Guzzi Normale, comercializada com 8,5 cavalos de potência e 80 Km/h de velocidade máxima, para um consumo de 3,5 lts aos 100 Km. A moto, com comando de válvulas à cabeça e diâmetro e curso de 82 x 88 mm incorpora várias novidades tecnológicas, e mordomias pouco habituais para a época.

Pela primeira vez, uma moto vem com descanso central, solução que será depois adotada por praticamente todos os outros fabricantes. Sem o recurso aos meios de propaganda de hoje, a melhor forma de publicitar o modelo era inscrevê-lo numa corrida e assim começa o envolvimento da marca na competição, que durará até aos anos setenta.

“Gino Finzi vence o prestigioso Targa Florio… iniciando uma série de sucessos impressionante, que durará até finais de 1957 sem interrupção. Entre o palmarés da marca adquirido nessa altura, figuram 14 títulos mundiais e 11 vitórias no Tourist Trophy.”

A prova escolhida é o Raid Nord-Sud, uma dura provação que unia Milão a Nápoles. Duas Moto Guzzi participarão, acabando modestamente na 20ª e 22ª posições. Só trinta dias depois, porém, Gino Finzi vence o prestigioso Targa Florio noutra, iniciando uma série de sucessos impressionante, que durará até finais de 1957 sem interrupção.

Entre o palmarés da marca adquirido nessa altura, figuram 14 títulos mundiais e 11 vitórias no Tourist Trophy. O sucesso em competição divulga o nome e começam a chegar as encomendas. Em 1921, constroem-se 17 unidades do modelo Normale, que eram vendidas por 8.500 liras.
A produção artesanal converte-se em industrial com a construção duma fábrica com 300 metros quadrados onde trabalham já 17 operários. Desde esse momento, o crescimento é constante. Em 1923, a marca já é bastante bem conhecida e admirada, e em Setembro de 1924 Guido Mantasti vence o Campeonato da Europa com a C4V, uma evolução do protótipo original.

O aumento constante das vendas obriga a expandir as instalações, com mais de 700 motos a sair da fábrica em 1924, quase o dobro do ano anterior. É a idade de ouro da Moto Guzzi…
Por alturas de 1925, com já 300 empregados, produzem-se mais de 1.200 motos, e em 1927 chega-se aos 10 veículos por dia.
Em 1928, a marca lança a primeira Grande Turismo da história, a Guzzi GT, dotada dum quadro flexível com suspensão posterior. O modelo acabou por tomar o nome de Norge, pois o irmão de Carlo Guzzi, Giuseppe, efetua nela uma viagem ao Círculo Polar Ártico. Ainda hoje, as turísticas topo de gama da marca têm esse nome.

Moto Guzzi Falcone no típico vermelho da marca

Por alturas de 1934, a Moto Guzzi é a mais importante marca Italiana, e os seus operários trabalham com verdadeira dedicação artesanal, assinando individualmente os motores antes de os fecharem.
Os sucessos em competição e a inovação tecnológica são constantes. No Tourist Trophy de 1935, a Moto Guzzi obtém a primeira vitória duma marca não-inglesa em 24 anos, com Stanley Woods.

A sua moto emprega suspensão atrás e cedo este conceito inovador se expande a todas as outras motos de corrida. Os modelos da altura são monocilíndricos de 250 e bicilíndricos de 500, com o avançado motor em V de 120º, capaz de exceder os 200 km/h, a dominar os circuitos do mundial quase 20 anos.
Com o sucesso em competição, o vermelho Guzzi, usado nas corredoras, torna-se a cor de eleição também nas Guzzi de estrada e quase um ex-libris da marca nesses anos. Em pista, nomes famosos como Tenni, Ruffo, Lorenzetti, Lomas e Andersson, além do já mencionado Stan Woods, pilotam para a marca.
Cedo, porém, outros desafios se erguerão…

(continua)

Tags: CarcanoCarlo GuzziLaco ComoMandello del LarioMoto GuzziParodi
Paulo Araújo

Paulo Araújo

Com uma experiência de várias décadas no âmbito do motociclismo, viajou pelo mundo cobrindo eventos nas duas rodas. Já foi piloto de velocidade, team manager, instrutor, jornalista e comentador de rádio e televisão, especializando nas modalidades de velocidade, em particular MotoGP, SBK e Endurance.

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