Ensaio Suzuki Katana – Doce suavidade dos ‘oitenta’

By on 11 Agosto, 2020

A SUZUKI KATANA É UMA MOTO QUE REVIVE BEM OS ANOS 80, COM TECNOLOGIA NO MOTOR E CICLÍSTICA HERDADAS DO PRESENTE. PRESTÁVEL E CONFORTÁVEL NA CONDUÇÃO, TEM POUCAS AJUDAS ELECTRÓNICAS COM EXCEPÇÃO DO CONTROLE DE TRAÇÃO. 

Ensaio realizado por Ricardo Ferreira, equipado com capacete SHARK R-Pro, blusão, luvas, calças e botas IXON

FOTOS DE PEDRO FERNANDES E ARQUIVO

Às vezes é preciso voltar atrás no tempo para compreender o presente. A Suzuki 1100 Katana foi apresentada aos media e ao mundo no Salão de Colónia de 1980 e foi entregue aos primeiros compradores, no final desse mesmo ano.

A Katana 1100 pretendeu ser um virar de pagina da imagem da marca Suzuki, tendo nascido das pranchas de uma equipa de profissionais de design chefiados por Hans Muth, ex-chefe do departamento de estilo da BMW. No entanto, a equipa de design lidera pelo alemão, já antes havia desenhado uma MV com uma cúpula semelhante e que nunca chegou a entrar em produção.  

A original Katana foi apresentada como sendo a mais potente e rápida moto de produção em série. Os jornalistas apreciaram o seu estilo arrojado, que quebrava com todas as tendências das motos da época e consideraram que a Katana não teria sucesso. Mas enganaram-se!

Na verdade, as suas fortíssimas prestações conquistaram um enorme leque de clientes mais “assanhados” e a sua estética passou a ser idolatrada em todo o mundo.

O REGRESSO DO MITO… 38 ANOS DEPOIS

O relançamento do modelo Katana na gama Suzuki em 2020, foi a maneira da marca de Hamamatsu entrar no segmento das Classicas Modernas, muito em voga nestes últimos anos.

Jovens dos anos 70 e 80 que não puderam ter a moto dos seus sonhos na altura, constituem um dos publicos-alvo, mas muitos jovens de agora, talvez incentivados pelo reaparecimento do movimento Café Racer escolheram as Clássicas Modernas como uma opção de estilo que lhes permite marcar a diferença face aos utilizadores dos modelos de gama normal actual.

As Clássicas Modernas trazem o “mito”, trazem o estilo, trazem a imagem de marca e a “diferença” que muitos motards procuram, com a vantagem de uma mecânica performante e atual.

DESIGN E AERODINÂMICA

A original Katana de 1981 foi uma das primeiras motos a ter a ousadia de ter um farol quadrado, completamente engolido por uma carenagem, que envolve o cabeça do garfo e o depósito. Esse formato, foi o mais possível preservado na nova Katana pelo designer italiano Rodolfo Frascoli.

A audácia estética marca portanto o perfil da nova Suzuki Katana mas não atinge a vertente mecânica, uma vez que a nova Katana moto assenta sobre uma base conhecida – motor e chassis  da conhecida Suzuki GSX-S 1000. Bem vistas as coisas, apenas o formato do depósito de 12 litros e a posição de condução diferem dessa sport-turismo tão bem sucedida. 

Além disso, o guiador direito, a posição natural e versatilidade da GSX-S 1000, são qualidades muito apreciadas pelo seu público-alvo, de quarenta e poucos anos, faixa etária em que as vértebras e ossos já começam a pesar! Tendo em conta que esse é o tipo de utilizador da Katana, não nos surpreenderá que muitos venham a optar pelo vidro de proteção mais elevado e disponível como opção.

ELETRÓNICA Q.B.

Sobre a nova Katana algo que de imediato salta à vista é a ausência dos habituais modos de condução… por opção própria do fabricante. Na Suzuki Katana a naturalidade é uma honra, como para os artesãos da mais famosa lamina japonesa.

No punho esquerdo, existe apenas um mode para os três níveis de controle de tração, os quais facilmente se desligam através de um simples toque. Relevante para a segurança, sobretudo em dias de chuva e pisos com pouca aderência.

