Saltar para os comandos desta pequena “streetfighter” italiana faz-nos esquecer tudo o resto à nossa volta e querer partir sem destino, ou por outro lado, fazer das obrigações na cidade um autêntico parque de diversões. Foi tudo isto que sentimos durante o tempo em que a Tuono 457 foi nossa companheira
Por Domingos Janeiro • Fotos Paulo Calisto

Já agora, conhecem o vinho do António Rosado “Deixa o Resto”? Pois é, se ainda não conhecem, está aqui o encontro perfeito para um apoteótico final de tarde: a Aprilia Tuono 457 parada junto ao mar e nós, com uma taça de branco, tinto ou rosé a brindar à vida… tudo o resto parece deixar de existir!
Pois é, que me perdoem os nossos fiéis leitores por introduzir aqui o tema dos vinhos e de uma marca em específico, mas a verdade é que desde o primeiro segundo em que me instalei aos comandos desta naked de média cilindrada que este nome “Deixa o Resto” não me saiu da cabeça. Daí ter que promover este encontro entre mim, o Rio Tejo, a Tuono 457 e claro, uma taça de tinto das vinhas centenárias instaladas nas encostas de Melides! Foi apenas meia taça, juro!
Mas vamos ao que interessa, os encantos da bela italiana!

A Tuono é um nome que dispensa apresentações quer no seio da Aprilia, como no universo das duas rodas. Desde sempre esta designação esteve ligada às altas prestações e à beleza italiana, até que numa jogada de mestre, a marca de Noale decidiu, e bem, lançar uma Tuono 125 cc… há que cativar os jovens desde cedo! Mas a estratégia estava bem montada e foi aí que surgiu uma nova necessidade, criar um ponto de passagem (ou evolução) intermédio que assegurasse a evolução dos jovens motociclistas dentro da família Tuono.

É então que surge a Tuono 660 e depois esta belíssima e equilibrada 457. Seguindo o ADN desportivo, as Tuono têm sempre chegado até após serem apresentadas as versões desportivas, que logo a seguir derivam para estas opções mais “despidas”. Assim que tivemos conhecimento que a Aprilia iria lançar uma nova RS 457, soubemos imediatamente que até a naked ser apresentada, era uma questão de tempo (pouco…). E assim foi e em boa hora o fizeram porque esta nova opção de cilindrada intermédia acrescenta real valor ao mercado.

Regresso à essência
Um dos pormenores que nos saltou de imediato à vista é o que os olhos vêm primeiro… a estética! Considero um regresso às origens e ao puro conceito “naked” com menos carenagens e uma atitude rebelde mais vincada que nos remete para as Tuono mais clássicas. Até agora, as suas irmãs de maior cilindrada e até a pequena oitavo-de-litro, quando olhávamos repentinamente, quase nos levavam ao engano, a pensar que estávamos perante o modelo desportivo, tal era a predominância das carenagens!

Agora, a simplicidade ganha destaque e nós agradecemos, embora no que diga respeito a desempenho, o ADN desportivo se mantenha todo cá. No entanto, a “criação” desta 457 não é inocente, já que a ideia foi conquistar os jovens portadores de carta A2 e daí a opção do bloco de dois cilindros paralelos com 47 cv de potência (35 kW) às 9400 rpm o máximo permitido por lei para carta A2. Já o binário aponta aos 43,5 Nm às 6700 rpm, mas com 82% do seu rendimento total disponível imediatamente a partir das 3000 rpm.

Uma moto com claro perfil urbano! Em evidência volta a estar o quadro, uma dupla trave de alumínio com motor portante, que se destaca nas laterais, sendo parte fundamental no design desta Tuono. Em comum com a RS tem também a ciclística, com as diferenças a assentarem sobre a estética e, naturalmente a ergonomia, fruto de uma postura de condução totalmente diferente, 124 mm mais elevada na Tuono face à RS.

O depósito de combustível também é ligeiramente diferente, permitindo melhor encaixe dos utilizadores no conjunto. Isto melhora o conforto mas também a altura ao solo já que o arco das pernas é mais estreito. A leveza do conjunto é notável e quando olhamos para a ficha técnica percebemos o porquê, é que são apenas 159 kg de peso a seco.

