Multas passam a ser digitais
A Brigada de Trânsito da GNR deverá voltar a funcionar nos primeiros meses de 2027. Adicionalmente, já em janeiro, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) vai abandonar os autos preenchidos manualmente e começar a digitalizar todas as multas.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, anunciou durante uma audição parlamentar, no âmbito da discussão da proposta de Orçamento do Estado para 2027, que a Brigada de Trânsito (BT) da Guarda Nacional Republicana (GNR) deverá regressar à atividade nos primeiros meses de 2027.

Luís Neves (acima) adiantou que já estão identificadas instalações para a Brigada de Trânsito, embora não tenha revelado a sua localização. A estrutura deverá contar com um comando nacional unificado, com o objetivo de reforçar a coordenação, a especialização e a eficácia da fiscalização rodoviária.
Segundo a imprensa generalista, o governante revelou que já existe um diploma preparado para a criação da estrutura, que terá ainda de ser apresentado em Conselho de Ministros e aprovado pela Assembleia da República.
O regresso da BT integra a Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, que pretende reduzir para metade o número de vítimas mortais e de feridos graves nas estradas até 2030, tendo como referência os valores registados em 2019.

Outra das medidas previstas passa pela apresentação de um novo Código da Estrada durante 2027. De acordo com o ministro, a revisão dará particular atenção aos utilizadores mais vulneráveis, à reincidência, ao excesso de velocidade e à condução sob influência do álcool ou de substâncias psicotrópicas.
Também a partir de janeiro, a ANSR vai avançar com a digitalização de todas as multas de trânsito, pondo fim aos autos preenchidos à mão e que ainda circulam em formato físico.
O objetivo, explicou Luís Neves, é modernizar os sistemas de fiscalização e de gestão das contraordenações, tornando os processos mais rápidos, reduzindo as situações de prescrição e aumentando a eficácia na aplicação das sanções.
O ministro considerou que as contraordenações devem ser efetivamente cobradas, salvaguardando naturalmente o direito dos cidadãos à contestação, criticando as situações em que são utilizadas impugnações com o objetivo de levar à prescrição das multas.
Estas medidas fazem parte de um conjunto de alterações que o Governo pretende concretizar em 2027 no âmbito do reforço da segurança rodoviária em Portugal — portanto, a ênfase vai continuar na penalização em vez da prevenção, como já temos visto nas mais recentes atualizações do Código da Estrada, em que as únicas alterações foram passar infrações ligeiras a graves e graves a muito graves para onerar as coimas aplicadas.













