Numa única concentração nos EUA faleceram 14 motociclistas
Há uns dias, deu-se nos Estados Unidos, mais precisamente em Sturgis, Dakota do Sul, um dos maiores encontros mundiais de motocicistas, uma espécie de Faro lá do sítio… e as estatísticas dão que pensar: Na concentração, ou nas estradas circundantes a caminho, houve 14 óbitos relatados.
E este nem sequer é o número oficial de mortes relatado pela Patrulha Rodoviária do Dakota do Sul. O número final da Patrulha Rodoviária para o período de 8 a 16 de agosto foi de apenas 3 fatalidades e abrange explicitamente os incidentes investigados dentro do seu sistema de relatórios. O número de 14 é mais abrangente: inclui as mortes pré-encontro nas Black Hills, as mortes durante a Semana do Encontro que não foram contabilizadas oficialmente e os motociclistas que morreram a viajar para ou a regressar de Sturgis, incluindo Neil Blenker no Minnesota e Charles “Charlie” St. Clair, que morreu a 22 de agosto devido a lesões sofridas no Ohio enquanto viajava para Sturgis. E há que relativizar, com os 500.000 que se juntam em Sturgis cada ano a representar quase 20 vezes os números da nossa maior concentração.

Mesmo assim, até 23 de agosto de 2026, e pondo de lado a contagem oficial da Patrulha Rodoviária de Dakota do Sul sobre o Rally, o total geral relacionado com Sturgis foi de 14 mortes. Ora, não consta que nas nossas maiores reuniões alguma vez tenha havido tal número de fatalidades, que decerto veriam a imprensa mais histérica a gritar pelo fim das concentrações.
As razões podemos calcular facilmente: uma população motard envelhecida, pouco habituada a andar a mais de 80 km/h por causa dos rigorosos limites de velocidade do país (que se está rapidamente a tornar na maior ditadura do mundo), de repente libertada em grupos em estradas quase desertas com motos pesadas e antiquadas. Sem falar em marcas, a esmagadora maioria dos participantes dirige-se a Sturgis em cruisers pesadas, que, quando algo corre mal, com uns estimados 400 kg entre moto, passageiros e carga, atingem o ponto sem retorno facilmente… Um comentador local diz que é vê-los enfiados nas valetas aos 3 e 4 de cada vez, o que indica falta de reflexos e hábitos de estrada eficientes, que nós por cá dificilmente sobreviveríamos sem desenvolver, em vista do volume de trânsito muito maior.

E, segundo o comentário, nem é só nas curvas, uma boa percentagem despista-se em retas! Também não consta que por lá a Patrulha monte operações de apoio, que seriam provavelmente vistas como uma ingerência nos direitos individuais de cada um… Atentem neste relatório da polícia acerca de um tal incidente: “Um motociclista de 63 anos morreu por volta das 15h22 de segunda-feira na autoestrada U.S. 16A, perto do quilómetro 27, depois de a sua Yamaha de 2002 se ter despistado, caído numa vala e capotado.” Reparem na ausência do envolvimento de outro veículo (de 4 rodas?!) que, em Portugal, seria quase a norma. Em resumo, a tendência para um aumento de acidentes e, tragicamente, de fatalidades, vai ser uma realidade sempre que muitas motos se juntarem na estrada… As causas, aqui e lá, parecem ser muito diferentes, e, pela positiva, as nossas estão perfeitamente identificadas, o que pode ajudar a diminuir o total: excessos, manobras irrefletidas e uma população rolante a quem urge comunicar os cuidados a ter na estrada com o segmento mais vulnerável de longe, os motociclistas…
