Existe ainda o Easy Start para assistência no arranque e uma assistência Low RPM, dispositivo que impede a paralisação do motor a baixos regimes. O painel de instrumentos é totalmente digital, um TFT, de uma só cor, mas muito legível e completo, totalmente distinto do painel de dupla agulha da Katana dos anos 80.

BEM SERVIDA NA TRAVAGEM E AMORTECIMENTO

No quadro do tipo dupla viga de alumínio o amortecimento desenvolve-se através de uma forquilha telescópica invertida à frente com bainhas de 43 mm e 120 mm de curso, a par de um único amortecedor atrás. A travagem está a cargo de dois discos à frente de 310 mm, mordidos por pinças Brembo de 4 pistons e um único disco atrás de 250 mm assistido por pinças de dois pistons Nissin.

Ambos os travões são assistidos por um ABS pouco intrusivo. As rodas de 17 polegadas, montam atrás um largo pneu 190 Dunlop RoadSport2.

CONFORTÁVEL E EXPRESSIVA

O motor GSX-R K5 da Katana é uma das melhores unidades da Suzuki, sobretudo para quem aprecia uma resposta redonda  e uma ampla banda de utilização. Pouco ‘molengão’ no arranque, com os seus 147 cv, este motor é uma lâmina bem afiada para fornecer bom torque a baixa velocidade. Mostra a sua gama ideal de utilização entre as 5000 rpm e 8000 rpm, muito antes do corte perto das 12.500 rpm. Em resumo, continua a ser um viril 4 cilindros!

O alongamento do motor a par da caixa de 6 velocidades bem escalonada evita o desconforto de constantes trocas de marchas, não se ouvindo os sempres desagradáveis ‘clonks’ a cada troca de relação.

Em cidade a Katana acaba por se revelar uma boa surpresa, o guiador plano facilita o manuseamento em curtas manobras, assim como o estacionamento, apenas penalizado por uma direção que fica a alguns pontos de uma moto naked. Os consumos não chegam a ser exagerados – conseguimos uma média de 4,5 litros em estrada e ciclo urbano sem exagerar do acelerador.

No entanto, o seu cenário preferido é a estrada. É ai que nos divertimos ao máximo com a Katana. As curvas são o seu cenário preferido, dispondo de uma agilidade sem limite e com um apoio em curva fabuloso.

Com a nova Katana percorremos perto de 500 quilómetros, percorrendo toda a zona costeira de Cascais a Setúbal, com uma ‘obrigatória’ passagem pelo Cabo Espichel, ponto de reunião motociclista habitual. Nas habituais filas de trânsito, a nova Katana desenvencilha-se muito bem, precisamos apenas baixar a caixa à 2ª e 3ª velocidades, em estrada aberta a estreia e baixa cúpula protege-nos bem, o motor alonga com uma suavidade espantosa, mas também explode com a força de um tonado com os seus 147 CV, sempre que necessário.

Posta à prova em termos de travagem, as pinças Brembo de 4 pistões mordem muito bem, e tendo de reduzir subitamente de uma velocidade elevada fica sensação de uma enorme e apetecível progressividade na pressão do hidráulico. No capítulo do amortecimento, a Katana 1000 passa sem choques violentos no mau piso e revela uma precisão milimétrica na abordagem de curva, especialmente a alta velocidade onde não se sente o mínimo estremecer da direção, dotada com um ângulo perfeito para essa situação.    

Auto-estrada? Não a renega, mas reclama uma cúpula ligeiramente mais alta para se viajar confortavelmente! E sem passageiro…

PREÇO E EXTRAS

A Suzuki Katana 1000 tem um PVP de 13.999 euros, o que significa mais 500 euros que o custo da GSX-S 1000 (13 499 €) mas vale a diferença, para se ter uma moto distinta do habitual, não uma pura café racer mas uma ‘neo-clássica’ que vale pelo seu conteúdo.

Contruída com os elevados padrões de qualidade das fábricas japonesas, a nova Katana é irrepreensível nos acabamentos e materiais utilizados, aspetos em que se percebe que o fabricante que não se poupou a gastos.

Como equipamento opcional, são propostos a proteção de depósito com logotipo Katana, look de carbono e duas camadas de proteção, que custa 25€ (sugiro colocar as imagens e preços no filme), o écran mais alto para uma melhor proteção do vento (199 €) e as proteções laterais de motor e quadro para evitar danos numa eventual queda (329 €).