Moderna e equilibrada
Como moto moderna que é, não falta a eletrónica de última geração, apresentando-se mesmo como uma das mais completas do segmento. Graças ao acelerador eletrónico, temos três modos de entrega de potência (Sport, Rain e Eco), controlo de tração ajustável em três níveis e ainda ABS em curva. A caixa de seis velocidades é precisa, está bem escalonada e é suave, com o sistema de quick shift bi-direcional a adicionar um carácter mais desportivo, oferecendo suavidade, mas por outro lado energia em qualquer ocasião.

O assento está colocado a apenas 800 mm do solo, abrindo portas a qualquer perfil de utilizador. À primeira vista parece uma moto de dimensões pequenas, mas a verdade é que sentimo-nos muito confortáveis aos seus comandos, sem falta de espaço assim como o nosso passageiro.
No motor, notamos o ADN desportivo, embora sintamos que graças às normas Euro 5+ alguns aspectos da 457 estejam castrados como o som, por exemplo. Ainda assim, sem ser entusiasmante é “giro” de se ouvir. O bloco tem uma energia contagiante, com o binário a mostrar toda a sua determinação logo a partir das 3000 rpm, sem vibrações e com as rotações mais elevadas a não acrescentarem muito mais valor. No que toca a prestações, damos por nós a desfrutar da Tuono 457 quase sempre no modo Sport. No entanto, para uma utilização diária nos centros urbanos, o modo ECO acaba por ser a melhor opção, assim como o Rain é o mais indicado para dias de chuva ou piso escorregadio.

Comportamento refinado
Neste conjunto não há nada de negativo que possamos apontar porque tudo cumpre com humildade e equilíbrio como é o caso das suspensões, que na frente tem instalada uma forquilha invertida de Ø41 mm ajustável na pré-carga e atrás um mono-amortecedor também ele ajustável na pré-carga da mola. Na travagem, temos um generoso disco de 320 mm com pinça radial de quatro pistões Bybre na frente e outro de 220 mm atrás. A travagem é potente, com bom tacto e o ABS não se mostrou nada intrusivo. A ligação ao asfalto é feita através dos pneus Eurogrip que também se mostraram suficientes para os ímpetos desta Tuono, sem sustos ou escorregadelas!

CONCLUSÃO
Contas feitas podemos afirmar sem qualquer reserva que esta é sem dúvida uma moto que acrescenta valor à gama italiana e acrescenta valor ao próprio mercado por todos os seus argumentos. É uma excelente opção para os detentores de carta A2 que se iniciam nas motos de maior cilindrada, mas também uma excelente opção para utilizadores mais experientes mas que procuram uma moto mais simples, fácil e bonita, para utilizar no seu dia-a-dia. Tem tudo para dar certo: fortes argumentos a um preço justo (6699€) e disponível em duas cores, vermelho ou cinzento.

Ficha técnica Aprilia Tuono 457
Motor Bicilíndrico paralelo, refrigerado por líquido
Distribuição DOHC, 4 válvulas por cilindro
Cilindrada 457 cc
Potência Máxima 47 cv às 9400 rpm
Binário Máximo 43,5 Nm às 6700 rpm
Embraiagem Multi-discos em banho de óleo
Caixa 6 velocidades, c/ quick shift bi-direcional
Final Por corrente
Quadro Dupla trave em alumínio
Suspensão Dianteira Forquilha invertida Ø41 mm ajustável na pré-carga, curso 120 mm
Suspensão Traseira Amortecedor ajustável na pré-carga, curso 130 mm
Travão Dianteiro Disco de 320 mm, pinça radia Bybre de 4 pistões, ABS
Travão Traseiro Disco de 220 mm, pinça de pistão simples, ABS
Pneu Dianteiro 110/70-17”
Pneu Traseiro 150/60-17”
Altura do Assento 800 mm
Distância entre eixos n.d.
Depósito 12,7 litros
Peso (ordem de marcha) 175 kg
Cores Vermelho e cinzento
Garantia 3 anos
Importador Conceição Machado Lda
PVP 6.699€

PONTUAÇÃO
Estética 3,5
Prestações 3,5
Comportamento 4
Suspensões 3,5
Travões 3,5
Consumo 3,5
Preço 3,5














