Norton F1: Uma jóia bela… e também maldita!

By on 15 Março, 2021

Nos anos 80-90 ela fez tremer o mundo das motos desportivas com um desenho único e um motor Wankel de pistões rotativos. Foi uma jóia de corrida, mas apesar do seu sucesso, colocou a reputada firma britânica à beira da falência.. 

Conhece a Norton? Trata-se de uma carismática e histórica Casa inglesa que viveu um período dourado em meados do século passado, e depois passou todo o resto do tempo em renascimento, morrendo continuamente até ao último ‘golpe’ dado há pouco mais de um ano por Stuart Garner – renascendo agora pela multinacional indiana TVS Motor Company.

Nos anos 80 a Norton foi de novo colocada no mercado, mas com uma fórmula muito especial, com uma moto super exclusiva para competições, equipada com um motor de pistão rotativo Wankel, mais precisamente um motor de duplo rotor. Chamava-se Norton F1 e era linda de morrer!

QUANDO OS PISTÕES GIRAM

O motor Wankel é mais famoso no mundo automóvel, onde a Mazda o aplicou durante décadas em carros de produção e de competição, fazendo-nos compreender que os pistões também podem virar, e não apenas subir e descer. As características de um motor rotativo são a extrema leveza, a compacidade e um rendimento ligeiramente superior ao do motor a gasolina clássico, de modo que a partir de uma pequena cilindrada é possível desenvolver potências de uma categoria muito superior. 

Foi o que a firma inglesa fez com o seu projecto F1, que, graças ao rotor duplo dentro da carenagem (e ao chassis feito pelo especialista inglês Spondon) tinha as dimensões e pesos de um 600, mas podia competir com as 750 em termos de desempenho com apenas 588cc. Ficando perto da mítica barreira dos 100 cv (95 CV para 192 kg de peso) a Norton F1 foi imediatamente notada no final dos anos 80 na sua versão de corrida chamada RCW 588, que ganhou o campeonato inglês de F1 (uma categoria de promoção para Superbike) lançando de novo a imagem do lendário fabricante inglês.

O MELHOR ‘BRITISH STYLE’

Chegou ao mercado com uma cor escura, com frisos de prata e dourado a lembrar o patrocionador John Player Special do famoso Lotus 77 de F1. O motor e o quadro estavam completamente escondidos sob uma carenagem que selava completamente a mecânica – como estava na moda naqueles anos – e o resultado foi ao mesmo tempo elegante e ameaçador: 130 unidades construídas praticamente à mão, a um preço de mais de £12.000 (13.963€) um valor demasiado elevado para a altura.

Como acontece frequentemente nestes casos, o dinheiro ganho com a venda mal era suficiente para cobrir os custos de desenvolvimento e produção, e a Norton abandonou a ideia de produção regular em série. Embora o destino da marca estivesse agora – mais uma vez – selado, em 1992 foi preciso a satisfação de ganhar o TT com Steve Hislop depois de uma luta contra Carl Fogarty que ficaria para a história.

UM DESENVOLVIMENTO CONTURBADO

Embora a vida da Norton F1 com motor Wankel fosse curta, a sua gestação seria longa e cheia de interrogações. O projecto foi estudado pela primeira vez em 1969 pelo engenheiro David Garside, com um passado na Rolls-Royce, que iniciou o desenvolvimento para equipar uma nova moto Triumph com um motor rotativo. Aconteceu que a empresa foi à falência e os documentos do projecto foram oferecidos à BSA, que concordou em avançar com a mesma. 

Não demorou muito até que a BSA também fechasse as suas portas, como se esta moto tivesse uma espécie de maleita – apesar da sofisticada tecnologia de êmbolos rotativos que tanto sucesso tivera na Mazda.

Atualmente existem muito poucas Norton F1 e os preços de licitação em leilão são de cinco dígitos! Pode ter sido um meteoro, mas continua a ser uma das mais fascinantes máquinas de duas rodas do século passado.

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