CEO afasta boatos de mudança para a Índia

Depois de regressar aos lucros pela primeira vez em quase dois anos, a marca austríaca assegura que Mattighofen continua a ser o coração da produção, apesar da Bajaj Auto ser agora a proprietária.
O CEO da KTM, Gottfried Neumeister, confirmou que a produção das motos do fabricante austríaco vai continuar a ser feita na sede da empresa, em Mattighofen, na Áustria. A declaração responde a rumores recentes que apontavam para uma possível transferência do fabrico para a Índia, país de origem da Bajaj Auto, que assumiu o controlo da marca em 2025.

Uma reviravolta em 12 meses A garantia chega num momento muito mais favorável para a KTM. Depois de cerca de 18 meses de turbulência, iniciados em 2024, a marca voltou a registar lucros recentemente, pela primeira vez em quase dois anos, e vendeu cerca de 100 mil motos no primeiro semestre de 2026.
O contraste com a situação de há um ano é grande. Na altura, a empresa acumulava dívidas, centenas de funcionários tinham sido despedidos e os credores, juntamente com a Bajaj Auto, intervieram para a salvar. Hoje, a KTM está de volta aos carris, tanto em termos de perspetiva geral da marca como no projeto de MotoGP, que foi renovado por mais cinco anos.

Convencer a Bajaj Manter os programas de MotoGP e de desporto motorizado em geral não foi, contudo, uma tarefa simples. Segundo Neumeister, a chegada da Bajaj trouxe um choque de culturas: “No início, havia pouca compreensão sobre o desporto motorizado.”
O CEO explica que a empresa indiana vem do mundo das motos de uso diário, casa-trabalho, onde as vendas são impulsionadas pelo preço e onde se valorizam atributos diferentes dos do segmento da KTM. Foram precisas várias viagens à Índia para convencer a administração. Neumeister admite que, sem o apoio da Bajaj, a KTM não teria conseguido assumir o compromisso de cinco anos com o MotoGP.
O responsável acrescenta que recebeu luz verde da gestão de topo para reunir uma equipa independente, pelo que a Bajaj não assumiu a gestão direta da marca.
Compromisso com a Áustria Quanto aos rumores sobre a deslocalização, Neumeister foi claro ao afirmar que existe um compromisso firme com a Áustria. A KTM conta com mais de 440 engenheiros no país, responsáveis por conceber produtos de primeira linha e por estabelecer novos padrões no setor.
O caminho que falta percorrer Apesar da recuperação, ainda há trabalho a fazer após dois anos de dificuldades financeiras. Nos próximos meses, o fabricante vai continuar empenhado em reposicionar-se como uma das principais marcas a nível global, em particular na Europa.
Neumeister destaca que o contexto também ajuda a perceber o momento da marca: “Ao observar o mercado à nossa volta, vemos que os outros fabricantes europeus estão a registar prejuízos no primeiro semestre do ano.” O CEO reconhece que a KTM parte de uma base mais baixa, mas considera encorajador estar a superar o desempenho do mercado.
A prioridade, sublinha, é a rentabilidade antes do crescimento: “O volume não é tudo; precisamos primeiro de nos tornar rentáveis antes de expandir o negócio.” Para Neumeister, a empresa está no bom caminho, com todos os novos produtos a serem bem recebidos, e é disso que depende o futuro da marca.















