A moto mais vendida em Portugal. Uma Scooter. A Honda PCX vendeu qualquer coisa como 26 650 unidades desde o seu aparecimento, em 2010. Foi a primeira a apresentar o idling stop, em que o motor se desliga automaticamente quando se encontra estacionária. A sua maneabilidade e qualidade de construção foram reconhecidas como referência e estabeleceu o padrão para a concorrência. Com a chegada do Euro 5, a sua última versão recebe um novo motor, nova electrónica e ciclística aprimorada. Com a practicalidade que lhe é característica, a PCX está mais refinada, com um look premium de scooter maior.
texto de Pedro Alpiarça
Se pensarmos um pouco, a ideia de uma scooter ser a moto mais vendida do mercado nos últimos 11 anos não é um feito que possa ser ignorado. OK, podemos argumentar que o contexto do seu lançamento, com a lei das scooters até 125cc poderem ser conduzidas com carta de carro alavancou este fenómeno e o timing foi de facto perfeito.
Mas a PCX ganhou o seu espaço, tornou-se a referência devendo em muito á sua facilidade de utilização, economia e fiabilidade.
Com o avançar dos tempos, a mobilidade urbana e até a forma como consumimos (o mercado das entregas explodiu) aumentou em muito a utilização destas pequenas máquinas que se movimentam no tecido citadino de forma incansável. A Honda soube observar as tendências do mercado e nunca deixou de evoluir a sua best-seller.

O motor eSP+ de 125cc conta agora com 4 válvulas e está ligeiramente mais potente, apresentando 12,5cv às 8,750rpm e 11,8 Nm às 6,500rpm (tendo melhorias na entrega sobretudo na ultima faixa de rotações). A ausência de vibrações no seu funcionamento é digna de nota (graças à nova cambota e aos seus rolamentos). A Honda PCX continua a surpreender na desfaçatez com que sai do semáforo, com uma óptima resposta inicial ao punho direito. A sua eficiência advém de tecnologias herdadas das máquinas mais desportivas da marca da asa dourada, tais como o novo injector de óleo no piston. Há outras alterações importantes, como o tensor hidráulico na corrente de distribuição assim como nova admissão de ar de maior volume e sistema de escape melhorado. O Marc Marquez não esteve envolvido no seu desenvolvimento, mas decerto que aprovaria a atenção dedicada a tanto pormenor…
O quadro foi completamente redesenhado, melhorando a sua rigidez estrutural sem comprometer uma das grandes mas valias da PCX, a sua manobrabilidade. Todos de nós já assistimos aquelas impossíveis manobras no trânsito, como se fossem insectos a moverem-se à velocidade do pensamento.
As suspensões estão mais suaves mas continuam assertivas, mantendo uma boa leitura nas irregularidades, e a travagem permanece potente, mas não vamos esconder que gostaríamos da mordacidade de um disco de travão traseiro.
A PCX continua com a mesma ergonomia confortável, com o guiador baixo e uma postura longilínea que favorece a estabilidade e a rapidez de reacções graças ao baixo centro de gravidade. O banco está mais simpático para o passageiro (novas pegas) e o espaço debaixo do mesmo (agora com 30,4L) está muito bem aproveitado (também graças à jante traseira menor). Todos os acabamentos respiram qualidade. Desde a iluminação full-LED, ao novo design do mostrador com LCD de contraste negativo. Está com postura de scooter maior sem perder a personalidade irrequieta que sempre a caracterizou.
No capitulo da electrónica assume o controle de tracção de origem, que, convenhamos, poderá ser útil em situações de baixo atrito. Claro que a probabilidade de virmos a precisar dele é igual a sermos ultrapassados pela nossa avó a andar de skate. Sobretudo se considerarmos que os novos pneus de maior largura lhe trouxeram uma segurança acrescida e um pisar mais confiante.

O sistema idling stop continua imperturbável na sua actuação, bastam 3 seg parado para o motor se desligar, e o arranque é feito sem nenhum tipo de poço, tudo fácil e sem sobressaltos. A ausência de chave torna-se imprescindível numa utilização intensiva, e até o depósito de combustível com tampão oculto nos deixa confortáveis no que toca a possíveis distracções… Um compartimento fechado com carregador USB tipo C dá-nos a liberdade de protegermos o smartphone dos elementos, um pormenor importante que a Honda não quis deixar ao acaso.
As motos não se medem aos palmos. A Honda PCX continua igual a si própria, mas mais inteligente e segura, o trabalho realizado no novo quadro e nas suspensões, e até o redimensionamento dos pneus, reflecte-se numa postura dinâmica muita mais controlada e interessante. Sabendo que a concorrência ganhou terreno, a Honda apresenta funcionalidades que lhe potenciam a facilidade de utilização, está mais potente mas também mais suave e refinada na sua atitude. A realidade que a tornou na moto mais vendida no nosso mercado está tão contextual como sempre, e temos a certeza que a sua história de sucesso está para perdurar. A rainha está de volta, e está mais PCX que nunca.”
Ficha Técnica:
Motor
Tipo de motor | 4 tempos, monocilíndrico, esP+, SOHC, 4 válvulas, refrigeração por liquido. |
Cilindrada | 125 cm3 |
Potência | 12,5 cv @ 8,750 rpm |
Binário | 11,8 Nm @ 6,500 rpm |
Embraiagem | Automática, centrífuga, a seco |
Transmissão | Correia V-Belt |
Ciclística
Quadro | Duplex de tubos de aço |
Suspensão Dianteira / Traseira | Forquilla telescópica de31 mm, 89 mm de curso / Duplo amortecedor com braço oscilante em alumínio, 95 mm de curso |
Travagem Dianteira / Traseira | 1 disco de 220 mm com pinça de 2 pistões e acionamento hidráulico (ABS) / Tambor de 130 mm |
Pneu Dianteiro / Traseiro | 110/70-14M/C 50P ; 130/70-13M/C 63P |
Dimensões e Preço
Altura do assento | 764mm |
Distância entre eixos | 1.315mm |
Capacidade do depósito | 8,1 L |
Peso | 130 Kg |
Preço | 3,150 € |
Cores e Acessórios
Branco Pearl Jasmine Cinzento metálico Mat Dim Preto metálico Mat Galaxy Vermelho Candy Luster Top Case com sistema smart-key; Vidro maior
Concorrentes
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Yamaha NMax 125