Gostámos

Estética

Condução agradável

Alongamento do motor

Caixa de velocidades

Amortecimento e travagem

A melhorar

Proteção aerodinâmica em auto-estrada

Visibilidade do painel TFT

Lugar do passageiro

FICHA TÉCNICA

Especificações Suzuki Katana 2020

Preço base: 13.999 €

Garantia: 2 anos sem limite de quilómetros

MOTOR

Tipo:  transversal em linha de 4 cilindros, refrigerado a líquido

Cilindrada: 999cc

Diâmetro x curso: 73,4 x 59,0mm

Taxa de compressão: 12.2:1

Distribuição: DOHC com 4 válvulas por cilindro.

Intervalo de inspecção de válvulas: 24.000 quilómetros

Alimentação: EFI c/ corpos de acelerador SDTV e 44mm x 4

Sistema de lubrificação: em banho de óleo

Transmissão: 6 velocidades

Final: por Corrente com O-ring

PARTE CILÍSTICA

Tipo de quadro: dupla viga de alumínio c/ braço oscilante de alumínio

Distância entre eixos: 1460mm

Angulo de direção: 25 graus

Suspensão dianteira: forquilha telescópica invertida, com bainhas de 43mm, curso de 120mm

Suspensão traseira: Mono-amortecedor regulável em pré-carga e extensão da mola, curso de 120 mm

Travão dianteiro: Discos duplos de 310mm c/ pinças monobloco Brembo de montagem radial de 4 pistões com pinças opostas e ABS

Travão traseiro: Disco único de 220mm c/ 1 pistão de pino deslizante e ABS

DIMENSÕES E PESO

Comprimento x largura x altura: 2125 x 830 x 1110 mm

Altura do assento: 825mm

Rodas: 3,50 x 17 polegadas; 6,00 x 17 pol.

Pneus: 120/70-ZR17 e 190/50-ZR17

Capacidade do depósito: 12 litros

Consumo médio: 4,6 lt./100 km

Autonomia: 210 quilómetros

Peso total: 215 kg

Cores: Preto ou Cinza

AS CONCORRENTES

A Katana 2020 não tem concorrentes. Porque se insere num segmento em que cada modelo vale por si, vale pelo que foi o modelo original, e pela configuração escolhida para o modelo atual. As “rivais” que designámos para a Katana, são bem diferentes entre si.

A Kawasaki Z900 RS é muito parecida com o modelo original Z1 900 de 1973. O seu design é quase uma réplica da original e a configuração mecânica e ciclística também. A Kawasaki Z900RS vem equipada de um motor de 4 cilindros em linha de 948cm3 mas com apenas 111cv, contra os 147 da Katana e com um preço de 13.145€ ou seja mais barata 854€. Em termos de peso, são idênticas com 215kg.

Talvez mais parecidas em conceito seja a Triumph Bonneville que recria um modelo original demasiado antigo para compararmos com a Katana, ou a Honda CB1000EX ou RS, que recriam a CB750 four do inicio dos anos 70. Mas estas duas hipóteses aparecem-nos como demasiado “clássicas” para se compararem à Katana que recria um modelo dos anos 80, que na altura já era muito avançada para a época e na sua versão 2020, mais moderna ainda é.

Preferimos escolher a Honda CB1000 R NEO SPORTS CAFÉ e a Yamaha XSR 900, que não recriam qualquer modelo original do passado, sendo modelos actuais com um espectacular look retro. A Honda CB1000R Neo Sports Café com o seu motor de 4 cilindros em linha de 998 cm3 e 144cv, 212 kgs de peso, é em tudo muito aproximada da Katana, inclusive no preço que é mais baixo em 400€. A Yamaha XSR 900, é uma tricilíndrica e em tudo mais pequena que a Katana. Pesa menos 20kgs, tem menos 30cv, é 5 cm mais curta e 4000€ mais barata, uma excelente opção.

KAWASAKI Z900 RS EDIÇÃO ESPECIAL 13.145 €

4 Cilindros / 215 kg / 111 cv

HONDA CB1000 R NEO SPORTS CAFÉ – 13.600 €

4 cilindros /212 kg / 144 cv

YAMAHA XSR 900  9.995 €

3 cilindros /195 kg / 115 cv

Galeria de Imagens

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