Fontes anónimas vêm atacando a Harley-Davidson com insinuações

A rivalidade entre a Indian e a Harley-Davidson, as duas marcas de motos americanas sobreviventes, tem mais de um século, mas agora está a levar um novo rumo preocupante… Nos Estados Unidos, a Indian Motorcycle acaba de lançar uma campanha publicitária de ataque com tons políticos de extrema-direita contra a sua principal rival, a Harley-Davidson, e é uma jogada que deixa qualquer um perplexo.
A campanha surge na sequência de influenciadores de direita na internet que, nos últimos dias, afirmaram que a Harley “se tornou politicamente correcta e gay”, enquanto simultaneamente, mas certamente de forma não coordenada, promoviam a Indian. Muitos observadores viram o movimento e acreditam que tudo parece ter sido engendrado, uma estratégia inspirada noutras táticas políticas utilizadas nos últimos anos.

O post mais recente, intitulado “A cultura não está confusa. Nós também não”, começa com uma crítica direta à Harley-Davidson, afirmando que a empresa contratou um tipo de “uma pizzaria”, fazendo referência ao novo CEO da Harley, Artie Starrs, (acima) que dirigiu a Pizza Hut durante algum tempo.
De seguida, traça um contraste imediato com o seu próprio novo CEO, afirmando que “a Indian escolheu um veterano da indústria e motociclista apaixonado”, nomeadamente Mike Kennedy. Além disso, tudo isto é narrado naquele tom de voz de propaganda política que provavelmente já ouviu um trilião de vezes na vida.
Parece que a campanha tem origem em Brad Parscale, que foi o antigo chefe de campanha do presidente dos EUA, Donald J. Trump, especializado neste tipo de retórica. É sombria, ameaçadora e a reação da imprensa local é que “só funciona com idiotas”. Isto é também típico do percurso profissional anterior de Parscale, bem como da sua ocupação actual, que inclui a coordenação de campanhas com influenciadores em nome do governo israelita, numa tentativa de influenciar a opinião pública sobre três pontos: o Estado, a sua relação militar com os EUA e o genocídio contínuo dos palestinianos.

Para mais, omite o pequeno ‘detalhe’ de que Mike Kennedy, CEO da Indian, (acima) também trabalhou na Harley-Davidson durante décadas. E, inclusive, trabalhava na Harley-Davidson quando Jochen Zeitz, antigo CEO da empresa, a quem muitos atribuem a culpa pelos problemas da marca, era também membro do conselho de administração. Nessa altura, Kennedy, atual CEO da Indian Motorcycle, era executivo da Harley-Davidson, com o título oficial de Vice-Presidente e Diretor Geral para as Américas. E este detalhe específico é crucial para os próximos excertos do anúncio difamatório:
“[A Harley-Davidson] investiu em motos elétricas e transferiu a produção para a Tailândia. Fabricamos motores PowerPlus e motos americanas aqui mesmo em Spirit Lake, no Iowa”, refere o anúncio.

Quase de certeza, Kennedy participou nestas decisões na sua posição executiva na Harley-Davidson. No entanto, mais importante ainda, este novo anúncio da Indian Motorcycle finge que todas as Harley são fabricadas no estrangeiro, quando, na realidade, são apenas duas linhas de produção.
Mas, hoje em dia, os factos são mitos e os mitos são factos. De referir ainda que a Indian Motorcycle, sob a antiga gestão da Polaris, montava as linhas FTR e Scout na sua fábrica na Polónia desde 2020. Embora a FTR tenha saído de linha, a Scout mantém-se, não se sabendo ao certo se a montagem se mantém lá.
“Eles seguiram tendências políticas”, afirma o anúncio, com ilustrações que falam sobre iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) e uma foto do Capitólio em Washington, D.C. “Nós apoiamos as pessoas que importam”, com símbolos da polícia “Apoie a Polícia”, o que parece ser um grupo de veteranos e vários motociclistas de baggers.
Em suma, a Harley é “cool e gay”, enquanto a Indian representa os “verdadeiros americanos”, para usar um slogan da campanha com influenciadores. O anúncio continua afirmando que a Indian é a única marca americana para verdadeiros motociclistas, construída por motociclistas americanos, e assim por diante. É tudo muito chauvinista e politicamente carregado. Surpreende que a Indian tenha ido tão longe na sua campanha…
















