Fomos a Portimão numa NT1100, cortesia da Honda. Arigato Gozaimasu!*
Confesso que até ir buscar a excelsa Honda NT1100 para me deslocar à ronda de Portimão do Mundial de SBK há dias era um dos céticos que descrevia o sistema DCT de transmissão automática e dupla embraiagem da Honda, usado neste modelo, como ‘a resposta a uma pergunta que ninguém fez’. Ainda há dias publicámos uma explicação mais detalhada deste e outros sistemas automáticos, num artigo tão extenso que se dividiu em dois.

900 Km e quatro dias na moto bastaram para me mudar a opinião. A NT1100 já não era novidade, pois há um par de anos tinha recorrido a uma quase igual para me deslocar ao norte para a minha primeira participação no Douron2Wheels, e tinha podido observar toda a disponibilidade do soberbo bicilíndrico paralelo que o modelo partilha com a Africa Twin. São 102 cavalos entregues de forma contínua e fluida, sem sacões ou hesitações a partir de muito baixo, o que para mototurismo torna a condução muito redonda, sem abdicar de excelentes remontadas para ultrapassagens.
Junte-se a isso a ergonomia perfeita, com uma posição de condução ereta, mas muito natural, um vidro ajustável em segundos, que até na sua posição mais baixa faz bom trabalho de afastar a deslocação de ar do condutor, e um banco cuja firmeza de estofo é um equilíbrio perfeito entre conforto e apoio, e temos uma verdadeira devoradora de Km.

Ainda por cima, dependendo do ritmo empreendido, é possível ver 4,6 litros aos 100 numa rodada mais calma, mais provavelmente 5 se velocidades de autoestrada entrarem no jogo, e temos assim performance, conforto e economia no todo… ah, e espaço de bagagem, MUITO espaço de bagagem, pois as enormes malas laterais, complementadas por uma Top case gargantuesca, dão conta mesmo dos mais exigentes em mordomias nesse aspeto. Faltava então habituar-me ao malfadado DCT… desde logo, em modo completamente automático D, não há espinhas.
É suave em aceleração ou redução, boa resposta a qualquer solicitação do punho sem nos arrancar os braços, e muito eficiente em travagem motor, pois só fechando o punho passa-se de 140 a cerca de 80 Km/h em poucos metros rodados. Para rotundas ou curvas que exijam reduções, está-se melhor selecionando o modo S, que retém a rotação mais tempo e, portanto, é mais eficiente a prender a moto para não subvirar. Penso que a diferença da ‘outra’ de há 2 anso para esta é a nova Unidade de Medição da Inércia (IMU), que se encontra no centro do conjunto eletrónico atualizado e adapta o manuseamento da moto à condução. A combinação dos vários modos, Tour, Urbano, ou até Chuva, com opções de ajuste da entrada em ação dos controlos vários, encontra garantidamente uma resposta a quaisquer condições de viagem… a gaita agora vai ser voltar a uma moto com manete de embraiagem!
*Muito obrigado














