Mais duração dos componentes, menos gastos, melhor condução, mais segurança

1 – Aquecer o motor
Quando o motor para, o óleo acumula-se nas partes baixas. Quando o motor arranca, o óleo tem de ser bombado para as partes altas do motor e circular uns segundos para chegar a cobrir todas as partes móveis e começar a protegê-las. Até lá, o desgaste das peças ainda frias e potencialmente sem a camada lubrificante protetora é exponencial. Antes de arrancar, deixe a moto ao ralenti por 20 ou 30 segundos.

2 – Ajustar a corrente
Nas motos como transmissão por corrente, ainda a vasta maioria, a tensão deste elemento é fundamental: Apertada demais, aquece, desgasta-se prematuramente e exerce uma força a ângulos retos sobre o veio da caixa, que em última análise fará o retentor falhar. Larga demais, permite aos elos ‘saltitar’, acelerando o desgaste, quer da corrente, quer dos dentes do pinhão e cremalheira. Isto vale o dobro se estiver seca ou demasiado suja. Como dica, na imagem, o dedo não devia ser capaz de mover a corrente para cima e para baixo mais de 1,5 ou 2 cm.

3 – Mantenha os pneus com a pressão correta
Mais uma vez, nem demais nem de menos: Pneus com excesso de pressão endurecem, escorregam subitamente sem aviso e gastam a coroa prematuramente (como a moto passa a maior parte do tempo direita).
Com pressão insuficiente, é ainda pior: O pneu fica esponjoso, dá uma condução preguiçosa e lenta nas mudanças de direção e uma má sensação geral à condução. É fácil ver o valor correto, normalmente marcado na moto, e também é boa ideia não confiar muito nos manómetros das bombas, que frequentemente estão mal calibrados. 2,2 bar/32 psi é um bom começo se tudo o resto falhar, mas é claro que isso varia segundo o tipo e dimensão da moto e carga.

4 – Ajuste e folga correta da embraiagem
Nas embraiagens atuadas por cabo, devia haver uma folga de cerca de 3 mm na manete, ou seja, a quantidade de movimento que ocorre antes de começar a operar. Menos, e a ação da embraiagem será brusca e com desgaste prematuro dos discos… Mais folga, e só começara a atuar no fim do movimento, ocasionando mudanças de caixa bruscas e até patinagem, mais uma vez gastando os elementos móveis mais depressa. Nas hidráulicas, o mesmo se passa com manutenção da pressão correta.

5 – Manter o líquido refrigerante
Em motos com arrefecimento líquido, cada vez mais a norma, o líquido refrigerante é normalmente uma mistura 50/50 de água destilada com glicol. Este preserva as superfícies do alumínio e vedantes no circuito de refrigeração e maximiza o efeito dissipante. Embora numa emergência seja melhor adicionar água do que nada, o líquido deteriora-se com o tempo, perdendo as capacidades protetoras, e deve ser renovado pelo menos de 2 em 2 anos.
6 – Limpeza do filtro de ar
Um passo perigoso de descurar, pois um filtro sujo, primeiro, ‘abafa’ o motor, dificultando a essencial rapidez da entrada de ar limpo para alimentar a combustão e segundo, acaba por permitir a entrada de poeiras que acabam por atuar como uma lixa nas partes móveis do motor. Segue que usar a moto sem filtro é ainda pior. Mesmo sacudir ou aspirar um filtro usado, numa emergência, é preferível a andar com um filtro sujo. Isto vale duplamente nas motos usadas no todo-terreno, que estão muito mais expostas a poeiras.

7 – Óleo dos garfos
Mais uma vez, um componente muitas vezes ignorado, até pela sua deterioração ser invisível e lenta. Não são necessários exageros, mas, mais uma vez, trocar pelo grau correto de 15 em 15 mil Km ou 2 em 2 anos devia ser a norma. Incidentalmente, se não conseguirem arranjar o grau correto, podem criá-lo misturando um mais grosso e outro mais fino, por exemplo, 250 cc de grau 10 com 250 cc de grau 20 obtêm 500 cc de grau 15. Atenção a não misturar tipos diferentes, no entanto.

8 – Pastilhas de Travão
Convém saber que tipo é recomendado para a sua moto, normal, carbono ou sinterado. Este último tem pequenas partículas de metal embebidas no material, trava mais, mas também gasta mais os discos. Atenção ao desgaste, que devia ser regular. Se um lado está a gastar mais do que outro, indica êmbolos perros ou contaminados. Quando o material de frição gasta, com 2 mm considerado o mínimo, a pastilha começa a raspar no ferro e a destruir o disco, que pode custar 10 vezes mais que as pastilhas. Antes de as substituir, todo o sistema devia ser limpo e lubrificado, tendo cuidado de não contaminar as superfícies de frição ou de as desengordurar antes de montar as pinças.

9 – Velas de ignição
Normalmente baratas o suficiente para não descurar a sua substituição, as velas também podem ser limpas várias vezes com um bocadinho de lixa. Usar a especificação correta é fundamental, pois o seu grau refere-se à quantidade de isolante cerâmico, que, por sua vez, regula a temperatura da vela. O intervalo correto dos eléctrodos também é importante para uma faisca gorda, com consequente combustão completa e bom funcionamento do motor.

10 – Aditivos
A maioria dos fabricantes desencoraja, ou proíbe mesmo, o uso de aditivos, seja na gasolina, seja nos óleos. Na gasolina, serve pouco e até pode ajudar a entupir os injetores modernos. No óleo, como normalmente são desenhados para os automóveis, que têm lubrificações separadas para o motor e caixa, o que não é o caso na esmagadora maioria das motos, podem ocasionar patinar na embraiagem ou até deterioração dos discos. No mínimo, assegurem que é um aditivo recomendado ou permitido antes de adicionar seja o que for a estes elementos.
















